Chico Buarque e a nossa geração

Por Urariano Mota

Chico Buarque vai para 75 anos. Que tempos difíceis ele viveu e vivemos! O quanto ele soube se portar com dignidade humana, artística e política, em meio à desesperança da ditadura. E venceu, e tem vencido, em uma dimensão maior que a do Prêmio Camões, que por justiça e unanimidade vem para ele e para todos nós.

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Confundindo pedagogia e política: Marx e Lenin sobre a educação revolucionária do proletariado

Por Gabriel Landi Fazzio

“Nihil humani a me alienum puto”. Em latim: “Nada humano me é alheio”. Segundo as filhas de Marx, a máxima favorita do pai. (MARX, 1956)

“20. Nossa tarefa mais importante antes do levante revolucionário declarado é a propaganda e a agitação revolucionária.” (III INTERNACIONAL COMUNISTA, 2008) Continue lendo “Confundindo pedagogia e política: Marx e Lenin sobre a educação revolucionária do proletariado”

Trinta maneiras de facilmente reconhecer um velho marxista

Por Georges Peyrol (a.k.a. Alain Badiou), traduzido por Rodrigo Gonsalves

Georges Peyrol foi publicado pela primeira vez em 1983, “30 moyens de reconnaître à coup sûr un vieux-marxiste” em Le Perroquet 29-30 (1983), pp. 5-6 e mais recentemente resgatado e traduzido por Alberto Toscano e Nina Power para o Journal for Images and Politics (2006) – Prelom n.08. No entanto, é na obra ‘Living in the End of Times’ (Vivendo no fim dos Tempos) de Slavoj Žižek (p.461) que encontramos para além do resgate da crítica de George Peyrol ao velho marxista (dado os traços apontados, possivelmente seu ex-orientador Louis Althusser), a apreciação de Frank Ruda que em sua tradução da obra de Badiou “Peut-on pense la politique?” nos informa que este se trata de um pseudônimo usado por Alain Badiou. Continue lendo “Trinta maneiras de facilmente reconhecer um velho marxista”

Do lugar identitário ao punitivismo: um caminho natural

Por Inês Maia

A crença cega na impossibilidade da transformação efetiva; o apego às limitações ao poder instituído; a busca por um lugar ao sol – quando o sol deveria ser para todos; o fetichismo de uma representatividade fechada nos moldes da vida do espetáculo e do consumo; a fé na racialização social e não na tentativa de implodir o seu significado; a ação prevista conforme os marcos colonialistas; o total afastamento do pertencimento à classe trabalhadora, e; para lacrar – a judicialização das ideias, agora avaliadas pelos senhores promotores; foram os resultados de uma teoria que, sustentando o lugar formatado pela realidade assassina e exploratória da modernidade capitalista, esvaziou do horizonte de muitos jovens uma transformação efetiva que tenha como horizonte a experiência da igualdade social radical. Continue lendo “Do lugar identitário ao punitivismo: um caminho natural”

Como a ‘guerra às gangues’ alimenta o encarceramento em massa

Por Terrence Myers, via Liberation School, traduzido por Bruno Sanata

Quando o rapper indicado ao Grammy Nipsey Hussle foi morto em março, Kerry Lathan, que estava coincidentemente na loja de roupas de Hussle no sul de Los Angeles para comprar uma camiseta, também foi baleado. Dias depois, gravemente ferido, Lathan foi preso. Lathan, que estava em liberdade condicional, foi acusado de violar a condicional por socializar com um conhecido membro de gangue – Nipsey Hussle. Continue lendo “Como a ‘guerra às gangues’ alimenta o encarceramento em massa”

A classe média, a miopia do reformismo e clareza de Thalheimer

Por Fernando Savella

Em um restaurante, a proprietária, já idosa, cobra de suas funcionárias algumas tarefas que deixaram de ser feitas. Conjectura acerca de outras coisas que, apesar de terem sido feitas, desconfia que foi com desleixo. “É assim que vocês fazem quando eu não estou aqui.” “Não é?” – inquisitiva sobre uma funcionária alheia às críticas. Continue lendo “A classe média, a miopia do reformismo e clareza de Thalheimer”

A derrota de Lenin

Por Francisco Martins Rodrigues, via marxists.org

“Estamos em condições bem mais difíceis do que durante a invasão direta dos guardas brancos”. “O Estado não funcionou como prevíramos, o carro não obedece ao condutor”. “Os comunistas julgam dirigir a máquina burocrática mas é ela que os conduz”. A dramática intervenção de Lenin perante o XI Congresso do partido, em Março de 1922, traça um momento-charneira nos destinos da Rússia. No horizonte desenham-se já os contornos da futura URSS de Stálin; para trás fica o fracasso da democracia dos sovietes. Poderia a revolução ter sido salva com outra política? Continue lendo “A derrota de Lenin”

Uma conversa entre Inês Maia e Douglas Rodrigues Barros

Transcrito por Daniel Fabre

Este texto, que agora você lê, foi de uma conversa gravada secretamente, isto é, sem que os dois envolvidos no diálogo soubessem. Depois foi transcrito, editado por mim e revisto tantas vezes pelas duas pessoas envolvidas que se perdeu a coloquialidade do diálogo. Posteriormente, deram aval para a publicação. Havia mais gente na noite, mas, por razões explicitas, resolvi ocultar alguns nomes.

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Lenin: legalização e luta da classe operária

Por Vladimir Ilitch “Lenin” Ulyanov, via Marxists.org, traduzido por Rodri Villa

Com a publicação de “A Legalização da Classe Operária“, de Bernard Edelman, no Brasil, uma série de debates se animaram em meio à intelectualidade revolucionária a respeito dos limites e amarras do direito do trabalho ao movimento dos trabalhadores. Por um lado, essa crítica vigorosa ajudou a pôr em cheque uma série de pressupostos da esquerda reformista, que celebra cada conquista legal imediata como uma vitória definitiva das lutas operárias. Por outro lado, essa crítica muitas vezes se perdeu no abstencionismo, no ceticismo absoluto com as lutas por reformas em favor da classe trabalhadora, na forma de uma refutação genérica e abstrata a toda a legalidade, sem considerações quaisquer sobre seu conteúdo. Continue lendo “Lenin: legalização e luta da classe operária”

Arquiteto, Cidade e História: contradições e problemas candentes de nosso campo disciplinar

Por Vinícius Okada M. M. D’Amico

“O arquiteto não está excluído da influência determinante do capital. Pelo contrário, ele nasce a partir dela. A separação entre trabalho intelectual e trabalho manual no canteiro de obras corresponde a uma das etapas fundamentais no desenvolvimento das forças produtivas na sociedade capitalista. A superação do “trabalho autônomo” no canteiro e sua posterior fragmentação alienante, desemboca na característica fundante do “construir” moderno: a contradição elementar entre o canteiro e o desenho.” Continue lendo “Arquiteto, Cidade e História: contradições e problemas candentes de nosso campo disciplinar”

“Nenhum problema atual precisa de soluções técnicas. Se trata sempre de problemas sociais.”

Entrevista por Bernardo Álvarez-Villar, via El Salto, traduzido por Daniel Alves Teixeira

Anselm Jappe (Bonn, Alemanha, 1962) é um pensador impiedoso e vigoroso, alérgico a argumentos consoladores e a subterfúgios intelectuais. Junto com outros desviados da ortodoxia marxista (Robert Kurz na Alemanha, Moishe Postone no Estados Unidos, Luis Andrés Bredlow em Espanha), passou anos questionando os axiomas de uma esquerda que, pensa Jappe, tem sido incapaz de compreender as transformações do capitalismo nas últimas décadas.  Continue lendo ““Nenhum problema atual precisa de soluções técnicas. Se trata sempre de problemas sociais.””

Lênin, docente? Aproximando Vladimir Lênin e Bernard Schneuwly

Por Gabriel Lazzari*

Marx e Engels já apontavam os limites constitutivos da consciência no que tange à luta imediata dos trabalhadores em suas reivindicações diárias, sem vínculo com uma luta política mais ampla, ou seja, os limites da consciência chamada por Lênin de “trade-unionista”. É precisamente ao observarmos os termos em que Marx formula sua primeira abordagem da questão que conseguimos perceber que, em sendo as relações de produção mencionadas contraditórias internamente, também permitem o surgimento de uma consciência contraditória no seio do proletariado, ainda que limitada pela falta de compreensão da articulação total dos fenômenos que estruturam a sociedade capitalista, as lutas entre as classes, inclusive. Continue lendo “Lênin, docente? Aproximando Vladimir Lênin e Bernard Schneuwly”

Diferença Sexual e Ontologia

Por Alenka Zupančič, via E-Flux, traduzido por Matheus Cornely Sayão

Alenka Zupančič propõe traçar um caminho que vai desde a diferença sexual segundo as essencializantes ontologias e cosmologias tradicionais até, após a ruptura da filosofia e ciência moderna com a ontologia, as possíveis afirmações ontológicas que a psicanálise poderia oferecer. Em crítica à teoria queer, que Zupančič afirma dessexualizar o sexo, ela pretende demonstrar como a diferença sexual, para a psicanálise, se situa como uma falha entre o ontológico e o epistemológico, colocando o Real da diferença sexual na posição de algo que curva o espaço do ser. Continue lendo “Diferença Sexual e Ontologia”

Sobre a Frente Única dos Trabalhadores

Pelo Comitê Executivo da Internacional Comunista, via marxists.org, traduzido por Bruno Santana e Gabriel Landi Fazzio

De extrema atualidade, os debates da Internacional Comunista sobre a tática da Frente Única dos Trabalhadores perpassaram seu Terceiro (junho de 1921) e Quarto Congressos (novembro de 1922). Inúmeros debates se seguiram às breves considerações deliberadas no Terceiro Congresso Continue lendo “Sobre a Frente Única dos Trabalhadores”

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