Chasin entra em ação: crítica à “ontonegatividade da política”

Por Fernando Savella

Marx desafia Hegel: o Estado, ao invés de ser a expressão do Espírito e superação ideal das contradições da sociedade civil, é na verdade um instrumento da classe dominante que apenas simula o alcance de uma “universalidade” e racionalidade. Desde a “Introdução à Crítica” até o canônico “Caráter fetichista da mercadoria e seu segredo”, n’O Capital, esta foi a constante da obra de Marx e da tradição teórica e política que o seguiu: o Estado burguês, bem como toda superestrutura ideal que erige das relações de produção capitalistas, se caracteriza pela afirmação das relações abstratas no lugar das relações concretas.

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Foram os erros que botaram a perder a Revolução Russa?

Por Francisco Martins Rodrigues, via Marxists.org

Nem só revisões e renegações produz o eclipse do movimento comunista. Surgem também, ainda que raramente, tentativas de interpretação e superação da crise, na linha do marxismo. Tom Thomas, militante da corrente M-L francesa, editou há alguns meses em volume as suas reflexões, a que deu o título: “A propósito das revoluções do século XX, ou o desvio irlandês”. [1] Continue lendo “Foram os erros que botaram a perder a Revolução Russa?”

Confundindo pedagogia e política: Marx e Lenin sobre a educação revolucionária do proletariado

Por Gabriel Landi Fazzio

“Nihil humani a me alienum puto”. Em latim: “Nada humano me é alheio”. Segundo as filhas de Marx, a máxima favorita do pai. (MARX, 1956)

“20. Nossa tarefa mais importante antes do levante revolucionário declarado é a propaganda e a agitação revolucionária.” (III INTERNACIONAL COMUNISTA, 2008) Continue lendo “Confundindo pedagogia e política: Marx e Lenin sobre a educação revolucionária do proletariado”

A derrota de Lenin

Por Francisco Martins Rodrigues, via marxists.org

“Estamos em condições bem mais difíceis do que durante a invasão direta dos guardas brancos”. “O Estado não funcionou como prevíramos, o carro não obedece ao condutor”. “Os comunistas julgam dirigir a máquina burocrática mas é ela que os conduz”. A dramática intervenção de Lenin perante o XI Congresso do partido, em Março de 1922, traça um momento-charneira nos destinos da Rússia. No horizonte desenham-se já os contornos da futura URSS de Stálin; para trás fica o fracasso da democracia dos sovietes. Poderia a revolução ter sido salva com outra política? Continue lendo “A derrota de Lenin”

Lenin: legalização e luta da classe operária

Por Vladimir Ilitch “Lenin” Ulyanov, via Marxists.org, traduzido por Rodri Villa

Com a publicação de “A Legalização da Classe Operária“, de Bernard Edelman, no Brasil, uma série de debates se animaram em meio à intelectualidade revolucionária a respeito dos limites e amarras do direito do trabalho ao movimento dos trabalhadores. Por um lado, essa crítica vigorosa ajudou a pôr em cheque uma série de pressupostos da esquerda reformista, que celebra cada conquista legal imediata como uma vitória definitiva das lutas operárias. Por outro lado, essa crítica muitas vezes se perdeu no abstencionismo, no ceticismo absoluto com as lutas por reformas em favor da classe trabalhadora, na forma de uma refutação genérica e abstrata a toda a legalidade, sem considerações quaisquer sobre seu conteúdo. Continue lendo “Lenin: legalização e luta da classe operária”

Arquiteto, Cidade e História: contradições e problemas candentes de nosso campo disciplinar

Por Vinícius Okada M. M. D’Amico

“O arquiteto não está excluído da influência determinante do capital. Pelo contrário, ele nasce a partir dela. A separação entre trabalho intelectual e trabalho manual no canteiro de obras corresponde a uma das etapas fundamentais no desenvolvimento das forças produtivas na sociedade capitalista. A superação do “trabalho autônomo” no canteiro e sua posterior fragmentação alienante, desemboca na característica fundante do “construir” moderno: a contradição elementar entre o canteiro e o desenho.” Continue lendo “Arquiteto, Cidade e História: contradições e problemas candentes de nosso campo disciplinar”

Lênin, docente? Aproximando Vladimir Lênin e Bernard Schneuwly

Por Gabriel Lazzari*

Marx e Engels já apontavam os limites constitutivos da consciência no que tange à luta imediata dos trabalhadores em suas reivindicações diárias, sem vínculo com uma luta política mais ampla, ou seja, os limites da consciência chamada por Lênin de “trade-unionista”. É precisamente ao observarmos os termos em que Marx formula sua primeira abordagem da questão que conseguimos perceber que, em sendo as relações de produção mencionadas contraditórias internamente, também permitem o surgimento de uma consciência contraditória no seio do proletariado, ainda que limitada pela falta de compreensão da articulação total dos fenômenos que estruturam a sociedade capitalista, as lutas entre as classes, inclusive. Continue lendo “Lênin, docente? Aproximando Vladimir Lênin e Bernard Schneuwly”

Sobre a Frente Única dos Trabalhadores

Pelo Comitê Executivo da Internacional Comunista, via marxists.org, traduzido por Bruno Santana e Gabriel Landi Fazzio

De extrema atualidade, os debates da Internacional Comunista sobre a tática da Frente Única dos Trabalhadores perpassaram seu Terceiro (junho de 1921) e Quarto Congressos (novembro de 1922). Inúmeros debates se seguiram às breves considerações deliberadas no Terceiro Congresso Continue lendo “Sobre a Frente Única dos Trabalhadores”

O Fetichismo da “Hegemonia”

Por Agustin Cueva, traduzido por Fernando Savella

Antonio Gramsci se converteu, sem dúvida alguma, numa referência obrigatória para todos os estudos que são feitos atualmente acerca da questão do Estado, tanto na Europa ocidental como na América Latina. De um certo ponto de vista, o autor italiano aparece inclusive como o verdadeiro fundador da ciência política marxista, finalmente livre, como dizem, do “dogmatismo” e do “economicismo” e, portanto, da concepção “instrumental” do Estado que havia caracterizado o pensamento leninista. Dessa forma, Gramsci se tornou uma espécie de ‘anti-Lenin’, dotado de incalculáveis projeções teóricas e políticas.

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As tarefas dos social-democratas russos

Por Vladimir Ilitch “Lenin” Ulyanov, via Marxists.org, traduzido por Gabriel V. Lazzari

Aqueles que acusam os social-democratas russos de terem uma visão estreita, de tentarem focar nos trabalhadores fabris em detrimento da massa da população trabalhadora, estão profundamente equivocados. Ao contrário, a agitação entre os setores avançados do proletariado é o mais certeiro e único jeito de insurgir (quando da expansão do movimento) o proletariado russo inteiro.

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Sobre a confusão entre política e pedagogia

Por Vladimir Ilitch Lenin, via marxists.org, traduzido por Gabriel Lazzari e Gabriel Landi Fazzio

O seguinte texto foi escrito em Junho de 1905 e primeiramente publicado, de acordo com o manuscrito, em 1926, em Lenin Miscellany V. A fonte utilizada para a tradução para o português foi publicada na Lenin Collected Works (Foreign Languages Publishing House, 1962, Moscou, Volume 8, p. 452-455), traduzida para o inglês por Bernard Isaacs e Isidor Lasker, transcrito para o Lenin Internet Archive (2003) por R. Cymbala. Continue lendo “Sobre a confusão entre política e pedagogia”

Falta um programa para as mulheres

Por Ana Barradas, via Bandeira Vermelha

Alguns comunistas deixam-se cegar pela indignação ao verem-se comparados com quaisquer outros homens no que refere à questão feminina. Com isso não conseguem divisar o que há de verdadeiro nas afirmações segundo as quais também entre eles se reproduzem algumas das taras da sociedade patriarcal. Como tratar na tática e na ação imediata os problemas concretos da emancipação da mulher, dando-lhes expressão na política, em vez de os adiar para depois da revolução? Continue lendo “Falta um programa para as mulheres”

3 dimensões da apropriação marxista do pensamento de Clausewitz: guerras híbridas e conflitos não-lineares

Por Santiago Marimbondo

Uma das vicissitudes centrais que legou ao pensamento revolucionário a derrota do movimento operário internacional com a queda do muro de Berlin e a consequente etapa de restauração burguesa foi o grau zero de debate estratégico que se estabeleceu a partir dali. A crise objetiva das lutas contestatórias ao poder capitalista por parte das classes subalternas não poderia deixar de impactar subjetivamente; o debate sobre como enfrentar concretamente o poder burguês foi substituído por vulgares perspectivas utópicas sobre “como mudar o mundo sem tomar o poder”, numa luta de uma abstrata “multidão” contra um imaginário “império”, e onde os sujeitos sociais efetivos perdem sua objetividade para se construírem de forma “discursiva” através de uma “ação performática”. 

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Nós devemos organizar a revolução?

Por Vladimir Ilitch Ulianov Lenin, via Marxists.org, traduzido por Catarina Duleba

Nesta exemplar peça de polêmica entre Lenin e os mencheviques, marcada pelo calor da revolução russe da 1905, o bolchevique levanta algumas importantes questões sobre a tática oportunista e a questão do armamento do povo. Publicado originalmente em 25 de fevereiro de 1905, na sétima edição da publicação bolchevique “Vperyod”. Continue lendo “Nós devemos organizar a revolução?”

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