Underground invertido: a pandemia dissimulada

Por Rodrigo Alencar*

O meme da pandemia é: “todos os protocolos estão sendo seguidos”. Quais protocolos? Todos! Então não sabemos se o estabelecimento está obrigando as pessoas a comerem de máscara ou diluindo cloroquina com ivermectina na água. A palavra “todos” pressupõe consensos científicos e sanitários que ainda são parcos e que, se seguidos seriamente, não estariam sendo abertos restaurantes, academias e shopping centers.  Continue lendo “Underground invertido: a pandemia dissimulada”

A Epidemia do Filósofo

Por Marco D’Eramo, via New Left Review, traduzido por Julio d’Avila

Não haverá recuperação. Haverá convulsão social. Teremos violência. Haverão consequências sociais e econômicas: desemprego dramático. Cidadãos sofrerão dramaticamente: alguns morrerão, outros se sentirão muito mal.” Continue lendo “A Epidemia do Filósofo”

Hip Hop, luta de classes e pandemia ou sobre como (re)politizar a cultura

Por Arthur Moura

“Quem promove a orientação política no seio da cultura Hip Hop e qual é a natureza dessa orientação? Há duas formas possíveis de analisar essa questão. Em primeiro lugar devemos pensar que é o corpo coletivo, nesse caso a junção de todos os elementos da cultura Hip Hop numa dinâmica entre forças conflitantes que dão o caráter da orientação política e estética da cultura. Em segundo lugar devemos perceber que há um setor hegemônico formado pelas diferentes cenas que gozando de influência, prestígio e estrutura material e organizativa influencia diretamente os rumos.”


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Distopia ou Utopia: Diante de quem o futuro se ajoelhará?

Por André Márcio

“Pois bem, pelo menos parece não restar uma dúvida: a de que a utopia precisa voltar a ser a chave benjaminiana contra os escombros do progresso e a catástrofe do futuro. É preciso escovar a história a contrapelo para vislumbrar uma saída diferente do que a mesma projeta para nós. Caso contrário, o freio de emergência pifou!” Continue lendo “Distopia ou Utopia: Diante de quem o futuro se ajoelhará?”

Reflexões sobre cansaço escópico durante a pandemia

Por Patrícia P. Ferreira e Clarice P. Paulon

Começamos escrevendo estas palavras que seguem utilizando o presente. Dias depois, quando voltamos para seguir a escrita, não sabíamos mais qual tempo verbal usar. Estamos em meados de junho e no Brasil, na cidade de São Paulo (e em muitas outras), o momento é de ‘reabertura’ ao mesmo tempo em que a curva de contaminação e morte continua em ascendência. Seguimos assistindo pelas janelas, insistindo no presente. Continue lendo “Reflexões sobre cansaço escópico durante a pandemia”

Palavras angustiantes para uma situação angustiante: a triste crise orgânica e social em que vivemos

Por Caique de Oliveira Sobreira Cruz*

O operário é constrangido a viver nessas casas já arruinadas porque não pode pagar o aluguel de outras em melhor estado […] De quando em vez, diante da ameaça de epidemias, a sonolenta consciência dos serviços de higiene é despertada (ENGELS, 2010, p.101). Continue lendo “Palavras angustiantes para uma situação angustiante: a triste crise orgânica e social em que vivemos”

“Classe” artística e Covid-19: falando sobre o básico

Por Ali do Espirito Santo

Venho acompanhando algumas zonas de reclamação surgirem no meio artístico ligado às artes visuais, cênicas e afins. Essas zonas, criadas no facebook através de postagens individuais ou correntes desesperadas para o aumento de seguidores no instagram e divulgação a esmo de trabalhos pessoais, refere-se a chegada de uma suposta crise econômica, a qual resultará em uma série de efeitos colaterais, entre eles o cancelamento de trabalhos devido ao Covid-19 e um certo espanto para um possível fim do horizonte fragmentado da teologia neoliberal e suas consequências para a “classe” artística. Estar preocupado com isso é obviamente legítimo, e sim, o momento é para movimentar-se, mesmo que sem sair do lugar, já que o ciberespaço é o que restou para tal. Continue lendo ““Classe” artística e Covid-19: falando sobre o básico”

O guia de sobrevivência da quarentena de Slavoj Žižek: prazeres culposos, Assassinos de Valhalla e finja que isso é apenas um jogo.

Por Slavoj Žižek, via RT, traduzido por Victor Pimentel

Para lidar com a pressão mental durante a pandemia de coronavírus, minha primeira regra é que esse não é o momento para buscar autenticidade espiritual. Sem qualquer constrangimento – assuma todos os pequenos rituais que estabilizam sua vida cotidiana. Continue lendo “O guia de sobrevivência da quarentena de Slavoj Žižek: prazeres culposos, Assassinos de Valhalla e finja que isso é apenas um jogo.”

Depois de amanhã: o vírus que desperta ao econômico (?)

Por Phillipe Augusto Carvalho Campos

O Guy Debord continua sendo um farol pra esse mundo em que vivemos, seu diagnóstico fundamental é o de que nossas expressões são integralmente cópias de imagens. Como se, ao comprar uma calça, já tivéssemos feito a inferência sobre quem queremos ser, qual imagem queremos passar, ao vestir aquela calça – desnecessário dizer que esse exemplo serve muito melhor para as redes sociais e para mercadorias cuja escassez é programada (o IPhone é paradigmático). Continue lendo “Depois de amanhã: o vírus que desperta ao econômico (?)”

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