A iminência do fim em um Brasil em déjà vu

Por Thales Fonseca*

Paz no futuro e glória no passado, exorta o hino pátrio. Se teremos paz no futuro, se sequer teremos futuro, só a história nos dirá. Mas uma coisa é certa: é preciso urgentemente perceber que “glória” está longe de ser o que mais tivemos no passado. Continue lendo “A iminência do fim em um Brasil em déjà vu”

Sobre os dogmas neoliberais em tempos de pandemia

Por Gustavo Livio

No mais recente episódio da luta de classes, expressiva fileira da burguesia brasileira se somou aos ideólogos do neoliberalismo para combater as políticas de isolamento social praticadas até o momento. Continue lendo “Sobre os dogmas neoliberais em tempos de pandemia”

A Questão do Fascismo

Por Agustín Cueva, traduzido por Fernando Savella a partir da versão publicada originalmente em Revista Mexicana de Sociología, Vol. 39, No. 2 .Apr. – Jun., 1977, pp. 469-480. 

Quanto ao outro aspecto definidor do fascismo, ou seja, o fato de que a ditadura terrorista do capital monopolista se exerce fundamentalmente contra a classe operária, também parece difícil de impugnar. Em primeiro lugar, um conjunto de fatos políticos que saltam à vista. Tanto o golpe de Estado de Banzer em 1971 como o de Pinochet dois anos mais tarde, foram a culminação de ações contrarrevolucionárias dirigidas centralmente contra forças proletárias que através de processos políticos conseguiram articular alternativas socialistas.
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Um cheiro de perfume podre: paranoia, negação e militares

Por André Márcio

“O Brasil pandêmico tem um cheiro de perfume podre e todos nós sabemos de onde ele vem. Na verdade, esse cheiro está hoje disseminado por toda a nossa sociedade. Ele vem das valas comuns abertas para jogar os corpos produzidos pela ignorância do governo Bolsonaro. O mesmo cheiro vem dos corpos putrefatos nos hospitais e frigoríficos à espera dessas valas, pois sequer o reboque para levá-los dá conta da quantidade. O perfume podre vem dos corredores lotados de doentes miseráveis, moribundos, à espera que alguém saia da UTI, vivo ou morto.”

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Consumo de álcool, de outras drogas e o COVID-19

Por Raonna Martins

Em termos de conjuntura política não avançamos muito, atualmente: a coisa está muito, muito! pior. As escolhas são escassas: propõe-se abstinência ou violência para as pessoas que fazem uso de drogas e que vivem em territórios vulnerabilizados. Quero dizer também que existem estudos rigorosos sobre esse tema que sequer são levados em consideração, por isso digo da falta de avanço sobre essa temática. Não há falta de estudos sérios. Há surdez em nossa estruturação política. Continue lendo “Consumo de álcool, de outras drogas e o COVID-19”

2020 é o Ano em que Matamos os Mais Fracos

Por Sandino Patriota

No ponto em que nos encontramos, com o carniceiro que ocupa a cadeira de presidente e os generais que estão ao seu lado decididos a promover as mortes e aparecer como os melhores defensores dos lucros dos banqueiros e monopólios, tornou-se impossível evitar o crescimento exponencial da letalidade. Isso só seria possível com a ação firme de um Estado nacional, decidido a apoiar e defender sua população, coisa que não estamos perto de ter no Brasil. É preciso tomar consciência desse fato no momento em que se discutem as ações de bloqueio total (lockdown), em algumas regiões, e de relaxamento parcial da quarentena, em outras. Continue lendo “2020 é o Ano em que Matamos os Mais Fracos”

Ideologia e Estado em Althusser: Uma Resposta

Por Eginardo Pires, via Encontros com a Civilização Brasileira, transcrito por Rômulo Cassi Soares de Melo

Em meio ao clima de medo em relação a corrente althusseriana[1], o Brasil debatia, na década de 1970, o ensaio Ideologia e Aparelhos ideológicos de Estado de Louis Althusser. Exatamente nesse contexto, intervém Eginardo Pires, dirigindo sua crítica impiedosa – ora republicada – aos comentários do então “príncipe dos sociólogos”. Mas longe de ser um texto datado pela conjuntura, esta é uma resposta que, a exemplo de anti-Düring ou Resposta a John Lewis, se autonomiza do debate que a produziu para estabelecer o seu brilho próprio. Por isso, merece ser relida. Continue lendo “Ideologia e Estado em Althusser: Uma Resposta”

Propostas para derrotar o fascismo

Por Magno Francisco da Silva

A crise do modo de produção capitalista, iniciada em 2008, a maior de toda história do capitalismo, é marcada por uma contradição cada vez mais intensa: ao mesmo tempo que o desenvolvimento das forças produtivas alcança patamares jamais vistos, há uma produção de miséria e desigualdade social como nunca em toda a história. Dito de outro modo, nunca se produziu tanta riqueza e nunca se teve tanta pobreza. Continue lendo “Propostas para derrotar o fascismo”

Contra a globalização perversa: uma outra globalização expressa pela classe popular

Por Maiara de Proença Bernardino

“Seguindo o pensamento do professor Milton Santos, embasado por teorias de Ortega y Gasset, o mundo atual da globalização, também permitiu uma mistura de diferentes povos em determinados pontos do espaço. Fazendo-nos pensar não somente nas perversidades causadas pelas variáveis da globalização, mas, também, nas possibilidades a partir da apropriação da técnica, da ciência e da informação por grupos antes considerados subalternos.”

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Nossa luta para derrotar o governo fascista em meio ao avanço das contradições interimperialistas

Por Leonardo Péricles e Wanderson Pinheiro*

Em uma recente sequência cinematográfica, cada vez mais medíocre, se fantasia sobre a possibilidade de um mundo em que uma raça de macacos “hominizados” tomaria o lugar do atual “homo sapiens”, relegado então a um neoselvagismo primitivo. [1] A causa desse hipotético transtorno o constituiria como um desdobramento da agressividade humana, uma falta de controle sobre os recursos técnicos e, portanto, uma irresponsável autodestruição do gênero humano. Continue lendo “Nossa luta para derrotar o governo fascista em meio ao avanço das contradições interimperialistas”

Estado, crise e pandemia: Sobre o necessário manifesto de Mascaro e suas fundamentações

Por Thais Hoshika e Romulo Cassi Soares de Melo

O novo coronavírus encontra, expõe e amplifica as fissuras do velho vírus do capital. A obra de Mascaro se assenta sobre três pontos que merecem destaque: o fundamento não natural da crise; a intensificação da crise como possível resposta à crise; e a provável investida do autoritarismo no caso brasileiro. Continue lendo “Estado, crise e pandemia: Sobre o necessário manifesto de Mascaro e suas fundamentações”

Um protesto contra o liberalismo de esquerda

Por Eduardo Borges*

Com a saída de Moro, a classe trabalhadora anti-sistema se auto-percebe como órfã de um partido político, abrindo assim um novo horizonte histórico, a revolução brasileira. A essência se apresenta na aparência, não havendo mais, a possibilidade concreta da alienação política da práxis futura. Assim não há mais alternativa para a classe trabalhadora a não ser fazer com as suas próprias mãos. Continue lendo “Um protesto contra o liberalismo de esquerda”

Polícia, dominação de classe e o seu caráter irreformável

Por Arthur Moura

“A polícia é órgão imprescindível no controle das massas, sobretudo quando estas passam do estágio de meras reivindicações às ações pautadas na organização dos trabalhadores com o objetivo central de retomar o controle da produção ou simplesmente de construir algum tipo de autonomia independente do Estado e sua burocracia ou das relações de mercado.”

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Theotonio dos Santos e a teoria do fascismo dependente

Por Leonardo Godim

Surgido no seio da pequena-burguesia e do lumpesinato, o fascismo só se torna um movimento poderoso capaz de assumir o controle do Estado quando é apoiado pelo grande capital. Esse apoio se faz necessário em momentos históricos determinados e via de regra está ligado à necessidade de reprimir o movimento operário, seja pela iminência de um processo revolucionário ou como punição pela sua derrota na tentativa de tomada do poder. Continue lendo “Theotonio dos Santos e a teoria do fascismo dependente”

Poesia Marginal e resistência cultural no Brasil dos anos de chumbo

Por Bárbara Pinheiro Baptista

Tendo iniciado no começo de abril do ano de 1964, a ditadura civil-militar se estabeleceu no Brasil a partir de um golpe aplicado por grupos pertencentes às Forças Armadas e contando com amplo apoio da sociedade civil, assim como setores pertencentes a associações industriais, grupos financeiros, proprietários de terra e indivíduos ligados à Igreja.  Continue lendo “Poesia Marginal e resistência cultural no Brasil dos anos de chumbo”

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