A Questão Racial e a Geografia-estatística no Brasil

Por Giovani Damico

A sociedade brasileira, enquanto sociedade de histórico colonial e um presente marcado por um capitalismo maduro (e doentio), tem a sociabilidade de sua população atravessada pela questão racial e ao mesmo tempo por problemas de desigualdade intrínsecos ao capitalismo. As contradições sociais no Brasil atravessam assim condicionantes étnico-raciais, de gênero, de identidade sexual, bem como gritantes contradições de classe, que se intercruzam com as contradições socioespaciais. Continue lendo “A Questão Racial e a Geografia-estatística no Brasil”

Prolegomena a uma demonologia do capitalismo

Por Ian Wright, via Dark Marxism, traduzido por Rodrigo Gonsalves

Todos os dias, milhões de trabalhadores em todo o mundo não têm escolha a não ser sacrificar seu tempo, sua vitalidade para produzir novos lucros para os controladores demoníacos. Tomemos outro exemplo: a lógica do capital exige a extração máxima de lucros das empresas, e isso significa minimizar os salários. Os servos do capital – os cavaleiros, duques, príncipes e as legiões que eles comandam – são bem recompensados ​​com uma abundância de luxos. Mas aqueles sem capital são reduzidos a meros componentes geradores de valor. Os possuídos pelo capital vivem uma existência exaltada. Mas os despossuídos devem alimentar, vestir e manter uma casa com uma renda média de cerca de 7 libras por dia.

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Pensamentos sobre marxismo e Estado

Por David McNally, via Historical Materialism, traduzido por Moisés João Rech

Torna-se claro que a crítica de Marx ao Estado é mais uma vez desagradável em muitas partes da esquerda. Muitas vezes esse desagrado disfarça a acomodação política indiscriminada ao Estado-nação (por exemplo, com aqueles na esquerda que se opõem a pedidos pela abertura das fronteiras e contrabandeando algum tipo de argumento ostensivo de “esquerda” para controles migratórios “mais agradáveis”). Continue lendo “Pensamentos sobre marxismo e Estado”

A Questão do Fascismo

Por Agustín Cueva, traduzido por Fernando Savella a partir da versão publicada originalmente em Revista Mexicana de Sociología, Vol. 39, No. 2 .Apr. – Jun., 1977, pp. 469-480. 

Quanto ao outro aspecto definidor do fascismo, ou seja, o fato de que a ditadura terrorista do capital monopolista se exerce fundamentalmente contra a classe operária, também parece difícil de impugnar. Em primeiro lugar, um conjunto de fatos políticos que saltam à vista. Tanto o golpe de Estado de Banzer em 1971 como o de Pinochet dois anos mais tarde, foram a culminação de ações contrarrevolucionárias dirigidas centralmente contra forças proletárias que através de processos políticos conseguiram articular alternativas socialistas.
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Qual é a diferença entre Hegel e Marx?

Por Andy Blunden, via Ethical Politics, traduzido por João Narciso

Durante meus estudos acerca de lógica em Hegel cheguei até os textos de Andy Blunden que me abriram um novo horizonte teórico; a forma como ele trata temas complexos e, também, por ser da área de ciências exatas como eu, me aproximaram bastante da sua linguagem e pensamento. No mais, resolvi traduzir este texto em específico pois creio que seja uma leitura de introdução à Hegel interessante para quem já atua em movimentos sociais e luta objetivamente por mudanças aqui no Brasil. Continue lendo “Qual é a diferença entre Hegel e Marx?”

Sobre a Guerra de Guerrilha

Por Ho Chi Minh, via lesmaterialistes.com, traduzido por Mario Matos

Transcrição de um discurso de Ho Chi Minh, no mês de julho do ano de 1952. No discurso, Ho remete à revolução de agosto de 1945, quando o Viet Minh (liga pela independência do Vietnam), força revolucionária organizada para libertação nacional, conseguiu forçar a destituição do imperador Bao Dai, fantoche controlado pelo imperialismo francês, o que resultou na independência do Vietnam. Continue lendo “Sobre a Guerra de Guerrilha”

Nossa luta para derrotar o governo fascista em meio ao avanço das contradições interimperialistas

Por Leonardo Péricles e Wanderson Pinheiro*

Em uma recente sequência cinematográfica, cada vez mais medíocre, se fantasia sobre a possibilidade de um mundo em que uma raça de macacos “hominizados” tomaria o lugar do atual “homo sapiens”, relegado então a um neoselvagismo primitivo. [1] A causa desse hipotético transtorno o constituiria como um desdobramento da agressividade humana, uma falta de controle sobre os recursos técnicos e, portanto, uma irresponsável autodestruição do gênero humano. Continue lendo “Nossa luta para derrotar o governo fascista em meio ao avanço das contradições interimperialistas”

O que significa ser militante?

Aqui há uma profunda lição hegeliana: o que fica acentuado no palco trágico da vida é que o abismo existente, aquilo que nos separa e nos distancia do Outro, aquela ilusão que temos a respeito de uma pessoa que supostamente se encaixa naquilo que acreditamos, aquilo que me separa de você e do mundo, quando observado… (Inaudível no áudio), quando descubro que nada do que acredito ser, é aquilo que eu acredito ser, essa descoberta, para muitos dolorosa, se constitui como verdade. É a negação daquilo que acreditamos ser, o que constitui o que somos – como deixa evidente as lições de Fanon. E para nos projetarmos nessa negação é preciso negar aquilo que nos nega, ou seja, tornar indiferente as diferenças que me separam do outro, apreendendo-as na sua efetividade… Continue lendo “O que significa ser militante?”

Identidade Zero

Por Robert Kurz

Texto publicado já em 1994, mas que mantém hoje toda a atualidade, face aos novos movimentos populistas de direita e neo-fascistas, bem como à crescente mania da identidade. Kurz esboça as razões por que, na Modernidade, surge e se impõe às pessoas algo como a “identidade”, seja ela nacional ou cultural. Continue lendo “Identidade Zero”

A resistência na carne: aborto, capitalismo e a colonização do corpo feminino

Por Emilly Saas

A problemática do aborto que persiste, sobretudo, nos movimentos de mulheres e feministas tem carregado diversos aspectos legítimos e essenciais no debate; argumentações do Direito, da Psicologia, da Antropologia, das Ciências da Saúde animam a discussão para lembrar que sua criminalização é, na verdade, a criminalização da mulher, cuja classe social nos parece evidente. Continue lendo “A resistência na carne: aborto, capitalismo e a colonização do corpo feminino”

O Marxismo e a Questão Animal

Por Maila Costa

Se os animais, por não serem humanos, não fazem parte da nossa classe, também não fazem parte da classe dominante, e possuem muito mais em comum conosco do que com eles, seja em relação à exploração, à privação de liberdade ou à comoditização. A moral comunista, como desenvolvimento da moral proletária vislumbrada por Engels, só poderá ser construída com base na rejeição a todas as formas de opressão, portanto, consideradas as relações de produção presentes, devemos rejeitar a exploração animal, incorporando a luta por sua libertação à luta por emancipação humana, uma vez que não há justificativa, que não no moralismo burguês, para a aplicação industrial do sofrimento.

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Chasin entra em ação: crítica à “ontonegatividade da política”

Por Fernando Savella

Marx desafia Hegel: o Estado, ao invés de ser a expressão do Espírito e superação ideal das contradições da sociedade civil, é na verdade um instrumento da classe dominante que apenas simula o alcance de uma “universalidade” e racionalidade. Desde a “Introdução à Crítica” até o canônico “Caráter fetichista da mercadoria e seu segredo”, n’O Capital, esta foi a constante da obra de Marx e da tradição teórica e política que o seguiu: o Estado burguês, bem como toda superestrutura ideal que erige das relações de produção capitalistas, se caracteriza pela afirmação das relações abstratas no lugar das relações concretas.

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Marx contra Keynes

Por John Eaton

Não foi revisto o texto da presente edição de Marx contra Keynes escrito em 1950. Por isso, acolho esta oportunidade para focalizar alguns pontos do original que exigem certo reexame, segundo creio agora. Em particular, há tendência para tratar toda a questão da teoria da crise de uma forma que lembra a teoria do subconsumo, Continue lendo “Marx contra Keynes”

A verdadeira e a falsa ontologia na fenomenologia de Berger e Luckmann

Por Germano Rama Molardi 

A obra resenhada, Modernismo, pluralismo e crise de sentido é produto do trabalho conjunto de um austríaco e de um esloveno que se conhecem a partir do momento em que se mudam para os Estados Unidos, onde vão ser colegas no curso de pós-graduação da New School for Social Research, onde também foram professores. A parceria engendra a escrita de um livro importante para a sociologia do conhecimento, como é o caso de A construção social da realidade.

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Confundindo pedagogia e política: Marx e Lenin sobre a educação revolucionária do proletariado

Por Gabriel Landi Fazzio

“Nihil humani a me alienum puto”. Em latim: “Nada humano me é alheio”. Segundo as filhas de Marx, a máxima favorita do pai. (MARX, 1956)

“20. Nossa tarefa mais importante antes do levante revolucionário declarado é a propaganda e a agitação revolucionária.” (III INTERNACIONAL COMUNISTA, 2008) Continue lendo “Confundindo pedagogia e política: Marx e Lenin sobre a educação revolucionária do proletariado”

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