O futuro ausente: Um filme sobre a conjuntura política atual

Por Arthur Moura

Este ano de 2019 apesar das dificuldades em vários níveis consegui finalizar mais um filme que estará disponível dia 17 de dezembro exclusivamente na plataforma Bombozila. Na verdade todo filme é uma obra coletiva. Há, portanto, muitas pessoas envolvidas direta e indiretamente o que possibilita a realização de uma obra. Destaco aqui amigos, familiares e produtores como os camaradas que assinam a trilha sonora, Marcelo Martins e Vito Ribeiro. Essas trilhas sem dúvida elevaram o nível deste novo trabalho. Este é um filme que nasceu depois que realizei uma série de entrevistas para pensar o momento político atual fazendo um quadro chamado “Análise de conjuntura”.


No canal da 202 filmes tem todo este material na íntegra, além, claro, dos treze filmes anteriores produzidos pela produtora. É preciso pensar a política por meio da história e o desejo de eternização do poder, como aponta o professor Maurício Vieira ao final do filme, sabemos bem não é possível, ainda que haja perenidade em determinadas esferas de reprodução da dominação sempre bom lembrar de classe. Por isso, por mais que haja todo tipo de manobra do Estado e da burguesia para manter-se eternamente como estrutura dominadora é falsa a tese que o capitalismo é a última forma de relação possível entre os humanos e os momentos de crise denunciam isso de forma explícita sendo a comprovação os efeitos sociais gerados pela lógica liberal. É disso também que fala o filme. Por mais que este setor ultra-direitista esteja excitado em suas manifestações, sabemos que a luta é capaz de destruí-los. A repressão brutal do aparato coercivo estatal e de setores civis de extrema-direita é a manifestação concreta da necessidade do uso da força como última forma de manutenção dos privilégios de classe.

Por isso os militares têm tanto poder e sua função primordial ao longo dos golpes de Estado na América Latina foi garantir a dominação da classe burguesa nacional e internacional. Os recentes golpes em países da América Latina ao mesmo tempo em que garantem o aprofundamento da crise por meio das privatizações e completo abandono com relação aos setores mais desfavorecidos, concentra cada vez mais riqueza nas mãos da pequena elite capitalista que jamais abdicará da sua condição de classe e os militares estão aí para garantir a dominação burguesa. As forças armadas, portanto, são historicamente inimigos dos oprimidos e isso já é tão evidente que não precisamos ter dúvidas. Cabe aos trabalhadores tomar a frente o processo revolucionário que é sempre violento e decisivo e que não é pior do que a burguesia fará se preciso for para manter-se como classe dominante no seu delírio pela eternização do poder. Todo o conjunto de ações criminosas da extrema-direita que vem ocorrendo tem como função social normalizar o fascismo como alternativa à crise que aí está. Por isso fiz questão de frisar no filme a crise estrutural do capitalismo de 2008.

O fascismo é real e virulento e os trabalhadores devem se preparar para o pior. Ao mesmo tempo, como bem coloca a professora Camila Jourdan, não virá da esquerda partidária qualquer alternativa real que contemple os trabalhadores, pois a social democracia historicamente esteve muito mais preocupada em salvaguardar a existência e manutenção do capital do que romper definitivamente com este modelo econômico. E assim continua sendo até os dias atuais com o agravo do cinismo dos políticos ainda mais evidente. O reformismo é uma ameaça aos trabalhadores. Os políticos da esquerda partidária vêm prestando um verdadeiro desserviço aos trabalhadores e isso é tema debatido no filme ainda que rapidamente. Essas estruturas partidárias servem para arrefecer as tensões de classe agindo com a máxima discrição no empenho de uma luta emancipatória. Os partidos são estruturas burocráticas que já atestaram sua falência em diversas experiências sociais. A deixa de José Chasin em seu livro O Futuro Ausente é de suma importância, pois devemos nos preparar para algo de uma magnitude segundo o autor ainda desconhecida a nível mundial.

O arremate aflitivo do século, evidente em todos os planos, há de conduzir a inteligência, de algum modo e sob pressões cada vez mais amplas e agudas, ao enfrentamento de um complexo montante de desafios, que em teor e grau não conhece precedentes. É do que pode consistir, hoje, uma posição de manifesto otimismo ponderado, que antes expressa o peso do mal-estar contemporâneo do que confiança em algum vago despertar das consciências. (…) A agudização sofrida pelo complexo problemático obriga que se admita e fale em futuro ausente, como a enervação que perpassa e a canga que esmaga a existência contemporânea.  (O Futuro Ausente – José Chasin)

A crise estrutural do capitalismo não necessariamente criará por si só condições para a possível emancipação dos trabalhadores. Essa emancipação de classe depende de organização, luta, enfrentamentos, perdas e ganhos. É um processo longo e de embates profundos. É um processo a ser enfrentado com convicção e determinação. E sabemos que os primeiros passos para uma condição revolucionária começa a ser gestada em diversos lugares no mundo e o Brasil certamente não está fora dessa. O cinema político deve voltar sua artilharia contra os inimigos, pois eles atacam sem pestanejar e agem covardemente produzindo o mais tosco revisionismo histórico, como bem coloca o professor Christian Dunker ao criticar Olavo de Carvalho, figura abjeta, mas que ainda assim ganhou notória visibilidade e influência no governo. Bolsonaro é a representação mais baixa dos valores e práticas cultuados pela extrema-direita, que defende com unhas e dentes o neoliberalismo mais voraz contra tudo e contra (quase) todos. Apenas uma parcela muito pequena e específica desfruta de vantagens deste governo. Mas é bom lembrar que o problema central não é da ordem de um governo ou outro, mas sim do capitalismo como sistema sócio-metabólico que se reproduz devastando tudo que encontra pela frente. A defesa deste modelo só é possível para setores mais abastados. Aos trabalhadores e todos os setores oprimidos resta a luta sempre visando a construção de uma sociedade livre da dominação e da opressão. Não se esqueçam de compartilhar o filme, pois só assim podemos cada vez mais contribuir decisivamente neste processo.


Clique aqui para ver o trailer do filme


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