O problema com a Jacobin no Brasil

Por Lise Ma

A revista Jacobin e sua filial brasileira são projetos na linha do que pode se considerar um renascimento/redescobrimento do Marxismo, direcionados à conscientização das classes médias sobre a extensão das grandes desigualdades atuais. Na prática, a revista soa mais como uma convocação à classes médias ascendentes (ou, aspirantes às mesmas) à liderança no processo de conscientização da classe trabalhadora. Continue lendo “O problema com a Jacobin no Brasil”

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A esquerda deve temer a ruína? Notas sobre a crise da democracia no Brasil

Por Thales Fonseca (Doutorando em Psicologia pela UFSJ)

Trata-se de tentar traçar um breve percurso que vai desde a instauração da chamada Nova República, com a promulgação da constituição de 1988, passando por momentos de relativa harmonia social a partir de meados da década de 1990 e na primeira década dos anos 2000, chegando, enfim, às manifestações de profunda insatisfação popular em 2013, que parecem ter se configurado como um preâmbulo do que hoje se apresenta como uma profunda crise de nosso sistema democrático.  Continue lendo “A esquerda deve temer a ruína? Notas sobre a crise da democracia no Brasil”

A classe média, a miopia do reformismo e clareza de Thalheimer

Por Fernando Savella

Em um restaurante, a proprietária, já idosa, cobra de suas funcionárias algumas tarefas que deixaram de ser feitas. Conjectura acerca de outras coisas que, apesar de terem sido feitas, desconfia que foi com desleixo. “É assim que vocês fazem quando eu não estou aqui.” “Não é?” – inquisitiva sobre uma funcionária alheia às críticas. Continue lendo “A classe média, a miopia do reformismo e clareza de Thalheimer”

“A extrema direita está conseguindo novamente apelar aos símbolos identitários mais primitivos”

Por Jacques Ranciére e Federico Galende, via Verso Books, traduzido por Aukai Leisner

Alguns dias atrás, Jacques Ranciére (75) estava no Chile, a convite do reitor da Universidade de Valparaíso, que lhe concedeu um Doutorado Honoris Causa. Na tarde em que ele iria embora, visitei-o em seu hotel em nome do TheClinic e tivemos uma longa conversa, sem orientação definida, o que permitiu ao filósofo falar sobre um grande número de questões Continue lendo ““A extrema direita está conseguindo novamente apelar aos símbolos identitários mais primitivos””

A próxima revolução política será pelo controle dos algoritmos

Por Cathy O’Neil, via Eldiario, traduzido por Bernardo Neves

Palavra de Deus. Por mandato real. É a economia, estúpido. A história oferece constantemente exemplos de como as pessoas recorrem ao mito da autoridade superior para revestir nossas decisões com uma suposta justiça objetiva. Para Cathy O’Neil, os algoritmos são o próximo mito dessa lista. Continue lendo “A próxima revolução política será pelo controle dos algoritmos”

A dor para além da dor: o sofrimento como criador de vínculos políticos

Heribaldo Maia, Graduando em História UFPE

No Brasil a crise, não o progresso, se tornou ordem, e em nome dela se faz as maiores barbaridades. Com o golpe que alçou ao poder os setores mais antipopulares, um retrocesso na vida do povo que corrói as chances de vida de milhões ocorre de forma, agora, acelerada: é recorde de desemprego, milhões de pessoas sem moradia, perda de direitos históricos, desmonte do pouco que sobrou do patrimônio nacional, chantagem militar, apologia política do judiciário e extermínio de militantes.  Continue lendo “A dor para além da dor: o sofrimento como criador de vínculos políticos”

Por uma refundação radical da Europa

Por Étienne Balibar, via Verso Books, traduzido por Daniel Alves Teixeira

Desde o início da era moderna até meados do século XX, a Europa impôs seu domínio sobre todo o planeta. Foi disso que ela tirou a sua riqueza, e foi assim que ela colocou as bases da sua civilização. Mas a Europa é hoje “provincializada”, ou mais precisamente, ela tomou um lugar na semi-periferia da economia e da história mundial.  Continue lendo “Por uma refundação radical da Europa”

2016, o ano que não terminou

Por Douglas Rodrigues Barros

Sócrates ao conversar com Êutifron às portas do edifício do arconte-rei nos deixou uma importante lição: a impossibilidade de medir uma ação a partir da conjuntura imediata. Quem conhece o belíssimo texto platônico sabe que, malandramente, Êutifron, depois de se deixar envolver pela maiêutica, se cansa e interrompe o diálogo com as singelas palavras: “agora estou com pressa e está na hora de me retirar Continue lendo…

Nós não, Eu.

Por Jodi Dean, via Verso Books, traduzido por Anna e Oleg Savitskaia

Desde a vitória de Trump sobre Hillary Clinton nas eleições presidências dos Estados Unidos, os comentários liberais têm se preocupado obsessivamente com o problema da política de identidade. Igual à língua que toca incessantemente no dente dolorido, essa preocupação localiza o problema, mas não o aborda. Continue lendo…

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