Tecnologias e Educação: uma reflexão crítica

Por Thiago Oliveira* 

Quando se fala de educação em tempos de sociedade tecnológica deve-se tomar cuidado para não cair em um maniqueísmo ou em um negacionismo. Não se está criticando a tecnologia em si, mas o uso que se faz dela, o modo como ela é produzida e controlada e o modo como se pretende aplica-la na educação para reproduzir um conformismo à ordem social vigente. 

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Uma resposta a Alain Badiou

Por Daniel Bensaïd, via Libérationtraduzido por Leonardo Silvério e Pedro Barbosa

Na edição de 27 de janeiro, o Libération publicou uma longa entrevista com o filósofo Alain Badiou, onde ele expressou seu ceticismo com relação ao lançamento do Novo Partido Anticapitalista [NPA] [1]. O filósofo Daniel Bensaïd respondeu aqui. Continue lendo “Uma resposta a Alain Badiou”

Mariátegui e as táticas de frente única

Por Soraia de Carvalho e Jórissa Danilla N. Aguiar, via Lutas Sociais

As formulações do marxista peruano José Carlos Mariátegui são destacadas por sua criatividade no trato da questão indígena, da defesa da independência política do proletariado, entendido como direção das massas oprimidas. Desenvolveu sua elaboração teórica e seus intentos organizativos em um período de enrijecimento do debate político na Internacional Comunista. Neste artigo, delineamos como o Amauta trouxe para sua prática política as táticas de Frente Única Proletária e Frente Única Antiimperialista. Continue lendo “Mariátegui e as táticas de frente única”

A resistência na carne: aborto, capitalismo e a colonização do corpo feminino

Por Emilly Saas

A problemática do aborto que persiste, sobretudo, nos movimentos de mulheres e feministas tem carregado diversos aspectos legítimos e essenciais no debate; argumentações do Direito, da Psicologia, da Antropologia, das Ciências da Saúde animam a discussão para lembrar que sua criminalização é, na verdade, a criminalização da mulher, cuja classe social nos parece evidente. Continue lendo “A resistência na carne: aborto, capitalismo e a colonização do corpo feminino”

O Retorno do Político

Por Jorge Alemán, via Pagina 12, traduzido por Thales Fonseca

Em primeiro lugar, o título “O retorno do político”, já de entrada, dá a entender que o político parece ser algo que não está sempre presente, que não está aí, que não se apresenta a nós como algo estável, firme e consolidado. Se falamos da volta ou do retorno do político, quer dizer que o político pode ser evitado, reprimido, cancelado, esquecido, por isso para tratar este tema vou me valer da distinção entre o político e a política, e vou me referir a essa distinção clássica através dos percursos teóricos aos quais me sinto envolvido e preocupado.

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O cristal vermelho – sobre o realismo de Thiago Cervan

Por Carlos Eduardo Carneiro*

Thiago Cervan sabe que cumprir a função de intelectual não é um dom, é fruto da superprodução de valores de uso da indústria capitalista e que ele, oriundo da periferia do ABC paulista, é uma das exceções que conseguiram, devido à inúmeras circunstâncias de vida, livrar-se da condição de exército reserva de trabalhadores imediatamente desempregados e adentrar nas relações sociais dos artistas, professores e outros intelectuais. Cervan é um assalariado não-proletário, ganha seu salário exercendo a função social de intelectual: é professor, palestrante, escritor.

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Unidade e ação do povo organizado, poder popular e aprofundamento da democracia

Por Salvador Allende, via Marxists.org, traduzido por Thales Fonseca

Trecho do “Programa básico de la Unidad Popular” apresentado à consideração do povo chileno no dia 17 de dezembro de 1969, pouco menos de um ano antes da eleição de Salvador Allende no Chile, primeiro marxista a ser eleito democraticamente como presidente da república e chefe de estado no continente americano. Continue lendo “Unidade e ação do povo organizado, poder popular e aprofundamento da democracia”

O que é a Organização Política?

Por Alain Badiou, traduzido por Diogo Fagundes*

Dizemos primeiro: que a situação é pior em outro lugar é realmente apenas um argumento para tolos ou preguiçosos. Pois isso não impede que seja muito ruim aqui, e que seja absolutamente necessário alterar isso. E que em outros lugares existam ditaduras ferozes não prova que haja “democracia” aqui. Mais tarde demonstraremos que esse não é o caso. Para dizer que a França hoje é um país democrático, precisamos de uma ideia muito fraca e muito baixa de democracia. Uma ideia que não tem nada a ver com o pensamento político do povo.

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Regionalismo Crítico e Soberania Cultural – Notas sobre a Nova Arquitetura Andina

Por Bruno Santana

A cultura popular é um fantasma que assombra a teoria estetizante, historicista e desenvolvimentista da intelectualidade das artes, repercutindo em ruídos e olhares tortos as experiências que articulam a produção de uma contra-hegemonia na indústria cultural com um projeto popular de desenvolvimento nacional. Continue lendo “Regionalismo Crítico e Soberania Cultural – Notas sobre a Nova Arquitetura Andina”

Cracolândia na Maré. A vida e o uso de crack no Rio de Janeiro

Por Hannah Vasconcellos e Mirna Wabi-Sabi

Estamos no Complexo da Maré, favela da região norte do Rio de Janeiro. Um lugar de absurdos e potências, onde histórias costuradas entre si formam parte da história da cidade do Rio de Janeiro, do Brasil e do mundo. Lá, é escancarado o que a sociedade, em um misto de confusão e vergonha de si mesma, tenta esconder. Continue lendo “Cracolândia na Maré. A vida e o uso de crack no Rio de Janeiro”

Amor e ódio: Uma unidade de diversos no espirito revolucionário

Por Caique de Oliveira Sobreira Cruz[1]

Nesta sociedade fraturada em duas grandes classes, capital e trabalho, onde os capitalistas exploram e oprimem o povo, não podemos devolver o ódio da classe burguesa contra os despossuídos com a resignação, ou seremos atropelados, esmagados. O ódio aos exploradores é um meio de defesa contra as injustiças desta sociabilidade desigual, engendrada pelo sistema capitalista. Continue lendo “Amor e ódio: Uma unidade de diversos no espirito revolucionário”

O Capital é Masculino

Por Wilton Cardoso*

Com o desenvolvimento do capitalismo na segunda metade do século XX, os próprios trabalhadores devem se tornar também competitivos no mercado. A educação no mundo capitalista visa, em alguma medida, a cidadania, mas na maior parte se trata de uma preparação para o mundo impiedoso do mercado, para se tornar um profissional qualificado que consiga ser bem remunerado. Cada vez mais o trabalhador se torna um capital individual em concorrência com seus pares. As mudanças legislativas em favor da desregulamentação do trabalho, ao mesmo tempo reconhecem e reforçam tais tendências de hiper-individualização competitiva do trabalho.

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A China regrediu ao capitalismo? Reflexões sobre a transição do capitalismo para o socialismo

Por Domenico Losurdo, via medium.com, traduzido por Matheus Silva

Hoje em dia é comum falar sobre a restauração do capitalismo na China como resultado da Reforma e Abertura de Deng Xiaoping. Mas qual é a base desse julgamento? Existe algum tipo de socialismo que pode ser comparado com a realidade da atual situação socioeconômica na China hoje? Continue lendo “A China regrediu ao capitalismo? Reflexões sobre a transição do capitalismo para o socialismo”

Casa Grande & Cinema: Bacurau, o Carcará desidratado

Por André Queiroz

Contar o que se fez esquecer. Contar e cantar o que os doutos driblaram, desde a Cátedra, desde os corredores da Academia e seus imprescritíveis crimes de lesa humanidade (a burlesca história oficial), desde a máquina publicitária, perniciosa, de propaganda ideológica a que, eufemisticamente, se tem o costume de chamar de veículos de informação. Contar em cordéis sob o equilíbrio tênue de varal, pregador, mimeógrafo para que não se perca aquilo que nos é próprio – tradição rastos pegadas acúmulos de lutas e de lutos, de ações plasmadas ao estudo critico e às vanguardas que orientam para que não se esteja órfão de saber e condenado a começar sempre do zero. Para isto o contar do cordel. 

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O problema com a Jacobin no Brasil

Por Lise Ma

A revista Jacobin e sua filial brasileira são projetos na linha do que pode se considerar um renascimento/redescobrimento do Marxismo, direcionados à conscientização das classes médias sobre a extensão das grandes desigualdades atuais. Na prática, a revista soa mais como uma convocação à classes médias ascendentes (ou, aspirantes às mesmas) à liderança no processo de conscientização da classe trabalhadora. Continue lendo “O problema com a Jacobin no Brasil”

O Marxismo e a Questão Animal

Por Maila Costa

Se os animais, por não serem humanos, não fazem parte da nossa classe, também não fazem parte da classe dominante, e possuem muito mais em comum conosco do que com eles, seja em relação à exploração, à privação de liberdade ou à comoditização. A moral comunista, como desenvolvimento da moral proletária vislumbrada por Engels, só poderá ser construída com base na rejeição a todas as formas de opressão, portanto, consideradas as relações de produção presentes, devemos rejeitar a exploração animal, incorporando a luta por sua libertação à luta por emancipação humana, uma vez que não há justificativa, que não no moralismo burguês, para a aplicação industrial do sofrimento.

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