Quando o povo nativo da Carolina do Norte expulsou a KKK

Por Liberation School, traduzido por Catarina Duleba

A vitória da tribo Lumbee na Batalha de Hayes Pond, obscurecida da maioria dos livros didáticos, continua a ser um modelo para todos os povos oprimidos que desejam lutar – e prova de que a vitória é possível.


Racistas derrotados em 1958 na Batalha de Hayes Pond

Na década de 1950, o movimento pelos direitos civis ganhou um grande impulso, abalando o sistema de supremacia branca de Jim Crow e provocando uma resposta cruel de seus partidários. O grupo mais notório que lutou para defender a segregação foi a Ku Klux Klan. Na Carolina do Norte e na Carolina do Sul, a Klan operou sob a liderança de Grand Dragon James “Catfish” Cole, iniciando uma campanha de terror que incluiu assassinatos, ameaças e a queima de cruzes para intimidar negros em muitos condados e cidades. Além de visar ativistas e “criadores de problemas”, os casais inter-raciais foram tratados de maneira semelhante.

Paralelo aos atos de terrorismo, Cole organizou comícios públicos em toda a região para defender a segregação. Em 1957, a campanha de terror da Klan teve como alvo o povo Lumbee, uma nação indígena do condado de Robeson, na Carolina do Norte. A Klan chamava os Lumbees de “mestiços” por causa de seu casamento com pessoas de outras nacionalidades. Cole disse ao Greensboro Daily News: “Há cerca de 30.000 mestiços em Robeson County e vamos queimar algumas cruzes e assustá-los”.

O conflito se intensificou em 13 de janeiro de 1958, quando a Klan queimou uma cruz na propriedade de Lumbee na cidade de St. Paul. A Klan tinha como alvo uma mulher Lumbee e um homem branco que viviam juntos, o que a Klan considerou uma consequência horripilante de “relaxamentos na barreira racial”.

A Klan há muito tempo funcionava como uma força paramilitar para policiar e aplicar os rígidos códigos raciais do sul. Atacar violadores individuais era um método preferido para demonstrar sua capacidade de violência, para se apresentar como “defensores da raça branca” e para evitar maiores desafios políticos para Jim Crow – em suma, manter todos em seu lugar.

Em outubro de 1957, a Klan já havia sofrido um golpe desmoralizante nas mãos dos heroicos esquadrões de autodefesa negros liderados por Robert F. Williams no condado de Monroe.

Mostrar sua força contra a tribo Lumbee não dizia respeito apenas a um único casal, mas parte do esforço de Cole para mostrar e reconstruir a força da Klan, a fim de afastar o crescente movimento de libertação dos negros.

Em vez de intimidar o povo Lumbee, no entanto, a Klan encontrou uma força determinada e armada que os expulsou da área.

A derrota da Klan em Hayes Pond

Em 18 de janeiro de 1958, Cole agendou uma demonstração da Ku Klux Klan perto da cidade de Maxton, na Carolina do Norte. Para Cole, o sucesso deste comício era crucial para a sua liderança continuada da Klan nas Carolinas, dada a sua derrota no Condado de Monroe.

Desde o início, o xerife de Maxton, Malcolm McLeod, aconselhou James Cole que sua vida estaria em perigo se ele executasse a manifestação. O xerife não se opunha à repugnante mensagem da demonstração de Cole, mas estava preocupado com sua segurança.

A manifestação foi recebida por uma grande e disciplinada força de pessoas Lumbees armadas dispostas a defender sua dignidade e autodeterminação. Cole vislumbrou uma audiência de milhares de simpatizantes, mas foi recebido por não mais do que cinquenta racistas, comparado a quinhentos Lumbees que cercaram a manifestação.

A força anti-Klan destruiu o amplificador de Cole, sinalizando o início da ofensiva. O povo Lumbee atacou e abriu fogo. Os racistas foram rapidamente esmagados e entraram em pânico, fugindo do condado de Robeson. Cole correu para o pântano de Hayes Pond, após o qual a batalha foi batizada, deixando sua esposa para trás na briga.

O xerife posicionou dois policiais à paisana na manifestação, que dispararam gás lacrimogêneo para proteger os racistas. O povo Lumbee se dispersou, mas não antes de expulsar a Klan.

A vitória da tribo Lumbee provou ser o golpe fatal na carreira de Catfish Cole como líder da supremacia branca. A Klan não teve presença no Condado de Robeson por décadas após sua derrota. Catfish Cole, se tornou uma responsabilidade para a classe dominante local por sofrer derrotas nos condados de Monroe e Robeson e foi processado e preso por incitar um motim.

O legado da comunidade militante de Lumbee é levado adiante por outros povos indígenas que lutam contra organizações racistas semelhantes. Em Dakota do Norte, grupos racistas brancos estão tentando dominar a pequena cidade de Leith, mas sofreram um golpe quando uma grande manifestação indígena interrompeu seus esforços de organização.

A vitória da tribo Lumbee na Batalha de Hayes Pond, obscurecida da maioria dos livros didáticos, continua a ser um modelo para todos os povos oprimidos que desejam lutar – e prova de que a vitória é possível.

Veja também: Como combater o fascismo?

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