Um cheiro de perfume podre: paranoia, negação e militares

Por André Márcio

“O Brasil pandêmico tem um cheiro de perfume podre e todos nós sabemos de onde ele vem. Na verdade, esse cheiro está hoje disseminado por toda a nossa sociedade. Ele vem das valas comuns abertas para jogar os corpos produzidos pela ignorância do governo Bolsonaro. O mesmo cheiro vem dos corpos putrefatos nos hospitais e frigoríficos à espera dessas valas, pois sequer o reboque para levá-los dá conta da quantidade. O perfume podre vem dos corredores lotados de doentes miseráveis, moribundos, à espera que alguém saia da UTI, vivo ou morto.”

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O que acontece depois da meia noite? Reflexões sobre o Apocalipse

Por Pedro Mauad

“Ou seja, não temos o que perder, pois o que temos atualmente é o próprio apocalipse em seus desdobramentos. Trata-se, então, de criar e construir isso que pensamos estar em risco. Mediante nosso esforço em salvar a humanidade podemos criar, pela primeira vez, uma humanidade de fato a ser salva, já que é somente por meio dessa ameaça de extinção que nos tornamos capazes de vislumbrar uma humanidade unificada a partir de sua própria inconsistência.”

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Metodologia para a Organização do Processo Educativo

Por Anton Makarenko, via Domínio Público, publicado originalmente em 1936

” O tom maior na coletividade deve ter um aspecto muito calmo e firme. Isto é, antes de mais nada, a manifestação da serenidade interior confiante nas suas forças próprias, nas forças de toda a coletividade e no seu futuro. Este firme tom maior deve adquirir o aspecto de um ânimo constante, da prontidão para a ação, não para uma ação de simples correria, de alterações desnecessárias, não para uma ação desordenada, mas para uma ação calma e enérgica e, ao mesmo tempo, um movimento econômico.”

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Contra a globalização perversa: uma outra globalização expressa pela classe popular

Por Maiara de Proença Bernardino

“Seguindo o pensamento do professor Milton Santos, embasado por teorias de Ortega y Gasset, o mundo atual da globalização, também permitiu uma mistura de diferentes povos em determinados pontos do espaço. Fazendo-nos pensar não somente nas perversidades causadas pelas variáveis da globalização, mas, também, nas possibilidades a partir da apropriação da técnica, da ciência e da informação por grupos antes considerados subalternos.”

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O neoliberalismo não se extingue por decreto – Notas sobre o caso do México

Por Manuel Vega Z., via Revista Rosa, traduzido por Daniel Fabre

“Vivemos em um estado neoliberal, com um direito neoliberal e isso não mudou. O neoliberalismo não se foi e ainda está para ser destruído. Se não conseguirmos diferenciar entre a forma política capitalista como a relação social hegemônica que impulsiona a reprodução social do capital, e o simples regime político que por sua vez administra essa forma política, não seremos capazes de entrar no coração do capitalismo e nossa luta contra o neoliberalismo será apenas superficial.” Continue lendo “O neoliberalismo não se extingue por decreto – Notas sobre o caso do México”

O “Que” de “Que fazer”

Por Louis Althusser, via Cem Flores

“Como o próprio título indica, nessa ocasião, o autor buscou ratificar a relevância teórica e política da “velha pergunta de Lênin” para a classe operária em sua luta, tanto em sua dimensão mais imediata, tática, quanto em sua dimensão de longo prazo, estratégica. Tal pergunta, que surge no fogo da ação, da participação direta na luta de classes de um período, nos leva diretamente ao que o revolucionário russo chamou de “alma viva” do marxismo: a análise concreta da situação concreta.”

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A institucionalização pós-revolucionária e a Constituição mexicana de 1917

Por Mariana Varandas Lazzari, publicado originalmente em Revista de História da UEG

A partir da discussão em torno do conceito de tirania, busca-se trazer à tona a questão da legalidade como ferramenta para expor as contradições do novo Estado mexicano e a correlação de forças que se deixa entrever nessa formação. Em um segundo momento, recorre-se à comparação entre artigos constitucionais anteriores e posteriores à reforma constitucional de modo a expor como a institucionalização e a correlação de forças apresentadas estão plasmadas no documento. Continue lendo “A institucionalização pós-revolucionária e a Constituição mexicana de 1917”

O problema com a Jacobin no Brasil

Por Lise Ma

A revista Jacobin e sua filial brasileira são projetos na linha do que pode se considerar um renascimento/redescobrimento do Marxismo, direcionados à conscientização das classes médias sobre a extensão das grandes desigualdades atuais. Na prática, a revista soa mais como uma convocação à classes médias ascendentes (ou, aspirantes às mesmas) à liderança no processo de conscientização da classe trabalhadora. Continue lendo “O problema com a Jacobin no Brasil”

A esquerda deve temer a ruína? Notas sobre a crise da democracia no Brasil

Por Thales Fonseca (Doutorando em Psicologia pela UFSJ)

Trata-se de tentar traçar um breve percurso que vai desde a instauração da chamada Nova República, com a promulgação da constituição de 1988, passando por momentos de relativa harmonia social a partir de meados da década de 1990 e na primeira década dos anos 2000, chegando, enfim, às manifestações de profunda insatisfação popular em 2013, que parecem ter se configurado como um preâmbulo do que hoje se apresenta como uma profunda crise de nosso sistema democrático.  Continue lendo “A esquerda deve temer a ruína? Notas sobre a crise da democracia no Brasil”

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