Movimentos sociais, política e marxismo

Por Jacques Ranciére, traduzido por Daniel Alves Teixeira

Se é bem verdade que o trabalho não faz mais um mundo (no Ocidente ao menos), que nós não sabemos que forma dar a um “povo novo”, que nós somos “órfãos de um mundo simbólico e vivido para nos apoiarmos”, isto é um luto ou antes uma oportunidade? Continue lendo “Movimentos sociais, política e marxismo”

Marx, expropriações e capital monetário – notas para o estudo do imperialismo tardio

Por Virgínia Fontes*, via O comuneiro

O descompasso entre capital fictício e capital efetivamente respaldado no processo de reprodução ampliada do valor se aprofunda com o predomínio do capital monetário, o que vem fomentando recorrentes crises capitalistas na atualidade. Continue lendo “Marx, expropriações e capital monetário – notas para o estudo do imperialismo tardio”

Mark Fisher foi o líder intelectual de uma geração

Por Jason Cowley, via newstatesman.com, traduzido por Rodrigo Gonsalves

Uma conseqüência (do Realismo Capitalista) são os sentimentos de impotência das pessoas. Outra é a incapacidade de conceber um futuro diferente do presente. “O sentimento de que não podemos expressar formas alternativas de ser e de pensar – para mim, é a principal coisa que o Realismo Capitalista faz bem ao personalizar os efeitos do neoliberalismo”. Continue lendo “Mark Fisher foi o líder intelectual de uma geração”

O Primado do Encontro sobre a Forma

Por Vittorio Morfino, traduzido por Zaira Rodrigues Vieira

Do ponto de vista teórico, o texto mais relevante na produção althusseriana dos anos oitenta é provavelmente o escrito datilografado que os organizadores dos Escritos apresentaram, fazendo, porém, escolhas redacionais muito precisas¹, intitulando-o Corrente subterrânea do materialismo do encontro. Trata-se de um texto extremamente fascinante no qual são apenas esboçados os traços de uma história subterrânea de um materialismo que escaparia à clássica oposição idealismo-materialismo – oposição de todo interna à história da metafísica ocidental: um materialismo da contingência e do aleatório, não dominado pelo grand principe “nihil est sine ratione”, que repercutiu, como disse Heidegger, na história do pensamento ocidental antes de ser enunciado por Leibniz. Continue lendo “O Primado do Encontro sobre a Forma”

Agonia e desespero do “marxismo ocidental”: rumo ao fim do “salário psicológico”?

Por Jones Manoel

“Criou-se na universidade um prestígio gigantesco para trotskistas e filo-troskistas formados nos anos 80 e 90. Eles reinaram hegemônicos por muito tempo. Sua derrota política, ausência de influência sobre as massas e isolamento cada vez maior foi compensado com a assunção ao cargo de marxismo “legítimo”. Criou-se uma situação que ao lado de Gramsci, Thompson, Lukács, Mészáros e outros, Trotsky podia ser inserido. Já Stálin e outros, como Fidel Castro ou Mao, óbvio que não. Era o salário psicológico.”

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Cinco Dificuldades no Escrever a Verdade

Por Bertolt Brecht via marxist.org, tradução de Florian Geyer.

O pensamento não é mais cultivado. E, quando é cultivado, termina sendo perseguido. Mesmo assim, sempre existem campos nos quais, sem perigo de ser apanhado, pode-se exercer com êxito o pensamento; são os campos nos quais até as ditaduras necessitam do pensamento. Pode-se provar os êxitos do pensamento nos campos da ciência militar e da técnica.

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A idealização da miséria e o esvaziamento político da violência em Bacurau

Por Rodolpho F. Borges

“Mas é claro: os democratas acreditam no toque das trombetas que fez ruir as muralhas de Jericó[1]. E toda vez que se deparam com os muros do despotismo, procuram imitar aquele milagre.”[2]

Não podemos cobrar de “Bacurau” uma explicação nem compromisso de expressar a realidade, mas uma alegoria, apesar disso, pode construir seus significados de maneira profunda, estabelecendo uma posição crítica sujeita a interpretações em contraposição à exposição de uma narrativa uníssona. Continue lendo “A idealização da miséria e o esvaziamento político da violência em Bacurau”

Tecnologias e Educação: uma reflexão crítica

Por Thiago Oliveira* 

Quando se fala de educação em tempos de sociedade tecnológica deve-se tomar cuidado para não cair em um maniqueísmo ou em um negacionismo. Não se está criticando a tecnologia em si, mas o uso que se faz dela, o modo como ela é produzida e controlada e o modo como se pretende aplica-la na educação para reproduzir um conformismo à ordem social vigente. 

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As Características Formais da Segunda Natureza

Por Alfred Sohn-Rethel, via SelvaJournal.org traduzido por Rodrigo Gonsalves*

Além disso, essa fórmula dá oportunidade para levantar a questão do método usado neste ensaio, da tentativa de desenvolver uma estética materialista. Como a análise marxista da transformação do dinheiro em capital foi aqui escolhida enquanto o ponto de referência para minha abordagem crítica, devemos considerar uma linha de raciocínio que diz que todas as obras de arte da era capitalista – tanto mais quanto “maiores” elas forem – devem ser vistas como nada além de objetos de culto fetichista do capital, apenas adequados para serem jogados na lixeira da história quando a humanidade finalmente deixar o capitalismo para trás, ou talvez até hoje, a fim de roubar o capitalismo de uma possível justificativa para sua existência continuada.

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O cristal vermelho – sobre o realismo de Thiago Cervan

Por Carlos Eduardo Carneiro*

Thiago Cervan sabe que cumprir a função de intelectual não é um dom, é fruto da superprodução de valores de uso da indústria capitalista e que ele, oriundo da periferia do ABC paulista, é uma das exceções que conseguiram, devido à inúmeras circunstâncias de vida, livrar-se da condição de exército reserva de trabalhadores imediatamente desempregados e adentrar nas relações sociais dos artistas, professores e outros intelectuais. Cervan é um assalariado não-proletário, ganha seu salário exercendo a função social de intelectual: é professor, palestrante, escritor.

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O que é a Organização Política?

Por Alain Badiou, traduzido por Diogo Fagundes*

Dizemos primeiro: que a situação é pior em outro lugar é realmente apenas um argumento para tolos ou preguiçosos. Pois isso não impede que seja muito ruim aqui, e que seja absolutamente necessário alterar isso. E que em outros lugares existam ditaduras ferozes não prova que haja “democracia” aqui. Mais tarde demonstraremos que esse não é o caso. Para dizer que a França hoje é um país democrático, precisamos de uma ideia muito fraca e muito baixa de democracia. Uma ideia que não tem nada a ver com o pensamento político do povo.

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Luta de classes e “identitarismo”: Emocionados no reino da ignorância iluminada

Por Heribaldo Maia

Recentemente foi publicado aqui no LavraPalavra um texto chamado: Luta de classes e movimentos identitários, ou A esquerda na encruzilhada de si mesma[i]. O texto era uma tentativa de trazer outro ponto de vista sobre a relação luta de classes vs movimentos identitários, Continue lendo “Luta de classes e “identitarismo”: Emocionados no reino da ignorância iluminada”

Um breve diálogo com Loic Wacquant sobre a onda punitiva em países da periferia capitalista

Por Thiago Sardinha

O estudo aborda a militarização como reflexo da crise estrutural do capitalismo a partir da critica da economia política, fazendo uso de autores marxistas e críticos de um capitalismo em ruínas para dialogar com o sociólogo francês Loic Wacquant.  Continue lendo “Um breve diálogo com Loic Wacquant sobre a onda punitiva em países da periferia capitalista”

Marx e Freud em Lacan: do imbróglio inextrincável à perfeita compatibilidade

Por David Pavón-Cuellar, via David Pavón-Cuellar blog, traduzido por Thales Fonseca, doutorando em psicologia pela UFSJ

Conferência organizada pelo Movimiento Freudomarxista na Facultad de Psicología da Universidad Autónoma de Nuevo León (UANL), em Monterrey, no dia 27 de setembro de 2018.  Continue lendo “Marx e Freud em Lacan: do imbróglio inextrincável à perfeita compatibilidade”

A luta pelo discurso constitucional no Brasil de hoje

Por Leonardo Godoy Drigo

O Brasil atravessa, hoje, período político controverso, cujos reflexos atingem em cheio os âmbitos social, econômico, cultural e, não por último, jurídico. A par da relação íntima e indissociável entre forma política estatal e forma jurídica que grassa no Ocidente desde as Revoluções burguesas do século XVIII, Continue lendo “A luta pelo discurso constitucional no Brasil de hoje”

Em defesa da traição

Por Slavoj Žižek, via Spectator.us traduzido por Rodrigo Gonsalves

Se nos importamos com o futuro das pessoas que formam as nações, o nosso bordão deveria ser: Estados Unidos por último, China por último e Russia por último. Comentários do pensador esloveno acerca da décima quarta conferência do G20 em Osaka, que ocorreu entre 28 e 29 de Junho de 2019. Texto original chamado ‘In defense of treason’ publicado em 9 de Julho de 2019. Continue lendo “Em defesa da traição”

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