Por um incendiar como o incêndio florestal

Por Bue Rübner Hansen, via roarmag.org traduzido por Rodrigo Gonsalves

Na sociologia, um ponto de inflexão é passado quando um grupo ou sociedade muda rapidamente e dramaticamente seu comportamento adotando uma prática anteriormente rara. Geralmente, segue-se uma crise que torna o antigo modo de fazer as coisas impossível ou intolerável. O desmatamento rápido está em andamento há muito tempo na Indonésia, na África Central, na Amazônia e em outros lugares. Mas o enorme significado simbólico e material da Amazônia significa que os incêndios são um alerta para milhões de pessoas no Brasil e no mundo.  Continue lendo “Por um incendiar como o incêndio florestal”

A esquerda deve temer a ruína? Notas sobre a crise da democracia no Brasil

Por Thales Fonseca (Doutorando em Psicologia pela UFSJ)

Trata-se de tentar traçar um breve percurso que vai desde a instauração da chamada Nova República, com a promulgação da constituição de 1988, passando por momentos de relativa harmonia social a partir de meados da década de 1990 e na primeira década dos anos 2000, chegando, enfim, às manifestações de profunda insatisfação popular em 2013, que parecem ter se configurado como um preâmbulo do que hoje se apresenta como uma profunda crise de nosso sistema democrático.  Continue lendo “A esquerda deve temer a ruína? Notas sobre a crise da democracia no Brasil”

Roswitha Scholz e a Crítica do Valor: um novo marxismo feminista

Por Taylisi Leite

A assim denominada atualmente “Nova crítica do valor” (tradução de Wertkritik) surgiu em 1986, organizada em torno da leitura da obra do Professor de Chicago Moishe Postone, e logo tomou os contornos de um fórum, a fim de elaborar uma crítica radical da sociedade que se reproduz sob as determinações da valorização capitalista, cuja produção se materializou na edição da revista Krisis, publicada desde 1987. Continue lendo “Roswitha Scholz e a Crítica do Valor: um novo marxismo feminista”

Lênin e a Frente Única

Por Vladimir Ilitch Lênin, via Marxists.org, traduzido por Gabriel Landi Fazzio

De extrema atualidade, os debates da Internacional Comunista sobre a tática da Frente Única dos Trabalhadores perpassaram seu Terceiro (junho de 1921) e Quarto Congressos (novembro de 1922). Abaixo, apresentamos as traduções inéditas dos comentários existentes de Lênin a respeito de tal política de unidade proletária defensiva entre revolucionários e reformistas. Continue lendo “Lênin e a Frente Única”

Contra a política

Por Wilton Cardoso

No pós-guerra, a política e a democracia venceu, pelo menos em algumas parte do mundo, o fascismo. Isto foi possível porque o capitalismo encontrou, nos países centrais, formas de aumentar vertiginosamente o crescimento, a produtividade e o emprego. Com a racionalização da produção industrial promovida pela automação, iniciada em meadas da década de 1970 e que agora se encontra num novo momento de aprofundamento, com a indústria 4.0, a política não tem mais nada a oferecer às pessoas. E diferente do pós-guerra, não há sinais de que o capitalismo vá recuperar, nem mesmo em alguns países centrais, as condições de empregabilidade e crescimento que permita algo parecido com as experiências do estado do bem estar social: o futuro indica que o cobertor econômico das nações será mais curto, não sobrando espaço para políticas sociais. Continue lendo “Contra a política”

O Indivíduo e a História

Por Karel Kosik, tradução de Willians Meneses da Silva, revisão técnica de Filipe Boechat

O presente trabalho, publicado originalmente em L’Homme et la societé, n. 9, julho-setembro de 1968, Paris, foi traduzido para o espanhol por Fernando Crespo, Editorial Almagesto, Buenos Aires, 1991. A tradução para o português, que ora vem a público, feita a partir da tradução espanhola, foi cotejada com o original francês pelo revisor, o que permitiu algumas correções e a restituição de pequenos trechos, suprimidos pela tradução espanhola. Continue lendo “O Indivíduo e a História”

Design & Comunismo

Por Daniela Mutchnik e Rodrigo Gonsalves

Essa foi uma da fala proferida e desenvolvida por Daniela Mutchnik e por Rodrigo Gonsalves no evento ‘Design e Comunismo’ criado pelo Circulo de Estudos da Ideia e da Ideologia (CEII), que aconteceu no último final de semana no Rio de Janeiro. O coletivo acabou de concluir esta que foi a sexta edição de eventos destinado à pensar, discutir e problematizar a hipótese comunista diante de outras áreas e campos do pensamento sem se esquecer da realidade (social) atual. Continue lendo “Design & Comunismo”

Considerações sobre “La haine de la democrátie”: a democracia como ameaça em Jacques Ranciére  

Por Alberto Luís Araújo Silva Filho

Remontando aos filósofos anti democráticos da escola grega, Ranciére desvenda a linha que concebe o populus como uma ameaça à estabilidade social, expondo o fato da representação escusa como a resultante de todo um projeto histórico-reflexivo de elevação das distinções sociais que grassam na contemporaneidade.

Continue lendo “Considerações sobre “La haine de la democrátie”: a democracia como ameaça em Jacques Ranciére  “

A Aliança Popular: o programa e a estratégia dos comunistas gregos

Por KKE (Partido Comunista da Grécia), via Inter.KKE, traduzido por Fernando Savella

A seguinte tradução compreende trechos selecionados da revista teórica do Partido Comunista Grega, em uma edição especialmente voltada ao aprofundamento e estudo em torno do programa deste partido. Neste documento, a estratégia e a tática do KKE, bem como sua concepção sobre as alianças de classe do proletariado, são expostas de modo aprofundado. Continue lendo “A Aliança Popular: o programa e a estratégia dos comunistas gregos”

Da falsa emancipação preta pela via do mercado ao problema da identidade despossuída no séc. XXI: o cinema crítico de Boots Riley


Por Cian Barbosa

A arte não pode ser apenas a expressão de uma particularidade (seja ela étnica ou pessoal). A arte é a produção impessoal de uma verdade que é endereçada a todos.

—Alain Badiou Continue lendo “Da falsa emancipação preta pela via do mercado ao problema da identidade despossuída no séc. XXI: o cinema crítico de Boots Riley”

Luta de classes e “identitarismo”: Emocionados no reino da ignorância iluminada

Por Heribaldo Maia

Recentemente foi publicado aqui no LavraPalavra um texto chamado: Luta de classes e movimentos identitários, ou A esquerda na encruzilhada de si mesma[i]. O texto era uma tentativa de trazer outro ponto de vista sobre a relação luta de classes vs movimentos identitários, Continue lendo “Luta de classes e “identitarismo”: Emocionados no reino da ignorância iluminada”

A Frente Única entre a lógica formal e dialética

Por Charles Rappoport, via Marxists.org, traduzido por Gabriel Landi Fazzio

O marxista franco-russo Charles Rappoport (1865-1941) foi membro do Partido Operário Social-Democrata Russo e, mais tarde, do Partido Comunista Francês. Autor de diversos escritos filosóficos (como “Materialismo e Idealismo em Kant”) e da mais completa biografia de Jean Jaurès (líder socialista francês), publicou o presente escrito sobre o título de “Uma Frente Única” em 10 de fevereiro de 1922, no Volume II, n. 11, no veículo da Internacional Comunista, “International Press Correspondence”. Continue lendo “A Frente Única entre a lógica formal e dialética”

Como o Ocidente entendeu errado o sistema de crédito social chinês

Por Louise Matsakis, via wired.com traduzido por Bruno Santana

O projeto propõe o estabelecimento de um esquema nacional para inspecionar a confiança dos cidadãos, empresas e oficiais do governo. O governo chinês e a mídia estatal afirmam que o projeto foi pensado para aumentar a confiança e enfrentar problemas como fraude corporativa e corrupção. Críticos ocidentais veem o crédito social no entanto, como um aparato de vigilância intruso para punir dissidentes e afligir à privacidade da população Continue lendo “Como o Ocidente entendeu errado o sistema de crédito social chinês”

“Economia Política para Trabalhadores”: resenha do livro de Sofia Manzano

Por Edmilson Costa, livro disponível em Editora Ciências Revolucionárias

As últimas três décadas foram marcadas pela hegemonia do pensamento único em todas as esferas da vida social, especialmente na área da economia. Retornou-se nesse período a um estatuto teórico do século XVIII fantasiado de modernidade, como o mercado regulador das atividades econômicas, sociais e políticas da humanidade, a retirada do Estado da economia, a desregulamentação financeira e das leis de proteção social, as privatizações do patrimônio público e o estímulo permanente a um individualismo doentio na sociedade.

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O paradoxo do autônomo, de novo

Por Alexandre Pimenta

Os mecanismos de dominação do Estado e do capitalismo possuem engrenagens o suficiente para não precisar colocar ilusões na cabeça dos dominados. A questão é antes saber qual esperança racional nós podemos ter de mudar de vida e de construir um outro mundo. Aquilo que mantém a submissão não é tanto a ignorância do que a dúvida sobre sua capacidade de mudar as coisas.

Jacques Rancière 

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Por uma Perspectiva Realmente Revolucionária e Não Reacionária Para o Movimento Negro

Por Vinicius Souza

A realidade possui uma diversidade de perspectivas para pensar suas principais características, é possível pensar a realidade, como Hegel, de maneira idealista se limitando somente ao campo das ideias ou como as teorias culturalistas sobre a libertação negra que se limitam a pensar em torno da construção de uma subjetividade existente nas pessoas negras por ligações ancestrais, literalmente mística.

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