Corpo e Despossessão: A Pedagogia do Medo em Hollywood

Por Anielson Ribeiro

Como visto, a produção da consciência da mulher é extremamente precária, uma vez que a percepção alienada do seu corpo impede que o reconheça como constitutivo de sua própria formação ontológica, por decorrência de um longo processo histórico de disciplina e de dispositivos sociais de despossessão. Isso acarretará diversas problemáticas, proibições e riscos em relação ao livre exercício de suas funções corporais. Despossessão aqui sugere um sinônimo para o conceito hegeliano de negação. Vale ressaltar que negar não é anular o Outro, e sim subjugá-lo. Continue lendo “Corpo e Despossessão: A Pedagogia do Medo em Hollywood”

O guia de sobrevivência da quarentena de Slavoj Žižek: prazeres culposos, Assassinos de Valhalla e finja que isso é apenas um jogo.

Por Slavoj Žižek, via RT, traduzido por Victor Pimentel

Para lidar com a pressão mental durante a pandemia de coronavírus, minha primeira regra é que esse não é o momento para buscar autenticidade espiritual. Sem qualquer constrangimento – assuma todos os pequenos rituais que estabilizam sua vida cotidiana. Continue lendo “O guia de sobrevivência da quarentena de Slavoj Žižek: prazeres culposos, Assassinos de Valhalla e finja que isso é apenas um jogo.”

Depois de amanhã: o vírus que desperta ao econômico (?)

Por Phillipe Augusto Carvalho Campos

O Guy Debord continua sendo um farol pra esse mundo em que vivemos, seu diagnóstico fundamental é o de que nossas expressões são integralmente cópias de imagens. Como se, ao comprar uma calça, já tivéssemos feito a inferência sobre quem queremos ser, qual imagem queremos passar, ao vestir aquela calça – desnecessário dizer que esse exemplo serve muito melhor para as redes sociais e para mercadorias cuja escassez é programada (o IPhone é paradigmático). Continue lendo “Depois de amanhã: o vírus que desperta ao econômico (?)”

Tecnologias e Educação: uma reflexão crítica

Por Thiago Oliveira* 

Quando se fala de educação em tempos de sociedade tecnológica deve-se tomar cuidado para não cair em um maniqueísmo ou em um negacionismo. Não se está criticando a tecnologia em si, mas o uso que se faz dela, o modo como ela é produzida e controlada e o modo como se pretende aplica-la na educação para reproduzir um conformismo à ordem social vigente. 

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O Retorno do Político

Por Jorge Alemán, via Pagina 12, traduzido por Thales Fonseca

Em primeiro lugar, o título “O retorno do político”, já de entrada, dá a entender que o político parece ser algo que não está sempre presente, que não está aí, que não se apresenta a nós como algo estável, firme e consolidado. Se falamos da volta ou do retorno do político, quer dizer que o político pode ser evitado, reprimido, cancelado, esquecido, por isso para tratar este tema vou me valer da distinção entre o político e a política, e vou me referir a essa distinção clássica através dos percursos teóricos aos quais me sinto envolvido e preocupado.

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A risada do Coringa: cinismo e dissociação na cultura

Por Phillipe Augusto Carvalho Campos

A essa altura já devem ter saído um milhar de análises sobre o filme do Coringa. Me proponho aqui a oferecer mais uma. O Coringa, especificamente, sua risada, talvez seja o índice de um fenômeno recorrente nesse nosso tempo – o cinismo. E, podemos ver fenômenos análogos à risada do vilão operado desde o funk Open The Tcheca à derrota que sofremos de 7 a 1 para a Alemanha. Continue lendo “A risada do Coringa: cinismo e dissociação na cultura”

Marx e Freud em Lacan: do imbróglio inextrincável à perfeita compatibilidade

Por David Pavón-Cuellar, via David Pavón-Cuellar blog, traduzido por Thales Fonseca, doutorando em psicologia pela UFSJ

Conferência organizada pelo Movimiento Freudomarxista na Facultad de Psicología da Universidad Autónoma de Nuevo León (UANL), em Monterrey, no dia 27 de setembro de 2018.  Continue lendo “Marx e Freud em Lacan: do imbróglio inextrincável à perfeita compatibilidade”

O populismo é um problema? A nova edição da Crise e Crítica – América Latina

Por Editorial da Revista Crise e Crítica

A revista Crisis and Critique se dedica, desde 2014, à reformulação da teoria marxista, servindo de plataforma para investigações engajadas com a tarefa de repensar a política emancipatória desde suas bases filosóficas. Em 2017, a revista lançou o primeiro número de sua edição latino-americana, batizada de Crise e Crítica, a cargo do Círculo de Estudos da Ideia e da Ideologia e dedicado aos 100 anos da Revolução Russa. O segundo número da revista Crise e Crítica, que ora apresentamos, é dedicado à questão “O populismo é um problema? Continue lendo “O populismo é um problema? A nova edição da Crise e Crítica – América Latina”

“Nenhum problema atual precisa de soluções técnicas. Se trata sempre de problemas sociais.”

Entrevista por Bernardo Álvarez-Villar, via El Salto, traduzido por Daniel Alves Teixeira

Anselm Jappe (Bonn, Alemanha, 1962) é um pensador impiedoso e vigoroso, alérgico a argumentos consoladores e a subterfúgios intelectuais. Junto com outros desviados da ortodoxia marxista (Robert Kurz na Alemanha, Moishe Postone no Estados Unidos, Luis Andrés Bredlow em Espanha), passou anos questionando os axiomas de uma esquerda que, pensa Jappe, tem sido incapaz de compreender as transformações do capitalismo nas últimas décadas.  Continue lendo ““Nenhum problema atual precisa de soluções técnicas. Se trata sempre de problemas sociais.””

Diferença Sexual e Ontologia

Por Alenka Zupančič, via E-Flux, traduzido por Matheus Cornely Sayão

Alenka Zupančič propõe traçar um caminho que vai desde a diferença sexual segundo as essencializantes ontologias e cosmologias tradicionais até, após a ruptura da filosofia e ciência moderna com a ontologia, as possíveis afirmações ontológicas que a psicanálise poderia oferecer. Em crítica à teoria queer, que Zupančič afirma dessexualizar o sexo, ela pretende demonstrar como a diferença sexual, para a psicanálise, se situa como uma falha entre o ontológico e o epistemológico, colocando o Real da diferença sexual na posição de algo que curva o espaço do ser. Continue lendo “Diferença Sexual e Ontologia”

Assange preso, o último passo da campanha de assassinato de uma reputação

Por Slavoj Žižek, via TheoryLeaks, traduzido por Bernardo Neves

A prisão de Julian Assange não foi um acontecimento súbito, disse o filósofo cultural Slavoj Žižek à RT. Em vez disso, foi bem planejado e o passo final de uma longa e feia campanha de difamação contra o fundador do WikiLeaks. Continue lendo “Assange preso, o último passo da campanha de assassinato de uma reputação”

A noção de obstáculo epistemológico em Bachelard

Por Delia Irusta, via Papeles de nombre falso, traduzido por Matheus Motta

Os debates sobre epistemologia animaram proficuamente os pensadores de meados do século XX, sobretudo na França. Canguilhem, Foucault, Lecourt e Bachelard foram capazes de influenciar não apenas este campo do pensamento, mas a própria filosofia e as ciências sociais. No presente artigo, Delia Irusta nos apresenta as noções básicas do pensamento de Bachelard atreladas ao conceito de obstaculo epistemológico. Continue lendo “A noção de obstáculo epistemológico em Bachelard”

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