Ideologia e Estado em Althusser: Uma Resposta

Por Eginardo Pires, via Encontros com a Civilização Brasileira, transcrito por Rômulo Cassi Soares de Melo

Em meio ao clima de medo em relação a corrente althusseriana[1], o Brasil debatia, na década de 1970, o ensaio Ideologia e Aparelhos ideológicos de Estado de Louis Althusser. Exatamente nesse contexto, intervém Eginardo Pires, dirigindo sua crítica impiedosa – ora republicada – aos comentários do então “príncipe dos sociólogos”. Mas longe de ser um texto datado pela conjuntura, esta é uma resposta que, a exemplo de anti-Düring ou Resposta a John Lewis, se autonomiza do debate que a produziu para estabelecer o seu brilho próprio. Por isso, merece ser relida. Continue lendo “Ideologia e Estado em Althusser: Uma Resposta”

Gato Tosco Contra Tigres de Papel

Por J-P Caron e Bruno Trchmnn

De que vivem os artistas do fracasso? Somos professores, estudantes,  funcionários públicos, carteiros, operários, atendentes, motoristas, garçons, babás, estudantes, desempregados e outras párias da elite artística.  Continue lendo “Gato Tosco Contra Tigres de Papel”

O Fascismo Alemão e Hegel

Por Georg Lukács, originalmente em Schicksalswende, [Pontos de virada do destino] Aufbau Verlag, Berlin, 1956, traduzido por Marie Farines

Esse texto é tradução do ensaio de Georg Lukács: Der deutsche Faschismus und Hegel (1943). Ele ocupa as páginas 29 à 49 da coletânea: Georg Lukács, Schicksalswende, [Pontos de virada do destino] Aufbau Verlag, Berlin, 1956. Essa edição se caracteriza pela ausência completa de notas e de referências nos trechos citados. Todas as notas são, portanto, do tradutor [da edição francesa, Jean-Pierre Morbois]. Continue lendo “O Fascismo Alemão e Hegel”

Qual é a diferença entre Hegel e Marx?

Por Andy Blunden, via Ethical Politics, traduzido por João Narciso

Durante meus estudos acerca de lógica em Hegel cheguei até os textos de Andy Blunden que me abriram um novo horizonte teórico; a forma como ele trata temas complexos e, também, por ser da área de ciências exatas como eu, me aproximaram bastante da sua linguagem e pensamento. No mais, resolvi traduzir este texto em específico pois creio que seja uma leitura de introdução à Hegel interessante para quem já atua em movimentos sociais e luta objetivamente por mudanças aqui no Brasil. Continue lendo “Qual é a diferença entre Hegel e Marx?”

Sobre a Guerra de Guerrilha

Por Ho Chi Minh, via lesmaterialistes.com, traduzido por Mario Matos

Transcrição de um discurso de Ho Chi Minh, no mês de julho do ano de 1952. No discurso, Ho remete à revolução de agosto de 1945, quando o Viet Minh (liga pela independência do Vietnam), força revolucionária organizada para libertação nacional, conseguiu forçar a destituição do imperador Bao Dai, fantoche controlado pelo imperialismo francês, o que resultou na independência do Vietnam. Continue lendo “Sobre a Guerra de Guerrilha”

Descartes/Lacan

Por Alain Badiou, via Umbr(a) , traduzido por Rodrigo Gonsalves

O que ainda conecta Lacan (e esse “ainda” é a perpetuação moderna dos sentidos) ao tempo da ciência cartesiana é o pensamento de que é necessário manter o sujeito no vazio puro de sua subtração, se assim se quer que a verdade seja salva. Somente esse tal sujeito se deixa suturar na forma lógica e integralmente transmissível da ciência.

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Estado, crise e pandemia: Sobre o necessário manifesto de Mascaro e suas fundamentações

Por Thais Hoshika e Romulo Cassi Soares de Melo

O novo coronavírus encontra, expõe e amplifica as fissuras do velho vírus do capital. A obra de Mascaro se assenta sobre três pontos que merecem destaque: o fundamento não natural da crise; a intensificação da crise como possível resposta à crise; e a provável investida do autoritarismo no caso brasileiro. Continue lendo “Estado, crise e pandemia: Sobre o necessário manifesto de Mascaro e suas fundamentações”

Puxando um fio solto: reprodução na periferia no epicentro da pandemia

Por Cecília F. Teixeira e Elisabeth Zorgetz

“Onde a casa emerge como um espaço de trabalho (agora não apenas o locus socialmente determinado do trabalho doméstico) e precisa ser esquadrinhada entre o home office, a escola virtual, as reuniões profissionais, políticas, acadêmicas e várias outras atividades que ocorrem normalmente na esfera pública, pode se dizer que o momento é mais que privilegiado para evidenciar a importância do trabalho reprodutivo no dia-a-dia. Porém, apelar moralmente por essa atenção é um caminho que nos joga no fosso comum da racionalidade afetiva sobre a reprodução. Para todos os lados que se olha, a oportunidade em participar equilibradamente das tarefas domésticas e de cuidado para os membros da família não está sendo aproveitada, muito distante disso: cozinhar, lavar, limpar, atender, cuidar, tratar, educar etc. são tarefas que se replicaram nas casas e as mulheres viram sua carga de trabalho aumentada.” Continue lendo “Puxando um fio solto: reprodução na periferia no epicentro da pandemia”

Corpo e Despossessão: A Pedagogia do Medo em Hollywood

Por Anielson Ribeiro

Como visto, a produção da consciência da mulher é extremamente precária, uma vez que a percepção alienada do seu corpo impede que o reconheça como constitutivo de sua própria formação ontológica, por decorrência de um longo processo histórico de disciplina e de dispositivos sociais de despossessão. Isso acarretará diversas problemáticas, proibições e riscos em relação ao livre exercício de suas funções corporais. Despossessão aqui sugere um sinônimo para o conceito hegeliano de negação. Vale ressaltar que negar não é anular o Outro, e sim subjugá-lo. Continue lendo “Corpo e Despossessão: A Pedagogia do Medo em Hollywood”

Uma esquerda que não respira ar puro

Por Thales Fonseca

Aqui, para entender este ponto, é interessante retomar brevemente a ideia de que a existência de uma esquerda comunista no Brasil não passa (infelizmente) de uma fantasia paranoica e cínica. Isso implica em afirmar que o bolsonarismo é, entre outras coisas, a expressão máxima da ideologia cínica em terras brasileiras, em que aqueles que ocupam o poder assimilam a estratégia da crítica, de modo que possam rir de si mesmo e neutralizar o poder dessa crítica. Isso fica claro quando Bolsonaro coloca um humorista para responder aos questionamentos sobre o PIB poucos dias depois de ser excessivamente parodiado no carnaval, levando a crítica carnavalizada à falência.

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O terceiro período da ecologia soviética e a crise planetária

Por John Bellamy Foster, via Monthly Review, traduzido por Letícia Ferreira de Medeiros

A ecologia soviética apresenta um conjunto extraordinário de paradoxos históricos. Por um lado, a URSS nos anos de 1930 e 1940 expurgou de forma violenta vários de seus pensadores ecológicos principais e degradou seriamente seu meio ambiente na busca pela rápida expansão industrial. Continue lendo “O terceiro período da ecologia soviética e a crise planetária”

Kwame Nkrumah: o encontro de duas razões revolucionárias

Por Jones Manoel, prefácio à coletânea “Kwame Nrkumah – Escritos

“Nkrumah é um brilhante exemplo da capacidade do marxismo de ser uma arma crítica e emancipatória para todos os explorados e oprimidos, combinando – nunca é demais insistir: de forma crítica e criativa – as duas grandes razões revolucionárias da modernidade: marxismo e luta anticolonial. Uma prova prática, cabal, de como é uma besteira as ideologias que afirmam ser o marxismo uma “ideologia branca”, essencialmente eurocêntrico ou inadequado à compreensão de sociedades não-europeias.” Continue lendo “Kwame Nkrumah: o encontro de duas razões revolucionárias”

Reestruturação produtiva do capital: formas contemporâneas de exploração da classe trabalhadora

Por Amanda Freitas

Os processos de reestruturação produtiva podem ser entendidos como respostas à lei tendencial da queda da taxa de lucros, e como formas de reproduzir os interesses da classe dominante, atualizando e radicalizando as formas de exploração e dominação da classe trabalhadora. Reestruturação produtiva deve ser interpretada como um movimento dialético entre o novo e o que permanece das formas precedentes. Encerra um conjunto de práticas sociais que renovam as estruturas de dominação ao travestir o antigo na forma de revolução passiva, nos termos de Gramsci. Continue lendo “Reestruturação produtiva do capital: formas contemporâneas de exploração da classe trabalhadora”

Onde está a quebra? Marx, Lacan, Capitalismo e Ecologia

Por Slavoj Žižek, via The Philosophical Salon, traduzido por Daniel Alves Teixeira

Quando, décadas atrás, a ecologia surgiu como uma questão teórica e prática crucial, muitos marxistas (assim como críticos do Marxismo) notaram que a natureza – mais precisamente, o exato status ontológico da natureza – é o único tópico em que até o materialismo dialético mais grosseiro possui uma vantagem sobre o Marxismo Ocidental. Continue lendo “Onde está a quebra? Marx, Lacan, Capitalismo e Ecologia”

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