A resistência na carne: aborto, capitalismo e a colonização do corpo feminino

Por Emilly Saas

A problemática do aborto que persiste, sobretudo, nos movimentos de mulheres e feministas tem carregado diversos aspectos legítimos e essenciais no debate; argumentações do Direito, da Psicologia, da Antropologia, das Ciências da Saúde animam a discussão para lembrar que sua criminalização é, na verdade, a criminalização da mulher, cuja classe social nos parece evidente. Continue lendo “A resistência na carne: aborto, capitalismo e a colonização do corpo feminino”

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Ética e história nos escritos de Maria Lacerda de Moura

Por Daniel Santos da Silva

Os movimentos de Maria Lacerda de Moura seguiam-se rapidamente – de seu livro publicado em 1918, Em torno da educação, já se veem ressalvas na obra seguinte, um ano após, chamada Renovação. Se os dias então corriam depressa, não é qualquer olhar que captaria sutilezas de seus trajetos em consonância com a experiência própria, a qual desde cedo fora engajada com a prática e a reflexão da educação. 

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Falta um programa para as mulheres

Por Ana Barradas, via Bandeira Vermelha

Alguns comunistas deixam-se cegar pela indignação ao verem-se comparados com quaisquer outros homens no que refere à questão feminina. Com isso não conseguem divisar o que há de verdadeiro nas afirmações segundo as quais também entre eles se reproduzem algumas das taras da sociedade patriarcal. Como tratar na tática e na ação imediata os problemas concretos da emancipação da mulher, dando-lhes expressão na política, em vez de os adiar para depois da revolução? Continue lendo “Falta um programa para as mulheres”

Das Greves de Mulheres para um Novo Movimento de Classe: A Terceira Onda Feminista

Por Cinzia Arruzza, via Viewpoint Magazine, traduzido por Ohana Meira

Essas greves, assim como as greves transnacionais do 8 de março, e em particular as greves argentinas e espanholas, são lutas de classes feministas. O movimento feminista está se tornando cada vez mais um processo de formação de uma subjetividade de classe com características específicas: imediatamente antiliberal, internacionalista, antirracista, obviamente feminista e tendencialmente anticapitalista, em excesso e em tensão com respeito às instituições tradicionais da esquerda e suas práticas. Naturalmente, esse processo não é o mesmo em cada país e é definitivamente mais avançado em alguns países do que em outros. E, no entanto, se considerarmos o movimento como um todo, é esse aspecto que representa sua maior novidade e incorpora as potencialidades mais interessantes. Continue lendo “Das Greves de Mulheres para um Novo Movimento de Classe: A Terceira Onda Feminista”

Calibã e a bruxa: notas críticas

Por Camila Carolina Hildebrand Galetti[1]

Publicado na língua inglesa em 2004 e apenas no ano passado em português, pela editora Elefante, o livro Calibã e a bruxa: Mulheres, Corpo e Acumulação Primitiva se propõe analisar os desdobramentos capitalistas sob uma perspectiva feminista. Considera o conceito de acumulação primitiva – funcional no pensamento marxista, porém, fazendo a crítica à análise de Marx, que partiu do ponto de vista do proletariado assalariado do sexo masculino e do desenvolvimento da produção de mercadoria. Continue lendo “Calibã e a bruxa: notas críticas”

Um Grande Despertar e seus perigos

Por Slavoj Žižek, via The Philosophical Salon, traduzido por Oleg Savitskii e Anna Savitskaia.

Em 7 de novembro de 2017, Judith Butler ajudou a organizar uma conferência em São Paulo. Embora o nome da conferência tenha sido “Os Fins da Democracia” e, portanto, não tenha tido nada a ver com o tema de transgênero, uma multidão de manifestantes de direita se reuniu do lado de fora do local do evento, Continue lendo “Um Grande Despertar e seus perigos”

A crise da reprodução capitalista e a formação de um novo “proletariado ex lege”

Entrevista de Silvia Federici realizada por Francesca Coin em 23.07.2017, via Nazione Indiana, traduzido por Rafael Almeida Lemos.

Nos anos setenta você foi a primeira a falar contra o trabalho doméstico mostrando como o processo de acumulação nas fábricas inicia-se sob o corpo da mulher. O que mudou nesses anos? Continue lendo “A crise da reprodução capitalista e a formação de um novo “proletariado ex lege””

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