A Epidemia do Filósofo

Por Marco D’Eramo, via New Left Review, traduzido por Julio d’Avila

Não haverá recuperação. Haverá convulsão social. Teremos violência. Haverão consequências sociais e econômicas: desemprego dramático. Cidadãos sofrerão dramaticamente: alguns morrerão, outros se sentirão muito mal.” Continue lendo “A Epidemia do Filósofo”

Hip Hop, luta de classes e pandemia ou sobre como (re)politizar a cultura

Por Arthur Moura

“Quem promove a orientação política no seio da cultura Hip Hop e qual é a natureza dessa orientação? Há duas formas possíveis de analisar essa questão. Em primeiro lugar devemos pensar que é o corpo coletivo, nesse caso a junção de todos os elementos da cultura Hip Hop numa dinâmica entre forças conflitantes que dão o caráter da orientação política e estética da cultura. Em segundo lugar devemos perceber que há um setor hegemônico formado pelas diferentes cenas que gozando de influência, prestígio e estrutura material e organizativa influencia diretamente os rumos.”


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Distopia ou Utopia: Diante de quem o futuro se ajoelhará?

Por André Márcio

“Pois bem, pelo menos parece não restar uma dúvida: a de que a utopia precisa voltar a ser a chave benjaminiana contra os escombros do progresso e a catástrofe do futuro. É preciso escovar a história a contrapelo para vislumbrar uma saída diferente do que a mesma projeta para nós. Caso contrário, o freio de emergência pifou!” Continue lendo “Distopia ou Utopia: Diante de quem o futuro se ajoelhará?”

Reflexões sobre cansaço escópico durante a pandemia

Por Patrícia P. Ferreira e Clarice P. Paulon

Começamos escrevendo estas palavras que seguem utilizando o presente. Dias depois, quando voltamos para seguir a escrita, não sabíamos mais qual tempo verbal usar. Estamos em meados de junho e no Brasil, na cidade de São Paulo (e em muitas outras), o momento é de ‘reabertura’ ao mesmo tempo em que a curva de contaminação e morte continua em ascendência. Seguimos assistindo pelas janelas, insistindo no presente. Continue lendo “Reflexões sobre cansaço escópico durante a pandemia”

Um cheiro de perfume podre: paranoia, negação e militares

Por André Márcio

“O Brasil pandêmico tem um cheiro de perfume podre e todos nós sabemos de onde ele vem. Na verdade, esse cheiro está hoje disseminado por toda a nossa sociedade. Ele vem das valas comuns abertas para jogar os corpos produzidos pela ignorância do governo Bolsonaro. O mesmo cheiro vem dos corpos putrefatos nos hospitais e frigoríficos à espera dessas valas, pois sequer o reboque para levá-los dá conta da quantidade. O perfume podre vem dos corredores lotados de doentes miseráveis, moribundos, à espera que alguém saia da UTI, vivo ou morto.”

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Autofagia social, coronavírus e política da Terra

Por Danilo Augusto de Oliveira Costa

“O futuro, o clímax do capitalismo no qual sua configuração atual se encontra mais próxima do seu conceito – dinheiro que gera dinheiro – é o momento em que não só grande parte da população se torna supérflua e sacrificável para a manutenção, em última instância, da sobrevida do sistema econômico. Continue lendo “Autofagia social, coronavírus e política da Terra”

Os velhos novos problemas da união europeia no gerenciamento da crise do coronavírus

Por Kommunistische Organisation, traduzido por Raul Floriano

Em algumas poucas semanas, desde o início da pandemia do Covid-19 e de sua consequente crise econômica, o caráter fundamental da União Europeia emergiu como havia tempo que não fazia. A conversa sobre “solidariedade europeia” –  que na realidade sempre foi uma frase vazia de propaganda para consagrar esta confederação de Estados com bênçãos mais nobres – revelou, mais uma vez, toda a medida de seu absurdo diante do comportamento de alguns Estados. Continue lendo “Os velhos novos problemas da união europeia no gerenciamento da crise do coronavírus”

“Classe” artística e Covid-19: falando sobre o básico

Por Ali do Espirito Santo

Venho acompanhando algumas zonas de reclamação surgirem no meio artístico ligado às artes visuais, cênicas e afins. Essas zonas, criadas no facebook através de postagens individuais ou correntes desesperadas para o aumento de seguidores no instagram e divulgação a esmo de trabalhos pessoais, refere-se a chegada de uma suposta crise econômica, a qual resultará em uma série de efeitos colaterais, entre eles o cancelamento de trabalhos devido ao Covid-19 e um certo espanto para um possível fim do horizonte fragmentado da teologia neoliberal e suas consequências para a “classe” artística. Estar preocupado com isso é obviamente legítimo, e sim, o momento é para movimentar-se, mesmo que sem sair do lugar, já que o ciberespaço é o que restou para tal. Continue lendo ““Classe” artística e Covid-19: falando sobre o básico”

Estado, crise e pandemia: Sobre o necessário manifesto de Mascaro e suas fundamentações

Por Thais Hoshika e Romulo Cassi Soares de Melo

O novo coronavírus encontra, expõe e amplifica as fissuras do velho vírus do capital. A obra de Mascaro se assenta sobre três pontos que merecem destaque: o fundamento não natural da crise; a intensificação da crise como possível resposta à crise; e a provável investida do autoritarismo no caso brasileiro. Continue lendo “Estado, crise e pandemia: Sobre o necessário manifesto de Mascaro e suas fundamentações”

Do futuro, a técnica e o Planeta dos Macacos

Por Ignacio Martín-Baró, via UCA.edu, traduzido por Thales Fonseca

Em uma recente sequência cinematográfica, cada vez mais medíocre, se fantasia sobre a possibilidade de um mundo em que uma raça de macacos “hominizados” tomaria o lugar do atual “homo sapiens”, relegado então a um neoselvagismo primitivo. [1] A causa desse hipotético transtorno o constituiria como um desdobramento da agressividade humana, uma falta de controle sobre os recursos técnicos e, portanto, uma irresponsável autodestruição do gênero humano. Continue lendo “Do futuro, a técnica e o Planeta dos Macacos”

Puxando um fio solto: reprodução na periferia no epicentro da pandemia

Por Cecília F. Teixeira e Elisabeth Zorgetz

“Onde a casa emerge como um espaço de trabalho (agora não apenas o locus socialmente determinado do trabalho doméstico) e precisa ser esquadrinhada entre o home office, a escola virtual, as reuniões profissionais, políticas, acadêmicas e várias outras atividades que ocorrem normalmente na esfera pública, pode se dizer que o momento é mais que privilegiado para evidenciar a importância do trabalho reprodutivo no dia-a-dia. Porém, apelar moralmente por essa atenção é um caminho que nos joga no fosso comum da racionalidade afetiva sobre a reprodução. Para todos os lados que se olha, a oportunidade em participar equilibradamente das tarefas domésticas e de cuidado para os membros da família não está sendo aproveitada, muito distante disso: cozinhar, lavar, limpar, atender, cuidar, tratar, educar etc. são tarefas que se replicaram nas casas e as mulheres viram sua carga de trabalho aumentada.” Continue lendo “Puxando um fio solto: reprodução na periferia no epicentro da pandemia”

Quando a grande ficha cair

Por Henrique Suricatto

Li na última quinta, uma matéria bem extensa pros padrões do Valor Econômico, cujo título se chama “Brasileiros temem crise devastadora, segundo pesquisa”(1). A centralidade aponta pra uma percepção nos trabalhadores que a crise financeira que vai acontecer – já está acontecendo – pós pandemia do Covid-19 será pior que a paralisia das atividades econômicas provocadas pelas medidas sanitárias adotadas pelo estado por segurança sanitária necessária. Essa analise, vem ganhando corpo entre os economistas burgueses e mesmo entre o campo da Esquerda Classista(2). Continue lendo “Quando a grande ficha cair”

O guia de sobrevivência da quarentena de Slavoj Žižek: prazeres culposos, Assassinos de Valhalla e finja que isso é apenas um jogo.

Por Slavoj Žižek, via RT, traduzido por Victor Pimentel

Para lidar com a pressão mental durante a pandemia de coronavírus, minha primeira regra é que esse não é o momento para buscar autenticidade espiritual. Sem qualquer constrangimento – assuma todos os pequenos rituais que estabilizam sua vida cotidiana. Continue lendo “O guia de sobrevivência da quarentena de Slavoj Žižek: prazeres culposos, Assassinos de Valhalla e finja que isso é apenas um jogo.”

Depois de amanhã: o vírus que desperta ao econômico (?)

Por Phillipe Augusto Carvalho Campos

O Guy Debord continua sendo um farol pra esse mundo em que vivemos, seu diagnóstico fundamental é o de que nossas expressões são integralmente cópias de imagens. Como se, ao comprar uma calça, já tivéssemos feito a inferência sobre quem queremos ser, qual imagem queremos passar, ao vestir aquela calça – desnecessário dizer que esse exemplo serve muito melhor para as redes sociais e para mercadorias cuja escassez é programada (o IPhone é paradigmático). Continue lendo “Depois de amanhã: o vírus que desperta ao econômico (?)”

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