Políticas do coronavírus

Por David Pavón-Cuéllar, via Revolución news, traduzido por Thales Fonseca

Em lugar de reduzir o coronavírus ao que não é, ao significado que lhe é atribuído ou à utilização que lhe é dada, podemos reconhecer nele simplesmente o que é e, assim, analisar como pode ser utilizado e significado.


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O que significa ser militante?

Aqui há uma profunda lição hegeliana: o que fica acentuado no palco trágico da vida é que o abismo existente, aquilo que nos separa e nos distancia do Outro, aquela ilusão que temos a respeito de uma pessoa que supostamente se encaixa naquilo que acreditamos, aquilo que me separa de você e do mundo, quando observado… (Inaudível no áudio), quando descubro que nada do que acredito ser, é aquilo que eu acredito ser, essa descoberta, para muitos dolorosa, se constitui como verdade. É a negação daquilo que acreditamos ser, o que constitui o que somos – como deixa evidente as lições de Fanon. E para nos projetarmos nessa negação é preciso negar aquilo que nos nega, ou seja, tornar indiferente as diferenças que me separam do outro, apreendendo-as na sua efetividade… Continue lendo “O que significa ser militante?”

O que é a Organização Política?

Por Alain Badiou, traduzido por Diogo Fagundes*

Dizemos primeiro: que a situação é pior em outro lugar é realmente apenas um argumento para tolos ou preguiçosos. Pois isso não impede que seja muito ruim aqui, e que seja absolutamente necessário alterar isso. E que em outros lugares existam ditaduras ferozes não prova que haja “democracia” aqui. Mais tarde demonstraremos que esse não é o caso. Para dizer que a França hoje é um país democrático, precisamos de uma ideia muito fraca e muito baixa de democracia. Uma ideia que não tem nada a ver com o pensamento político do povo.

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A esquerda deve temer a ruína? Notas sobre a crise da democracia no Brasil

Por Thales Fonseca (Doutorando em Psicologia pela UFSJ)

Trata-se de tentar traçar um breve percurso que vai desde a instauração da chamada Nova República, com a promulgação da constituição de 1988, passando por momentos de relativa harmonia social a partir de meados da década de 1990 e na primeira década dos anos 2000, chegando, enfim, às manifestações de profunda insatisfação popular em 2013, que parecem ter se configurado como um preâmbulo do que hoje se apresenta como uma profunda crise de nosso sistema democrático.  Continue lendo “A esquerda deve temer a ruína? Notas sobre a crise da democracia no Brasil”

Trinta maneiras de facilmente reconhecer um velho marxista

Por Georges Peyrol (a.k.a. Alain Badiou), traduzido por Rodrigo Gonsalves

Georges Peyrol foi publicado pela primeira vez em 1983, “30 moyens de reconnaître à coup sûr un vieux-marxiste” em Le Perroquet 29-30 (1983), pp. 5-6 e mais recentemente resgatado e traduzido por Alberto Toscano e Nina Power para o Journal for Images and Politics (2006) – Prelom n.08. No entanto, é na obra ‘Living in the End of Times’ (Vivendo no fim dos Tempos) de Slavoj Žižek (p.461) que encontramos para além do resgate da crítica de George Peyrol ao velho marxista (dado os traços apontados, possivelmente seu ex-orientador Louis Althusser), a apreciação de Frank Ruda que em sua tradução da obra de Badiou “Peut-on pense la politique?” nos informa que este se trata de um pseudônimo usado por Alain Badiou. Continue lendo “Trinta maneiras de facilmente reconhecer um velho marxista”

“Pode ser que um certo nível de violência seja inevitável.”

Entrevista por Han Renard, via Le vif, traduzida por Daniel Alves Teixeira

Vestido em calças de trabalho verde e uma jaqueta de lã, Alain Badiou, em seu modesto apartamento no centro de Paris, mais parece um homem aposentado do que o homem considerado um dos maiores pensadores de nosso tempo. A ostentação cara aos intelectuais franceses é totalmente estranha para ele. 

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Problemas com a (in)existência

         Por Daniel Alves Teixeira, membro do Círculo de Estudos da Ideia e da Ideologia.

O recém-lançado livro “Ensaio sobre mortos-vivos: The Walking Dead e Outras Metáforas”, organizado por Diego Penha e Rodrigo Gonsalves, e contendo textos de diversos autores, entre eles Christian Dunker, Ivan Estêvão e Mlader Dolar, para citar somente alguns dos nomes mais conhecidos do público em geral, possui diversos méritos dignos de destaque, que vão desde a arrojada edição do livro Continue lendo “Problemas com a (in)existência”

“Estamos em um novo começo do pensamento marxista”

Entrevista de Alain Badiou por Mathieu Dejean, via LesInrocks, traduzido por Daniel Alves Teixeira.

Alain Badiou é um dos raros militantes maoístas franceses que não renunciaram ao seu compromisso de juventude, neste caso a União dos Comunistas da França Marxista-Leninista (Ucf-ml). Filósofo de renome mundial, traduzido em muitos países, ele é autor de um importante trabalho, dedicado tanto ao teatro, à poesia, ao amor quanto à política. Continue lendo ““Estamos em um novo começo do pensamento marxista””

Sobre o obscurantismo contemporâneo

Por Alain Badiou, via Theory Leaks, traduzido por Daniel Alves Teixeira

Do que devemos chamar as extraordinárias construções intelectuais que são as obras de Darwin, Marx e Freud? Não são estritamente ciências, mesmo que a biologia – incluindo a biologia contemporânea – seja pensada dentro do quadro darwinista. Certamente elas não são filosofias, mesmo que a dialética, esse antigo nome platônico para a filosofia, tenha tido um novo momento através de Marx.  Continue lendo “Sobre o obscurantismo contemporâneo”

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