Onde está a quebra? Marx, Lacan, Capitalismo e Ecologia

Por Slavoj Žižek, via The Philosophical Salon, traduzido por Daniel Alves Teixeira

Quando, décadas atrás, a ecologia surgiu como uma questão teórica e prática crucial, muitos marxistas (assim como críticos do Marxismo) notaram que a natureza – mais precisamente, o exato status ontológico da natureza – é o único tópico em que até o materialismo dialético mais grosseiro possui uma vantagem sobre o Marxismo Ocidental. Continue lendo “Onde está a quebra? Marx, Lacan, Capitalismo e Ecologia”

A Luta de Classes e a Escravidão Racial: A Invenção da Raça Branca

Por Theodore W. Allen, traduzido por Bruno Santana. Via Read Settlers

“A burguesia latifundiária anglo-americana do século XVII desenhou a linha de separação entre a liberdade e a escravidão, uma linha pautada na cor da pele que não existiu antes durante a lei Inglesa.”

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As Eleições da Assembleia Constituinte e a ditadura do proletariado

Por Vladimir Ilitch “Lenin” Ulyanov, via Marxists.org, traduzido por Rodri Villa

O simpósio lançado pelos socialistas-revolucionários, ‘Um ano da revolução russa’. 1917-18 (Moscou, editores de Terra e Liberdade, 1918) contém um artigo extremamente interessante de N. V. Svyatitsky: “Resultados das eleições na Assembleia Constituinte de toda a Rússia (Prefácio)”. O autor fornece os retornos para 54 circunscrições eleitorais do total de 79. Continue lendo “As Eleições da Assembleia Constituinte e a ditadura do proletariado”

Poesia Marginal e resistência cultural no Brasil dos anos de chumbo

Por Bárbara Pinheiro Baptista

Tendo iniciado no começo de abril do ano de 1964, a ditadura civil-militar se estabeleceu no Brasil a partir de um golpe aplicado por grupos pertencentes às Forças Armadas e contando com amplo apoio da sociedade civil, assim como setores pertencentes a associações industriais, grupos financeiros, proprietários de terra e indivíduos ligados à Igreja.  Continue lendo “Poesia Marginal e resistência cultural no Brasil dos anos de chumbo”

O que significa ser militante?

Aqui há uma profunda lição hegeliana: o que fica acentuado no palco trágico da vida é que o abismo existente, aquilo que nos separa e nos distancia do Outro, aquela ilusão que temos a respeito de uma pessoa que supostamente se encaixa naquilo que acreditamos, aquilo que me separa de você e do mundo, quando observado… (Inaudível no áudio), quando descubro que nada do que acredito ser, é aquilo que eu acredito ser, essa descoberta, para muitos dolorosa, se constitui como verdade. É a negação daquilo que acreditamos ser, o que constitui o que somos – como deixa evidente as lições de Fanon. E para nos projetarmos nessa negação é preciso negar aquilo que nos nega, ou seja, tornar indiferente as diferenças que me separam do outro, apreendendo-as na sua efetividade… Continue lendo “O que significa ser militante?”

As origens britânicas do Estado de Israel: o sionismo e as disputas imperialistas no Oriente Médio

Por Camarada Guerra

O presente artigo busca compreender as raízes histórico-políticas do sionismo, marcado pelo surgimento do nacionalismo e desenvolvimento do imperialismo, que assume novas formas, a partir das mudanças profundas na ordem capitalista, compreendidas na virada na do século XX. Assim, ao analisar as origens do conflito Israel-Palestina, busca-se compreender o sionismo enquanto instrumento de dominação do imperialismo, expresso em sua totalidade na consolidação do Mandato Britânico na Palestina, que respondeu simultaneamente aos anseios do capital e do movimento sionista. Continue lendo “As origens britânicas do Estado de Israel: o sionismo e as disputas imperialistas no Oriente Médio”

O Governo dos Trabalhadores: Teses do Governo Operário segundo Clara Zektin e a III Internacional

Por  Clara Zektin e a III Internacional (Dezembro de 1922). Via Tendência Piquetera Revolucionária , traduzido por Leonardo Godim

O Governo Operário é a tentativa de forçar o Estado burguês no marco de suas limitações históricas essenciais, para servir aos interesses históricos do proletariado.

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Moschkovich nos ofereceu bons resultados advindos de uma boa operação do materialismo histórico dialético

Por Eduardo Borges*

As teses de Marília Moschkovich** publicada no blog da Boitempo[1] por um lado parecem estar corretas quando analisamos os desdobramentos argumentativos de todo o texto, no que tange a articulação da dialética marxista, isto é, tomando como premissa que em última instancia é o momento subjetivo ou melhor, teleológico da classe em movimento em posição de combate que objetivará uma práxis verdadeiramente revolucionária, o sexo (sexualidade) enquanto constitutiva desses indivíduos determinados encontra-se em total imbricamento e possui um conteúdo revolucionário autêntico se tomado em sua inteireza.  Continue lendo “Moschkovich nos ofereceu bons resultados advindos de uma boa operação do materialismo histórico dialético”

Por que parte da esquerda abraça a conservadora Hannah Arendt?

Por Verônica Maria Domingues

Não é segredo para ninguém que uma boa parte da esquerda no Brasil é ligada ao trotskismo, seja de forma direta por meio daqueles que reivindicam a figura de Trotsky, ou de forma indireta em que o indivíduo propaga ideias do trotskysmo sem mesmo estar a par desse debate. Essas origens da esquerda brasileira influenciam diretamente na ampla aceitação da produção da filósofa alemã em nosso espectro político. Continue lendo “Por que parte da esquerda abraça a conservadora Hannah Arendt?”

Os braços abertos “humanitários” dos liberais não são uma solução para a crise dos migrantes; mudanças econômicas radicais são necessárias

Por Slavoj Zizek, via RT, traduzido por Daniel Alves Teixeira

Os apelos dos liberais para “abrirmos nossos corações” para imigrantes de países pobres estão ligados à manutenção do status quo no mundo capitalista. A solução é uma mudança radical no sistema econômico global que incentiva a migração. Continue lendo “Os braços abertos “humanitários” dos liberais não são uma solução para a crise dos migrantes; mudanças econômicas radicais são necessárias”

A Situação da Itália e as Tarefas do Partido Comunista Italiano (PCI): Teses de Lyon

Por Antonio Gramsci, traduzido por Dossiê Gramsci¹. Via Revista de Ciências Sociais

“Trata-se de um texto que contém as teses escritas por Gramsci com a colaboração de Palmiro Togliatti. Elas foram apresentadas por ocasião do III Congresso Nacional do Partido Comunista Italiano (PC I), de 23 a 26 de janeiro de 1926, em Lyon. O grupo politico liderado por Gramsci obteve pouco mais de 90% dos votos, enquanto que a ultra-esquerda liderada por Amadeo Bordiga, cerca de 9%. As Teses de Lyon configuram a tentativa de dotar o PCI de uma linha e de um programa baseado em dois eixos articuladores: análise da realidade italiana; ecompreensão histórica dos objetivos politlcos do proletariado revolucionário.”

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Teses de Blum – A ditadura democrática

Por Georg Lukács, via Marxists.org

As Teses de Blum foram elaboradas em 1928 por Lukács, sob o pseudônimo de Blum, para o II Congresso (ilegal) do Partido Comunista da Hungria (KPU). Seu título original era “Teses sobre a situação econômica e política na Hungria e sobre as tarefas do KPU”, expostas em cinco partes: 1) A situação do KPU durante o I Congresso (1918) e seu desenvolvimento até o Plenum de 1928; 2) As mudanças fundamentais durante o regime de Bethlen e as classes; 3) A situação da classe trabalhadora; 4) A atividade do KPU desde o Plenum de 1928; 5) Os principais problemas da situação atual. O extrato que aqui publicamos, “A Ditadura Democrática” – capítulo central das Teses -, corresponde ao item A da parte 5. Na época, as Teses de Blum tiveram enorme repercussão no interior do movimento comunista internacional e do KPU. Continue lendo “Teses de Blum – A ditadura democrática”

Reflexões sobre o Aparelho Ideológico de Estado Sindical para a atual Crise do Sindicalismo

Por Alexandre Pimenta

“Ao tratar do AIE  [Aparelho Ideológico de Estado] sindical, Althusser se coloca na tarefa de resolver um problema aparentemente sem solução: como esse instrumento de luta de classes proletária, assim como os Partidos Comunistas, podem ser entendidos como “peças” de um Estado burguês, a auxiliar na reprodução das relações de produção?”

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Representatividade desmobilização

Por Juliana Mota e Rodolpho Borges*

A contradição dessa estratégia fundamentada na ideia de representatividade reside em dois elementos que se conjugam. O primeiro é que a conquista de espaços na mídia de massas é positiva, e bastou-se nisso. Imagine só, o Jornal Nacional apresentado apenas por negros? A democracia racial enfim seria conquistada, à suculentos lucros para a Rede Globo. A segunda se configura na ilusão de que a representatividade, inequivocamente, mobiliza. Como se todos, ao verem um suposto semelhante, mobilizaram-se e se motivariam para alcançar, senão o inalcançável, mas a exceção à regra. Continue lendo “Representatividade desmobilização”

Gramsci e o PCI: duas concepções da hegemonia

Por Massimo Salvadori, via Crítica Marxista, traduzido por Davi Pessoa Carneiro

De 1974 a 1976, o Partido Comunista Italiano conseguiu uma série de expressivas vitórias eleitorais, tendo chegado a mais de um terço do eleitorado. Parecia que o predomínio da Democracia Cristã (DC) na vida política italiana estava em risco e que a estratégia do chamado “compromisso histórico”, inaugurada por Enrico Berlinguer, em 1973, estava oferecendo frutos. Associado ao “compromisso histórico” com as massas populares católicas, na política internacional o Partido Comunista Italiano (PCI) propagava o chamado “eurocomunismo”, como meio de se afastar da experiência socialista da URSS e Europa oriental, demarcando com força as diferenças entre Oriente e Ocidente. Esse período coincidiu também com ampla difusão do nome da Antonio Gramsci, pretenso inspirador daquela orientação política. Continue lendo “Gramsci e o PCI: duas concepções da hegemonia”

O “Que” de “Que fazer”

Por Louis Althusser, via Cem Flores

“Como o próprio título indica, nessa ocasião, o autor buscou ratificar a relevância teórica e política da “velha pergunta de Lênin” para a classe operária em sua luta, tanto em sua dimensão mais imediata, tática, quanto em sua dimensão de longo prazo, estratégica. Tal pergunta, que surge no fogo da ação, da participação direta na luta de classes de um período, nos leva diretamente ao que o revolucionário russo chamou de “alma viva” do marxismo: a análise concreta da situação concreta.”

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