Corpo e (é) política

Por Naiara Pereira da Silva

O corpo é política pura. Em seus acúmulos e externalizações, mostram quão sã ou corrompida se faz o governo que o preside: o inconsciente. A politicagem do corpo, assim como a politica propriamente dita é puramente estabelecida na base de troca de interesses e favores, quem fica como regulador deste setor é o principio de prazer. A consciência, meramente tratando o Ego em senso comum é o povo alienado que acredita ser o controlador de tudo, mas é apenas a finalidade de uma junção de sistemas que o pré-determina.


Nosso aparelho psíquico, assim como nosso sistema politico tem andado tão doente, que o estado febril em que se encontra o paralisa frente às tentativas e necessidades de mudança. É para frente que se anda, a cada dia uma nova oportunidade de recomeçar, mas porque é nos agarramos ao mesmo? Ao retrocesso politico, aos modos e bons costumes que tem gerado novos facistas, nazistas, consumistas doentios e amores que como nos apontou Bauman; tornaram-se líquidos, esvaindo entre os dedos. Porque reelegemos instâncias, claro que com boas intenções. Mas de boas intenções o inferno tá cheio (alguém manda buscar Trump e Bolsonaro), mas que não servem para esses novos tempos, tempos modernos, pós-modernos, como quiserem.

Temos, em tese, respostas, mas a aplicabilidade para se fazer novo tudo de novo é um tanto utópica. Remenda-se, como em uma colcha de retalhos o que se pode fazer para melhorar, mas como uma costureira em suas primeiras tentativas de ponto luva, o remendo não sai tão agradável aos olhos de todos, mas já é um bom começo, toma-se. É difícil olhar o “feio”, e por quê? É ruim tocar na ferida, mas ela está exposta. Alienar-se do feio é fácil, tentar esquecer a ferida, nem sempre. Estamos sempre tocando, retirando a casca, dificultando sua cicatrização.

Bebo da fonte da Psicanálise, mas não a tomo como verdade una e divina. Sei que me serve. Esquenta os pés quando sinto que o frio está frio por demais para andar sem proteção, assim como outras vertentes teóricas da Psicologia, por vezes me pego pensando porque tantos outros profissionais a escolhem; imediaticidade, penso. Psicanalise é complicadinha e leva um tempo, o tempo do analisando e mesmo assim pode ser que a análise deste sujeito dure uma vida inteira e o sintoma continue lá. O analista não é bom o suficiente? Diz-se que a análise se dá até onde foi a análise do analista, mas não só. Entretanto, é difícil largar o sintoma, porque esse (por incrível que pareça) proporciona gozo.

É difícil mudar o sistema politico, porque tem uns que roubam, mas fazem. Pior ficar com quem não faz nada. Cara nova na politica? Melhor não. Nem sabemos quem ele é. Tem que ter nome, aliados, conhecidos. É difícil se livrar de um sintoma instalado; “Todo mundo é assim. Ninguém é perfeito. Eu sou humano. Nasci assim, vou morrer assim”. É acúmulo. Ninguém experimentou ser leve. Alguém já o foi? O capital e o capitalismo é um acumulo de máscaras. Mascarados somos. Elas constituíram nossa civilidade. (sic) Ou entendemos e suportamos a ideia de sermos hipócritas e continuamos a usar delas ou nos livramos dos acúmulos a fim de vislumbramos uma sociedade composta de seres cada vez mais humano e menos material – acúmulo -, pois em tudo se exige equilíbrio. Aulas de malabarismo para todos!

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