A derrota de Lenin

Por Francisco Martins Rodrigues, via marxists.org

“Estamos em condições bem mais difíceis do que durante a invasão direta dos guardas brancos”. “O Estado não funcionou como prevíramos, o carro não obedece ao condutor”. “Os comunistas julgam dirigir a máquina burocrática mas é ela que os conduz”. A dramática intervenção de Lenin perante o XI Congresso do partido, em Março de 1922, traça um momento-charneira nos destinos da Rússia. No horizonte desenham-se já os contornos da futura URSS de Stálin; para trás fica o fracasso da democracia dos sovietes. Poderia a revolução ter sido salva com outra política? Continue lendo “A derrota de Lenin”

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Uma conversa entre Inês Maia e Douglas Rodrigues Barros

Transcrito por Daniel Fabre

Este texto, que agora você lê, foi de uma conversa gravada secretamente, isto é, sem que os dois envolvidos no diálogo soubessem. Depois foi transcrito, editado por mim e revisto tantas vezes pelas duas pessoas envolvidas que se perdeu a coloquialidade do diálogo. Posteriormente, deram aval para a publicação. Havia mais gente na noite, mas, por razões explicitas, resolvi ocultar alguns nomes.

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Lenin: legalização e luta da classe operária

Por Vladimir Ilitch “Lenin” Ulyanov, via Marxists.org, traduzido por Rodri Villa

Com a publicação de “A Legalização da Classe Operária“, de Bernard Edelman, no Brasil, uma série de debates se animaram em meio à intelectualidade revolucionária a respeito dos limites e amarras do direito do trabalho ao movimento dos trabalhadores. Por um lado, essa crítica vigorosa ajudou a pôr em cheque uma série de pressupostos da esquerda reformista, que celebra cada conquista legal imediata como uma vitória definitiva das lutas operárias. Por outro lado, essa crítica muitas vezes se perdeu no abstencionismo, no ceticismo absoluto com as lutas por reformas em favor da classe trabalhadora, na forma de uma refutação genérica e abstrata a toda a legalidade, sem considerações quaisquer sobre seu conteúdo. Continue lendo “Lenin: legalização e luta da classe operária”

Arquiteto, Cidade e História: contradições e problemas candentes de nosso campo disciplinar

Por Vinícius Okada M. M. D’Amico

“O arquiteto não está excluído da influência determinante do capital. Pelo contrário, ele nasce a partir dela. A separação entre trabalho intelectual e trabalho manual no canteiro de obras corresponde a uma das etapas fundamentais no desenvolvimento das forças produtivas na sociedade capitalista. A superação do “trabalho autônomo” no canteiro e sua posterior fragmentação alienante, desemboca na característica fundante do “construir” moderno: a contradição elementar entre o canteiro e o desenho.” Continue lendo “Arquiteto, Cidade e História: contradições e problemas candentes de nosso campo disciplinar”

“Nenhum problema atual precisa de soluções técnicas. Se trata sempre de problemas sociais.”

Entrevista por Bernardo Álvarez-Villar, via El Salto, traduzido por Daniel Alves Teixeira

Anselm Jappe (Bonn, Alemanha, 1962) é um pensador impiedoso e vigoroso, alérgico a argumentos consoladores e a subterfúgios intelectuais. Junto com outros desviados da ortodoxia marxista (Robert Kurz na Alemanha, Moishe Postone no Estados Unidos, Luis Andrés Bredlow em Espanha), passou anos questionando os axiomas de uma esquerda que, pensa Jappe, tem sido incapaz de compreender as transformações do capitalismo nas últimas décadas.  Continue lendo ““Nenhum problema atual precisa de soluções técnicas. Se trata sempre de problemas sociais.””

Lênin, docente? Aproximando Vladimir Lênin e Bernard Schneuwly

Por Gabriel Lazzari*

Marx e Engels já apontavam os limites constitutivos da consciência no que tange à luta imediata dos trabalhadores em suas reivindicações diárias, sem vínculo com uma luta política mais ampla, ou seja, os limites da consciência chamada por Lênin de “trade-unionista”. É precisamente ao observarmos os termos em que Marx formula sua primeira abordagem da questão que conseguimos perceber que, em sendo as relações de produção mencionadas contraditórias internamente, também permitem o surgimento de uma consciência contraditória no seio do proletariado, ainda que limitada pela falta de compreensão da articulação total dos fenômenos que estruturam a sociedade capitalista, as lutas entre as classes, inclusive. Continue lendo “Lênin, docente? Aproximando Vladimir Lênin e Bernard Schneuwly”

Diferença Sexual e Ontologia

Por Alenka Zupančič, via E-Flux, traduzido por Matheus Cornely Sayão

Alenka Zupančič propõe traçar um caminho que vai desde a diferença sexual segundo as essencializantes ontologias e cosmologias tradicionais até, após a ruptura da filosofia e ciência moderna com a ontologia, as possíveis afirmações ontológicas que a psicanálise poderia oferecer. Em crítica à teoria queer, que Zupančič afirma dessexualizar o sexo, ela pretende demonstrar como a diferença sexual, para a psicanálise, se situa como uma falha entre o ontológico e o epistemológico, colocando o Real da diferença sexual na posição de algo que curva o espaço do ser. Continue lendo “Diferença Sexual e Ontologia”

Sobre a Frente Única dos Trabalhadores

Pelo Comitê Executivo da Internacional Comunista, via marxists.org, traduzido por Bruno Santana e Gabriel Landi Fazzio

De extrema atualidade, os debates da Internacional Comunista sobre a tática da Frente Única dos Trabalhadores perpassaram seu Terceiro (junho de 1921) e Quarto Congressos (novembro de 1922). Inúmeros debates se seguiram às breves considerações deliberadas no Terceiro Congresso Continue lendo “Sobre a Frente Única dos Trabalhadores”

Humanismo Socialista?

Por Herbert Marcuse, via Marxists.org, traduzido por Matheus Motta

Quase vinte anos atrás, Merleau-Ponty levantou a questão do humanismo socialista com clareza intransigente. A construção de uma sociedade socialista no dado período histórico é uma possibilidade real? Ele rejeitou a alternativa do humanismo e do terror: não há escolha entre violência e não violência, mas apenas entre duas formas de violência – capitalista e socialista. Continue lendo “Humanismo Socialista?”

“Pode ser que um certo nível de violência seja inevitável.”

Entrevista por Han Renard, via Le vif, traduzida por Daniel Alves Teixeira

Vestido em calças de trabalho verde e uma jaqueta de lã, Alain Badiou, em seu modesto apartamento no centro de Paris, mais parece um homem aposentado do que o homem considerado um dos maiores pensadores de nosso tempo. A ostentação cara aos intelectuais franceses é totalmente estranha para ele. 

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O Fetichismo da “Hegemonia”

Por Agustin Cueva, traduzido por Fernando Savella

Antonio Gramsci se converteu, sem dúvida alguma, numa referência obrigatória para todos os estudos que são feitos atualmente acerca da questão do Estado, tanto na Europa ocidental como na América Latina. De um certo ponto de vista, o autor italiano aparece inclusive como o verdadeiro fundador da ciência política marxista, finalmente livre, como dizem, do “dogmatismo” e do “economicismo” e, portanto, da concepção “instrumental” do Estado que havia caracterizado o pensamento leninista. Dessa forma, Gramsci se tornou uma espécie de ‘anti-Lenin’, dotado de incalculáveis projeções teóricas e políticas.

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As tarefas dos social-democratas russos

Por Vladimir Ilitch “Lenin” Ulyanov, via Marxists.org, traduzido por Gabriel V. Lazzari

Aqueles que acusam os social-democratas russos de terem uma visão estreita, de tentarem focar nos trabalhadores fabris em detrimento da massa da população trabalhadora, estão profundamente equivocados. Ao contrário, a agitação entre os setores avançados do proletariado é o mais certeiro e único jeito de insurgir (quando da expansão do movimento) o proletariado russo inteiro.

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Por que a crítica?

Por Fernando Savella

“Crítica” é uma ideia muitas vezes entendida como uma postura, independente de seu conteúdo. Se um liberal se contrapõe a um marxista, o liberal estaria criticando, e adotando uma postura crítica. Se um cético duvida de uma teoria, o faria como uma postura crítica contra algum “dogmatismo” teórico. Mas nenhuma tradição teórica incorpora tão bem o sentido de “crítica” quanto a teoria marxista. De fato, o grande centro da teoria marxista é a imanência da crítica: não há marxismo que não seja a crítica da ideologia, não há análise materialista que não seja a crítica de uma análise idealista. Continue lendo “Por que a crítica?”

Assange preso, o último passo da campanha de assassinato de uma reputação

Por Slavoj Žižek, via TheoryLeaks, traduzido por Bernardo Neves

A prisão de Julian Assange não foi um acontecimento súbito, disse o filósofo cultural Slavoj Žižek à RT. Em vez disso, foi bem planejado e o passo final de uma longa e feia campanha de difamação contra o fundador do WikiLeaks. Continue lendo “Assange preso, o último passo da campanha de assassinato de uma reputação”

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