Underground invertido: a pandemia dissimulada

Por Rodrigo Alencar*

O meme da pandemia é: “todos os protocolos estão sendo seguidos”. Quais protocolos? Todos! Então não sabemos se o estabelecimento está obrigando as pessoas a comerem de máscara ou diluindo cloroquina com ivermectina na água. A palavra “todos” pressupõe consensos científicos e sanitários que ainda são parcos e que, se seguidos seriamente, não estariam sendo abertos restaurantes, academias e shopping centers.  Continue lendo “Underground invertido: a pandemia dissimulada”

Para Louis Althusser

Por Etienne Balibar, originalmente em Rethinking MARXISM Volume 4, Number 1 (Spring 1991), traduzido por Rodrigo Gonsalves

A seguir, é o elogio de Etienne Balibar para Louis Althusser por ocasião de sua morte, em 22 de outubro de 1990. O elogio de Balibar foi entregue no túmulo de um cemitério perto de Paris, em 25 de outubro. A cerimônia simples contou com a presença de 150 a 200 pessoas, incluindo membros da família de Althusser, seus amigos, ex-alunos e camaradas políticos. Além de Balibar, vários outros amigos, estudantes e colegas da universidade, incluindo Jacques Derrida, prestaram homenagem a Althusser, que foi enterrado em um pequeno lote de sua família.

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Prolegomena a uma demonologia do capitalismo

Por Ian Wright, via Dark Marxism, traduzido por Rodrigo Gonsalves

Todos os dias, milhões de trabalhadores em todo o mundo não têm escolha a não ser sacrificar seu tempo, sua vitalidade para produzir novos lucros para os controladores demoníacos. Tomemos outro exemplo: a lógica do capital exige a extração máxima de lucros das empresas, e isso significa minimizar os salários. Os servos do capital – os cavaleiros, duques, príncipes e as legiões que eles comandam – são bem recompensados ​​com uma abundância de luxos. Mas aqueles sem capital são reduzidos a meros componentes geradores de valor. Os possuídos pelo capital vivem uma existência exaltada. Mas os despossuídos devem alimentar, vestir e manter uma casa com uma renda média de cerca de 7 libras por dia.

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Pensamentos sobre marxismo e Estado

Por David McNally, via Historical Materialism, traduzido por Moisés João Rech

Torna-se claro que a crítica de Marx ao Estado é mais uma vez desagradável em muitas partes da esquerda. Muitas vezes esse desagrado disfarça a acomodação política indiscriminada ao Estado-nação (por exemplo, com aqueles na esquerda que se opõem a pedidos pela abertura das fronteiras e contrabandeando algum tipo de argumento ostensivo de “esquerda” para controles migratórios “mais agradáveis”). Continue lendo “Pensamentos sobre marxismo e Estado”

Formas do Movimento Operário (O locaute e a tática marxista)

Por Vladímir Ilitch Uliánov, via marxists.org, traduzido por Gabriel Landi Fazzio

“A tática marxista consiste em combinar as diferentes formas de luta, em transitar habilmente de uma forma para outra, em aumentar constantemente a consciência das massas e estender a área de suas ações coletivas, cada uma das quais, tomadas separadamente, pode ser ofensiva ou defensiva e, tomadas em conjunto, levam a um conflito mais intenso e decisivo.” Continue lendo “Formas do Movimento Operário (O locaute e a tática marxista)”

A crise italiana (1924)

Por Antonio Gramsci, via L’Ordine Nuovo, traduzido por Mario Matos

A crise radical do regime capitalista, iniciada na Itália como no mundo todo com a guerra, não foi solucionada pelo fascismo. O fascismo, com seu método repressivo de governar, tornou muito difícil, e mesmo quase totalmente impediu, que se manifestassem na política os efeitos da crise capitalista, porém, não conseguiu em seu governo estabelecer a interrupção dessa crise e, menos ainda, uma retomada do desenvolvimento da economia nacional. Continue lendo “A crise italiana (1924)”

A Questão do Fascismo

Por Agustín Cueva, traduzido por Fernando Savella a partir da versão publicada originalmente em Revista Mexicana de Sociología, Vol. 39, No. 2 .Apr. – Jun., 1977, pp. 469-480. 

Quanto ao outro aspecto definidor do fascismo, ou seja, o fato de que a ditadura terrorista do capital monopolista se exerce fundamentalmente contra a classe operária, também parece difícil de impugnar. Em primeiro lugar, um conjunto de fatos políticos que saltam à vista. Tanto o golpe de Estado de Banzer em 1971 como o de Pinochet dois anos mais tarde, foram a culminação de ações contrarrevolucionárias dirigidas centralmente contra forças proletárias que através de processos políticos conseguiram articular alternativas socialistas.
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Existe Mercado Socialista?

Por Beto Silva

Portanto, a possibilidade de comprar e explorar a mercadoria força de trabalho é a essência do capitalismo. Foi a transformação do trabalho em mercadoria que potencializou a circulação mercantil dos demais produtos. O predomínio da circulação de mercadorias em geral é o desdobramento da transformação do próprio trabalho em mercadoria.  É a existência do mercado de trabalho – e não do mercado em geral – que caracteriza e fundamenta o capitalismo.

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2020 é o Ano em que Matamos os Mais Fracos

Por Sandino Patriota

No ponto em que nos encontramos, com o carniceiro que ocupa a cadeira de presidente e os generais que estão ao seu lado decididos a promover as mortes e aparecer como os melhores defensores dos lucros dos banqueiros e monopólios, tornou-se impossível evitar o crescimento exponencial da letalidade. Isso só seria possível com a ação firme de um Estado nacional, decidido a apoiar e defender sua população, coisa que não estamos perto de ter no Brasil. É preciso tomar consciência desse fato no momento em que se discutem as ações de bloqueio total (lockdown), em algumas regiões, e de relaxamento parcial da quarentena, em outras. Continue lendo “2020 é o Ano em que Matamos os Mais Fracos”

A Forma Animal da Mercadoria

Por Maila Costa

“Revelar o verdadeiro valor por trás das mercadorias, seja o valor do trabalho humano que é precarizado aos maiores níveis possíveis, seja o valor inestimável da natureza que muitas vezes é até mesmo irrecuperável, ou seja o valor das vidas dos animais atormentados é imprescindível para que as contradições insuperáveis do capitalismo sejam perceptíveis sob a intrincada malha ideológica que cobre e atravessa a classe trabalhadora.”

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Ideologia e Estado em Althusser: Uma Resposta

Por Eginardo Pires, via Encontros com a Civilização Brasileira, transcrito por Rômulo Cassi Soares de Melo

Em meio ao clima de medo em relação a corrente althusseriana[1], o Brasil debatia, na década de 1970, o ensaio Ideologia e Aparelhos ideológicos de Estado de Louis Althusser. Exatamente nesse contexto, intervém Eginardo Pires, dirigindo sua crítica impiedosa – ora republicada – aos comentários do então “príncipe dos sociólogos”. Mas longe de ser um texto datado pela conjuntura, esta é uma resposta que, a exemplo de anti-Düring ou Resposta a John Lewis, se autonomiza do debate que a produziu para estabelecer o seu brilho próprio. Por isso, merece ser relida. Continue lendo “Ideologia e Estado em Althusser: Uma Resposta”

O Fascismo Alemão e Hegel

Por Georg Lukács, originalmente em Schicksalswende, [Pontos de virada do destino] Aufbau Verlag, Berlin, 1956, traduzido por Marie Farines

Esse texto é tradução do ensaio de Georg Lukács: Der deutsche Faschismus und Hegel (1943). Ele ocupa as páginas 29 à 49 da coletânea: Georg Lukács, Schicksalswende, [Pontos de virada do destino] Aufbau Verlag, Berlin, 1956. Essa edição se caracteriza pela ausência completa de notas e de referências nos trechos citados. Todas as notas são, portanto, do tradutor [da edição francesa, Jean-Pierre Morbois]. Continue lendo “O Fascismo Alemão e Hegel”

Qual é a diferença entre Hegel e Marx?

Por Andy Blunden, via Ethical Politics, traduzido por João Narciso

Durante meus estudos acerca de lógica em Hegel cheguei até os textos de Andy Blunden que me abriram um novo horizonte teórico; a forma como ele trata temas complexos e, também, por ser da área de ciências exatas como eu, me aproximaram bastante da sua linguagem e pensamento. No mais, resolvi traduzir este texto em específico pois creio que seja uma leitura de introdução à Hegel interessante para quem já atua em movimentos sociais e luta objetivamente por mudanças aqui no Brasil. Continue lendo “Qual é a diferença entre Hegel e Marx?”

Sobre a Guerra de Guerrilha

Por Ho Chi Minh, via lesmaterialistes.com, traduzido por Mario Matos

Transcrição de um discurso de Ho Chi Minh, no mês de julho do ano de 1952. No discurso, Ho remete à revolução de agosto de 1945, quando o Viet Minh (liga pela independência do Vietnam), força revolucionária organizada para libertação nacional, conseguiu forçar a destituição do imperador Bao Dai, fantoche controlado pelo imperialismo francês, o que resultou na independência do Vietnam. Continue lendo “Sobre a Guerra de Guerrilha”

Descartes/Lacan

Por Alain Badiou, via Umbr(a) , traduzido por Rodrigo Gonsalves

O que ainda conecta Lacan (e esse “ainda” é a perpetuação moderna dos sentidos) ao tempo da ciência cartesiana é o pensamento de que é necessário manter o sujeito no vazio puro de sua subtração, se assim se quer que a verdade seja salva. Somente esse tal sujeito se deixa suturar na forma lógica e integralmente transmissível da ciência.

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