Kafkiano: a condenação precede os autos do processo

Por William José da Silva

“O processo penal brasileiro materializou no realismo de Franz Kafka. Ler atentamente uma sentença condenatória é adentrar o campo do realismo esquizofrênico e se deparar com os tormentos do Josef K. n’O processo. Continue lendo “Kafkiano: a condenação precede os autos do processo”

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Sobre as eleições presidenciais de 20 de maio na Venezuela

Por Sonia Boueiri, traduzido por Daniel Fabre

Professora venezuelana analisa as eleições presidenciais passadas e aponta as inconsistências do discurso “abstencionista” da oposição. O pleito foi, na verdade, uma grande manifestação por mudanças econômicas e demonstrou que a direita venezuelana perdeu seu “melhor momento eleitoral”. Continue lendo “Sobre as eleições presidenciais de 20 de maio na Venezuela”

Walter Benjamin e a verdadeira urbanização da hermenêutica

Por Luis Eduardo Gomes do Nascimento, em memória de minha Avó Aurelina, que não conheceu a escrita, mas lia o mundo.

Em debate com Gadamer, Habermas afirmou que o projeto de Gadamer pode ser caracterizado como a urbanização hermenêutica de Heidegger. É verdade que as metáforas de Heidegger originam-se do campo; mas, para além de uma frase simpática lançada num debate harmonioso, tem sentido falar em urbanização da hermenêutica em Gadamer?  Continue lendo “Walter Benjamin e a verdadeira urbanização da hermenêutica”

A Revolução Russa e a (não) superação da formas sociais capitalistas

Por Cláudio Rennó

“Retomar, por fim, a radicalidade política dessa crítica de Pachukanis – que, por um lado, não nos permite qualquer otimismo ingênuo (vez que retira do direito qualquer esperança e do jurista qualquer protagonismo), mas, ao mesmo tempo, recoloca-os em nosso campo de batalha, Continue lendo “A Revolução Russa e a (não) superação da formas sociais capitalistas”

Um Grande Despertar e seus perigos

Por Slavoj Žižek, via The Philosophical Salon, traduzido por Oleg Savitskii e Anna Savitskaia.

Em 7 de novembro de 2017, Judith Butler ajudou a organizar uma conferência em São Paulo. Embora o nome da conferência tenha sido “Os Fins da Democracia” e, portanto, não tenha tido nada a ver com o tema de transgênero, uma multidão de manifestantes de direita se reuniu do lado de fora do local do evento, Continue lendo “Um Grande Despertar e seus perigos”

Lênin sabia que a revolução não aconteceria da noite para o dia – devemos ter isso em mente hoje em dia quando o capitalismo está nos deixando na mão.

Por Slavoj Žižek, via Independent, traduzido por traduzido por Oleg Savitskii e Anna Savitskaia.

Talvez, o maior feito de Lênin foi silenciosamente abrir mão da noção de revolução do marxismo ortodoxo como um passo necessário no progresso histórico. Em vez disso, ele seguiu a percepção de Louis Antoine Saint-Just de que o revolucionário é como um marinheiro que navega em territórios desconhecidos.       Continue lendo “Lênin sabia que a revolução não aconteceria da noite para o dia – devemos ter isso em mente hoje em dia quando o capitalismo está nos deixando na mão.”

Ser, evento, sujeito: o sistema de Alain Badiou

Por Alain Badiou, traduzido por Daniel Fabre

Após mais de trinta anos de sua primeira edição, o Ser e o Evento de Alain Badiou segue sendo um dos mais importantes e controversos livros de filosofia contemporânea. Abaixo, o prefácio do autor à primeira edição inglesa, onde faz um importante balanço da repercussão de seu livro até então (2005) e uma breve síntese de suas principais motivações e teses. Continue lendo “Ser, evento, sujeito: o sistema de Alain Badiou”

Arte como desvão dialético entre o homem e a História – Considerações sobre o filme “Only Lovers Left Alive” de Jim Jarmusch

Por Marcia Fontes, Mestre em filosofia pela UNICAMP e professora no IFS

Como toda obra alegórica, Only Lovers Left Alive (2014) de Jim Jarmusch é uma obra aberta em sua potência e significados. O diretor se apropria da temática de filme de vampiro muito mais pela ideia de como estes seres podem representar o espelho de nossa condição do que propriamente para mergulhar num específico cinema de gênero.  Continue lendo “Arte como desvão dialético entre o homem e a História – Considerações sobre o filme “Only Lovers Left Alive” de Jim Jarmusch”

‘O jovem Karl Marx’ de Raoul Peck (2017): o homem que mudou o mundo

Por Heribaldo Maia, graduando em História Licenciatura pela UFPE e militante da União da Juventude Comunista.

Poderia começar esse texto problematizando as formas do capitalismo censurar o filme recém lançado: O jovem Karl Marx (2017), do diretor haitiano Raoul Peck. Ou entrar num debate sobre o pensamento marxiano. Porém o filme – que expôs de forma didática pontos centrais da obra do jovem Marx (e Engels), inseriu importantes momentos da história da luta dos trabalhadores e envolveu diversos personagens da história como Proudhon, Bakunin, Bauer, etc –, apontou outro aspecto que é fundamental e que me chamou atenção (principalmente num momento em que o nome de Marx é imediatamente associado ao de um “demônio mítico que criou um exército de doutrinadores): o homem por trás do gigante pensador que foi Karl Marx. Continue lendo “‘O jovem Karl Marx’ de Raoul Peck (2017): o homem que mudou o mundo”

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