O guia de sobrevivência da quarentena de Slavoj Žižek: prazeres culposos, Assassinos de Valhalla e finja que isso é apenas um jogo.

Por Slavoj Žižek, via RT, traduzido por Victor Pimentel

Para lidar com a pressão mental durante a pandemia de coronavírus, minha primeira regra é que esse não é o momento para buscar autenticidade espiritual. Sem qualquer constrangimento – assuma todos os pequenos rituais que estabilizam sua vida cotidiana. Continue lendo “O guia de sobrevivência da quarentena de Slavoj Žižek: prazeres culposos, Assassinos de Valhalla e finja que isso é apenas um jogo.”

Coronavírus em países pobres: o que a ciência geográfica tem a nos dizer?

Por Maiara de Proença Bernardino

Em países desiguais como o Brasil, o COVID-19 pode afetar drasticamente a vida daqueles que vivem em partes mais vulneráveis do território nacional. Continue lendo “Coronavírus em países pobres: o que a ciência geográfica tem a nos dizer?”

Depois de amanhã: o vírus que desperta ao econômico (?)

Por Phillipe Augusto Carvalho Campos

O Guy Debord continua sendo um farol pra esse mundo em que vivemos, seu diagnóstico fundamental é o de que nossas expressões são integralmente cópias de imagens. Como se, ao comprar uma calça, já tivéssemos feito a inferência sobre quem queremos ser, qual imagem queremos passar, ao vestir aquela calça – desnecessário dizer que esse exemplo serve muito melhor para as redes sociais e para mercadorias cuja escassez é programada (o IPhone é paradigmático). Continue lendo “Depois de amanhã: o vírus que desperta ao econômico (?)”

O monólogo do vírus

Por autor desconhecido, via lundimatin.am, traduzido por Pedro Pimenta

Queridos humanos, parem com os seus ridículos apelos à guerra. Parem de me lançar esses olhares de vingança. Desliguem a aura de terror com que embrulham o meu nome. Nós, os vírus, desde a origem bacteriana do mundo, somos o verdadeiro continuum da vida na Terra. Sem nós, vocês nunca teriam visto a luz do dia, e esta não teria visto nem mesmo a primeira célula. Continue lendo “O monólogo do vírus”

Uma esquerda que não respira ar puro

Por Thales Fonseca

Aqui, para entender este ponto, é interessante retomar brevemente a ideia de que a existência de uma esquerda comunista no Brasil não passa (infelizmente) de uma fantasia paranoica e cínica. Isso implica em afirmar que o bolsonarismo é, entre outras coisas, a expressão máxima da ideologia cínica em terras brasileiras, em que aqueles que ocupam o poder assimilam a estratégia da crítica, de modo que possam rir de si mesmo e neutralizar o poder dessa crítica. Isso fica claro quando Bolsonaro coloca um humorista para responder aos questionamentos sobre o PIB poucos dias depois de ser excessivamente parodiado no carnaval, levando a crítica carnavalizada à falência.

Continue lendo “Uma esquerda que não respira ar puro”

Weber, “A ética protestante e o espírito do capitalismo”

Por Amanda Freitas

O capitalismo, entendido como impulso para o ganho, para Weber, existiu em diferentes momentos e lugares. Já em sua forma moderna trouxe a novidade da organização racional do trabalho socialmente combinado, isto é, a busca sistemática e a organização racional dos meios para o fim do lucro. Ou seja, o ‘espírito’ do capitalismo moderno, fundamentado na busca planejada do lucro dentro dos moldes da empresa econômica, separada da economia doméstica, é o que fundamenta a organização do modo de produção do capitalismo ocidental moderno. Weber analisa não as atividades econômicas fundamentadas por este “espírito”, mas o ângulo da cultura e dos valores desta conduta da vida. Continue lendo “Weber, “A ética protestante e o espírito do capitalismo””

Sobre escalar uma grande montanha e o perigo do desânimo

Por Vladímir Ilich Uliánov, via marxists.org, traduzido por João Victor Oliveira e Gabriel Landi Fazzio

Publicado no Pravda, em fevereiro de 1922, sob o título “Notas de um Publicista: Sobre escalar uma grande montanha; O perigo do desânimo; A utilidade do comércio; Atitudes em direção ao Menchevismo, etc.” [1] Este artigo é reiteradamente citado por Slavoj Žižek, relembrando as palavras de Samuel Becket: “Tente mais uma vez. Fracasse mais uma vez. Fracasse melhor.” (vide o artigo: “A situação é catastrófica, mas não é grave”). Continue lendo “Sobre escalar uma grande montanha e o perigo do desânimo”

Comunismo global ou lei da selva, o coronavírus nos obriga a decidir

Por Slavoj Žižek, via RT, traduzido por Pedro Vannucchi e Thiago dos Santos Martiniuk

Conforme o pânico sobre o novo coronavírus se espalha, temos que fazer a escolha final — ou adotamos a lógica mais brutal da sobrevivência do mais apto ou algum tipo de comunismo reinventado com coordenação e colaboração global. Continue lendo “Comunismo global ou lei da selva, o coronavírus nos obriga a decidir”

Franz Fanon e Fela Kuti

Por Eduardo Bonzatto

Fanon foi um dos criadores da ideia de terceiro mundo e isso já seria suficiente para autenticar seu vínculo civilizador, uma vez que supõe uma luta para chegar ao primeiro. Sua crítica da descolonização, que desumaniza o colonizado para torná-lo um animal, foi igualmente limitada por sua formação. Queria uma nação heterogênea na formação das novas nações independentes. Mas não abria mão da civilização nem da nação, que são as características permanentes da colonização. Esse paradoxo é impossível de ser superado pela mentalidade colonial, pois o valor civilizatório é indiscutível e nele o valor da educação, da ciência, da família.

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Polícia, dominação de classe e o seu caráter irreformável

Por Arthur Moura

“A polícia é órgão imprescindível no controle das massas, sobretudo quando estas passam do estágio de meras reivindicações às ações pautadas na organização dos trabalhadores com o objetivo central de retomar o controle da produção ou simplesmente de construir algum tipo de autonomia independente do Estado e sua burocracia ou das relações de mercado.”

Continue lendo “Polícia, dominação de classe e o seu caráter irreformável”

Theotonio dos Santos e a teoria do fascismo dependente

Por Leonardo Godim

Surgido no seio da pequena-burguesia e do lumpesinato, o fascismo só se torna um movimento poderoso capaz de assumir o controle do Estado quando é apoiado pelo grande capital. Esse apoio se faz necessário em momentos históricos determinados e via de regra está ligado à necessidade de reprimir o movimento operário, seja pela iminência de um processo revolucionário ou como punição pela sua derrota na tentativa de tomada do poder. Continue lendo “Theotonio dos Santos e a teoria do fascismo dependente”

O terceiro período da ecologia soviética e a crise planetária

Por John Bellamy Foster, via Monthly Review, traduzido por Letícia Ferreira de Medeiros

A ecologia soviética apresenta um conjunto extraordinário de paradoxos históricos. Por um lado, a URSS nos anos de 1930 e 1940 expurgou de forma violenta vários de seus pensadores ecológicos principais e degradou seriamente seu meio ambiente na busca pela rápida expansão industrial. Continue lendo “O terceiro período da ecologia soviética e a crise planetária”

Kwame Nkrumah: o encontro de duas razões revolucionárias

Por Jones Manoel, prefácio à coletânea “Kwame Nrkumah – Escritos

“Nkrumah é um brilhante exemplo da capacidade do marxismo de ser uma arma crítica e emancipatória para todos os explorados e oprimidos, combinando – nunca é demais insistir: de forma crítica e criativa – as duas grandes razões revolucionárias da modernidade: marxismo e luta anticolonial. Uma prova prática, cabal, de como é uma besteira as ideologias que afirmam ser o marxismo uma “ideologia branca”, essencialmente eurocêntrico ou inadequado à compreensão de sociedades não-europeias.” Continue lendo “Kwame Nkrumah: o encontro de duas razões revolucionárias”

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