Cinco Dificuldades no Escrever a Verdade

Por Bertolt Brecht via marxist.org, tradução de Florian Geyer.

O pensamento não é mais cultivado. E, quando é cultivado, termina sendo perseguido. Mesmo assim, sempre existem campos nos quais, sem perigo de ser apanhado, pode-se exercer com êxito o pensamento; são os campos nos quais até as ditaduras necessitam do pensamento. Pode-se provar os êxitos do pensamento nos campos da ciência militar e da técnica.

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De como não ler Marx ou o Marx de Sousa Santos

Por José Paulo Netto, via ODiário.info

Boaventura Sousa Santos, um sociólogo erudito e prolixo, cultiva uma imagem progressista fundamentalmente enganadora. A sua influência suporta-se em retórica em circuito fechado no seio acadêmico, e em suposta sabedoria transcendente na arena do circuito dos movimentos sociais. Neste ensaio, o comunista brasileiro José Paulo Netto arranca-lhe a máscara. Continue lendo “De como não ler Marx ou o Marx de Sousa Santos”

Identidade Zero

Por Robert Kurz

Texto publicado já em 1994, mas que mantém hoje toda a atualidade, face aos novos movimentos populistas de direita e neo-fascistas, bem como à crescente mania da identidade. Kurz esboça as razões por que, na Modernidade, surge e se impõe às pessoas algo como a “identidade”, seja ela nacional ou cultural. Continue lendo “Identidade Zero”

A idealização da miséria e o esvaziamento político da violência em Bacurau

Por Rodolpho F. Borges

“Mas é claro: os democratas acreditam no toque das trombetas que fez ruir as muralhas de Jericó[1]. E toda vez que se deparam com os muros do despotismo, procuram imitar aquele milagre.”[2]

Não podemos cobrar de “Bacurau” uma explicação nem compromisso de expressar a realidade, mas uma alegoria, apesar disso, pode construir seus significados de maneira profunda, estabelecendo uma posição crítica sujeita a interpretações em contraposição à exposição de uma narrativa uníssona. Continue lendo “A idealização da miséria e o esvaziamento político da violência em Bacurau”

Neoliberalismo, sincronicidades entre triunfos e ocasos

Por Eduardo Bonzatto

“É um estranho desejo, desejar o poder e perder a liberdade.” (Francis Bacon)

Entender o neoliberalismo é uma tarefa que envolve alguma coisa de história, de economia, de política, de ideologia e de psicologia, na medida em que seu tempo histórico congrega linhas difusas que percorreram estranhos caminhos morais. Continue lendo “Neoliberalismo, sincronicidades entre triunfos e ocasos”

A institucionalização pós-revolucionária e a Constituição mexicana de 1917

Por Mariana Varandas Lazzari, publicado originalmente em Revista de História da UEG

A partir da discussão em torno do conceito de tirania, busca-se trazer à tona a questão da legalidade como ferramenta para expor as contradições do novo Estado mexicano e a correlação de forças que se deixa entrever nessa formação. Em um segundo momento, recorre-se à comparação entre artigos constitucionais anteriores e posteriores à reforma constitucional de modo a expor como a institucionalização e a correlação de forças apresentadas estão plasmadas no documento. Continue lendo “A institucionalização pós-revolucionária e a Constituição mexicana de 1917”

Tecnologias e Educação: uma reflexão crítica

Por Thiago Oliveira* 

Quando se fala de educação em tempos de sociedade tecnológica deve-se tomar cuidado para não cair em um maniqueísmo ou em um negacionismo. Não se está criticando a tecnologia em si, mas o uso que se faz dela, o modo como ela é produzida e controlada e o modo como se pretende aplica-la na educação para reproduzir um conformismo à ordem social vigente. 

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Mariátegui e as táticas de frente única

Por Soraia de Carvalho e Jórissa Danilla N. Aguiar, via Lutas Sociais

As formulações do marxista peruano José Carlos Mariátegui são destacadas por sua criatividade no trato da questão indígena, da defesa da independência política do proletariado, entendido como direção das massas oprimidas. Desenvolveu sua elaboração teórica e seus intentos organizativos em um período de enrijecimento do debate político na Internacional Comunista. Neste artigo, delineamos como o Amauta trouxe para sua prática política as táticas de Frente Única Proletária e Frente Única Antiimperialista. Continue lendo “Mariátegui e as táticas de frente única”

A resistência na carne: aborto, capitalismo e a colonização do corpo feminino

Por Emilly Saas

A problemática do aborto que persiste, sobretudo, nos movimentos de mulheres e feministas tem carregado diversos aspectos legítimos e essenciais no debate; argumentações do Direito, da Psicologia, da Antropologia, das Ciências da Saúde animam a discussão para lembrar que sua criminalização é, na verdade, a criminalização da mulher, cuja classe social nos parece evidente. Continue lendo “A resistência na carne: aborto, capitalismo e a colonização do corpo feminino”

O Retorno do Político

Por Jorge Alemán, via Pagina 12, traduzido por Thales Fonseca

Em primeiro lugar, o título “O retorno do político”, já de entrada, dá a entender que o político parece ser algo que não está sempre presente, que não está aí, que não se apresenta a nós como algo estável, firme e consolidado. Se falamos da volta ou do retorno do político, quer dizer que o político pode ser evitado, reprimido, cancelado, esquecido, por isso para tratar este tema vou me valer da distinção entre o político e a política, e vou me referir a essa distinção clássica através dos percursos teóricos aos quais me sinto envolvido e preocupado.

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O cristal vermelho – sobre o realismo de Thiago Cervan

Por Carlos Eduardo Carneiro*

Thiago Cervan sabe que cumprir a função de intelectual não é um dom, é fruto da superprodução de valores de uso da indústria capitalista e que ele, oriundo da periferia do ABC paulista, é uma das exceções que conseguiram, devido à inúmeras circunstâncias de vida, livrar-se da condição de exército reserva de trabalhadores imediatamente desempregados e adentrar nas relações sociais dos artistas, professores e outros intelectuais. Cervan é um assalariado não-proletário, ganha seu salário exercendo a função social de intelectual: é professor, palestrante, escritor.

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Unidade e ação do povo organizado, poder popular e aprofundamento da democracia

Por Salvador Allende, via Marxists.org, traduzido por Thales Fonseca

Trecho do “Programa básico de la Unidad Popular” apresentado à consideração do povo chileno no dia 17 de dezembro de 1969, pouco menos de um ano antes da eleição de Salvador Allende no Chile, primeiro marxista a ser eleito democraticamente como presidente da república e chefe de estado no continente americano. Continue lendo “Unidade e ação do povo organizado, poder popular e aprofundamento da democracia”

O que é a Organização Política?

Por Alain Badiou, traduzido por Diogo Fagundes*

Dizemos primeiro: que a situação é pior em outro lugar é realmente apenas um argumento para tolos ou preguiçosos. Pois isso não impede que seja muito ruim aqui, e que seja absolutamente necessário alterar isso. E que em outros lugares existam ditaduras ferozes não prova que haja “democracia” aqui. Mais tarde demonstraremos que esse não é o caso. Para dizer que a França hoje é um país democrático, precisamos de uma ideia muito fraca e muito baixa de democracia. Uma ideia que não tem nada a ver com o pensamento político do povo.

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Regionalismo Crítico e Soberania Cultural – Notas sobre a Nova Arquitetura Andina

Por Bruno Santana

A cultura popular é um fantasma que assombra a teoria estetizante, historicista e desenvolvimentista da intelectualidade das artes, repercutindo em ruídos e olhares tortos as experiências que articulam a produção de uma contra-hegemonia na indústria cultural com um projeto popular de desenvolvimento nacional. Continue lendo “Regionalismo Crítico e Soberania Cultural – Notas sobre a Nova Arquitetura Andina”

Cracolândia na Maré. A vida e o uso de crack no Rio de Janeiro

Por Hannah Vasconcellos e Mirna Wabi-Sabi

Estamos no Complexo da Maré, favela da região norte do Rio de Janeiro. Um lugar de absurdos e potências, onde histórias costuradas entre si formam parte da história da cidade do Rio de Janeiro, do Brasil e do mundo. Lá, é escancarado o que a sociedade, em um misto de confusão e vergonha de si mesma, tenta esconder. Continue lendo “Cracolândia na Maré. A vida e o uso de crack no Rio de Janeiro”

Amor e ódio: Uma unidade de diversos no espirito revolucionário

Por Caique de Oliveira Sobreira Cruz[1]

Nesta sociedade fraturada em duas grandes classes, capital e trabalho, onde os capitalistas exploram e oprimem o povo, não podemos devolver o ódio da classe burguesa contra os despossuídos com a resignação, ou seremos atropelados, esmagados. O ódio aos exploradores é um meio de defesa contra as injustiças desta sociabilidade desigual, engendrada pelo sistema capitalista. Continue lendo “Amor e ódio: Uma unidade de diversos no espirito revolucionário”

O Capital é Masculino

Por Wilton Cardoso*

Com o desenvolvimento do capitalismo na segunda metade do século XX, os próprios trabalhadores devem se tornar também competitivos no mercado. A educação no mundo capitalista visa, em alguma medida, a cidadania, mas na maior parte se trata de uma preparação para o mundo impiedoso do mercado, para se tornar um profissional qualificado que consiga ser bem remunerado. Cada vez mais o trabalhador se torna um capital individual em concorrência com seus pares. As mudanças legislativas em favor da desregulamentação do trabalho, ao mesmo tempo reconhecem e reforçam tais tendências de hiper-individualização competitiva do trabalho.

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A China regrediu ao capitalismo? Reflexões sobre a transição do capitalismo para o socialismo

Por Domenico Losurdo, via medium.com, traduzido por Matheus Silva

Hoje em dia é comum falar sobre a restauração do capitalismo na China como resultado da Reforma e Abertura de Deng Xiaoping. Mas qual é a base desse julgamento? Existe algum tipo de socialismo que pode ser comparado com a realidade da atual situação socioeconômica na China hoje? Continue lendo “A China regrediu ao capitalismo? Reflexões sobre a transição do capitalismo para o socialismo”

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