As origens britânicas do Estado de Israel: o sionismo e as disputas imperialistas no Oriente Médio

Por Camarada Guerra

O presente artigo busca compreender as raízes histórico-políticas do sionismo, marcado pelo surgimento do nacionalismo e desenvolvimento do imperialismo, que assume novas formas, a partir das mudanças profundas na ordem capitalista, compreendidas na virada na do século XX. Assim, ao analisar as origens do conflito Israel-Palestina, busca-se compreender o sionismo enquanto instrumento de dominação do imperialismo, expresso em sua totalidade na consolidação do Mandato Britânico na Palestina, que respondeu simultaneamente aos anseios do capital e do movimento sionista.


As origens do conflito Israel-Palestina remontam séculos de História. Entretanto, para compreendê-las, faz-se indispensável a introdução de alguns aspectos que percorrem esta discussão, provando ser o conflito fruto decorrente da dinâmica histórica de seu tempo, incapaz de ser compreendido por si só, sem que haja atenção acerca dos processos históricos que constroem esta dinâmica capaz de perdurar tantos séculos de angústia e tensão entre os povos. Portanto, faz-se necessário, desde início, pontuar a relação crônica entre a criação do Estado de Israel e os processos vividos na Europa Moderna, que marcava o século XIX com as guerras de unificação, as revoluções burguesas, a criação dos Estados Nacionais, e a consequente reorganização da ordem mundial de acordo com as demandas do sistema capitalista, que emergia dos destroços do Antigo Regime.

A crescente acumulação de capital, característica fundamental do funcionamento do sistema capitalista, gera crises que exigem da estrutura produtiva a capacidade de adaptar-se de acordo com as novas circunstâncias. O desenvolvimento de novas medidas de produção e circulação atua reconfigurando a política internacional, evidenciando a necessidade da mundialização, de expansão da esfera de produção e consumo para além da Europa. É nesse contexto que o imperialismo, na sua origem moderna, cumpre o papel de inserção “no sistema internacional europeu daquelas partes do mundo que ainda estavam fora. [O desenvolvimento do imperialismo] completou a construção da rede global de relações econômicas, estratégicas e políticas, que foram dominadas pelos principais Estados da Europa.”. (DÖPCKE 2007, p. 78)

A hegemonia da política econômica liberal como ideologia capaz de sustentar a estrutura produtiva que se constituía e de promover a emancipação política no Ocidente – através das revoluções burguesas -, garantiu que, com a criação de Estados Nacionais sob o modelo liberal, tivesse início um período permanente de disputa entre estas nações, numa busca contínua pelo controle da ordem mundial, recorrendo tanto à estratégias comerciais, quanto ao conflito armado para alcançar seus objetivos. O desenvolvimento do fenômeno do nacionalismo e da noção de pertencimento à um território através de uma identidade coletiva, foi capaz de sustentar politicamente este processo de constituição e disputa entre os Estados modernos.

A Grande Guerra (1914-1916) surge enquanto expressão maior dos interesses inconciliáveis dos diferentes Estados Nacionais, varrendo os resquícios da antiga ordem, e desmembrando forças incapazes de travar a árdua disputa entre potências capitalistas. O Império Turco Otomano, que aglomerava províncias com relativa autonomia de organização, tem seu fim decretado com o fim da Primeira Guerra, assim como demais territórios pertencentes às potências perdedoras, que perdem sua administração e ficam a mercê das decisões tomadas à quatro paredes pelos países vencedores.

Dessa forma, impulsionado pela concepção de progresso e civilização, consta, no artigo 22 de fundação da Liga das Nações (organização responsável pelo acordo de paz entre os países vencedores) a “missão sagrada de civilização” delegada às potências vencedoras da guerra, então responsáveis pela tutela dos “povos incapazes de se dirigirem por si próprios”. Estabelecia-se, então, o sistema de Mandatos.

“Os princípios seguintes aplicam-se às colônias e territórios que, em consequência da guerra, cessaram de estar sob a soberania dos Estados que precedentemente os governavam e são habitados por povos ainda incapazes de se dirigirem por si próprios nas condições particularmente difíceis do mundo moderno. O bem-estar e o desenvolvimento desses povos formam uma missão sagrada de civilização, e convém incorporar no presente Pacto garantias para o cumprimento dessa missão. […] O melhor método de realizar praticamente esse princípio é confiar a tutela desses povos às nações desenvolvidas que, em razão de seus recursos, de sua experiência ou de sua posição geográfica, estão em situação de bem assumir essa responsabilidade e que consistam em aceitá-la: elas exerceriam a tutela na qualidade de mandatários e em nome da Sociedade” (LIGA DAS NAÇÕES, 1919. art. 22)

A partir do final da Primeira Guerra, as políticas imperialistas tomam nova forma no Oriente Médio. Em um cenário de intensa concentração de capital – decorrente da dinâmica de desenvolvimento desigual [1] do sistema capitalista – e de poder político – resultante da vitória na guerra – por parte das potências vencedoras, principalmente Inglaterra e França, acirra-se a disputa pelos territórios anteriormente dominados pelo Império Turco Otomano e pela Alemanha. Nesse sentido, o sistema de Mandatos formaliza a política de dominação colonial europeia aplicada na região, tornando-se um instrumento de controle imperialista fundamental para a expansão da estrutura capitalista mundialmente.

“Quanto mais desenvolvido está o capitalismo, quanto mais sensível se toma a insuficiência de matérias-primas, quanto mais dura é a concorrência e a procura de fontes de matérias-primas em todo o mundo, tanto mais encarniçada é a luta pela aquisição de colônias.” (LÊNIN, 2011. p.209) [2]

Também neste cenário, algumas décadas antes da Grande Guerra, ainda em meados do século XIX, surge um novo movimento nacionalista, o sionismo. Diante da perseguição histórica – acentuada com o surgimento dos pogroms russos – e fragmentação do povo judeu, concentrado em grandes contingentes no continente europeu, nasce enquanto fruto dessa luta por emancipação política dos judeus na Europa Oitocentista e também enquanto solução para a dita questão judaica, que resumia-se “na miséria que vivem os judeus” [3]. (HERZL 1976, p.45). Partia-se da compreensão de que o povo judeu só alcançaria sua emancipação e superaria as perseguições se estivesse sob a proteção de um Estado seu, como tantos outros povos europeus.

O presente artigo busca compreender as raízes do movimento sionista, raízes estas engendradas a partir do fenômeno do nacionalismo, da compreensão liberal de Estado Nação e da reorganização da ordem mundial de acordo com os dinâmica do capitalismo, para assim compreender seus desdobramentos ao longo da História. Faz-se necessário, portanto, debruçar-se acerca das origens e motivações políticas que constituíram o sionismo enquanto movimento nacionalista capaz de cooptar apoio de potências imperialistas na conquista de seus objetivos. Busca-se entender a forma com que se constrói a solução para a questão judaica, sob os moldes liberais da Europa Ocidental, para então perceber a ligação que se estabelece entre o movimento sionista e as aspirações do imperialismo europeu na região escolhida para criação do lar nacional judeu, a Palestina.

As origens do sionismo político

No início do século XX, ainda nos anos 20, em meio à uma população de cerca de 757.000 habitantes na Palestina, somente 83.000 eram judeus, sendo reduzida a parcela de imigrantes motivados por questões religiosas. [4] O surgimento e fortalecimento do sionismo enquanto movimento político de ressurgimento nacional alterou profundamente a dinâmica demográfica do território palestino, sendo responsável pelas migrações massivas empreendidas ao longo das primeiras décadas do novo século, em diante, proporcionando as condições ideais à criação do Estado de Israel, apenas 50 anos depois.

Embora o termo sionismo já estivesse em uso desde meados dos anos 1890, é em 1896 que o jornalista judeu austro-húngaro Theodor Hertzel firma seus princípios políticos ao lançar a obra O Estado Judeu, um folheto escrito em alemão, distribuído inicialmente no leste europeu. Diante da perseguição histórica dos judeus e da experiência ainda recente dos pogroms russos, era cada vez mais intensa a fragmentação deste povo pelo mundo, principalmente na Europa.

Nesse sentido, o autor constrói a ideia de Judenfrage, ou a questão judaica, sustentada a partir do crescente anti-semitismo – principalmente europeu e pelo caráter histórico das perseguições. Esta seria a questão a ser resolvida a partir da proposta de Hertzl, que defendia a necessidade da criação de um lar nacional judeu através da unificação desse povo sob a tutela de um Estado Nacional próprio, aos moldes de potências européias. De acordo com as ideias que pregava, o povo judeu só estaria livre das perseguições e das mazelas sofridas historicamente, quanto estivesse devidamente protegido, sob a administração de um Estado Nacional moderno exclusivamente judeu.

É perceptível a associação da solução para questão judaica proposta por Hertzel aos moldes europeus de Estados Nacionais modernos, justamente por ter sido um projeto político gestado na Europa, sob a égide dos movimentos nacionais modernos. Estes funcionaram no sentido de reorganizar e adaptar a configuração geopolítica, em virtude da estrutura produtiva capitalista em expansão global. É diante de um cenário marcado pelo nacionalismo e pelas crescentes disputas imperialistas que surge o movimento sionista político, adequando a solução para as perseguições do povo judeu aos moldes convenientes à nova ordem capitalista, seguindo os passos das burguesias liberais europeias.

A respeito das motivações ideológicas do sionismo, é fundamental ressaltar que a construção do plano de ação capaz de solucionar a questão judaica, proposto por Hertzel no século XIX e posteriormente aprofundado por líderes sionistas como David Ben-Gurion [5] e Chaim Weizmann [6], ancorou-se firmemente nas motivações religiosas do judaísmo.[7] Visto que ao tempo da determinação da Palestina como local escolhido para construção do lar nacional judeu a comunidade sionista não chegava nem à 5% da população residente em território palestino, o esforço do movimento sionista foi justamente de criar uma interpretação das escrituras sagradas que de alguma forma pudesse sustentar a aplicação das políticas colonialistas e de expulsão à força do povo árabe de sua terra.

“Em outras palavras, o sionismo secularizou e nacionalizou o judaísmo. Para realizar seu projeto, os pensadores sionistas reivindicaram o território bíblico e recriaram-no, de fato o reinventaram como o berço de seu novo movimento nacionalista.” (PAPPÉ, 2016. p.31)

O início da trajetória histórica do movimento sionista é marcado pela realização, em 1897, na Basileia, do primeiro Congresso Sionista, presidido por Hertzel, responsável por parte significativa das formulações básicas do movimento. No intuito de popularizar a ideia e expandir a base política e ideológica do sionismo entre a própria comunidade judaica – principalmente entre a classe média, que ainda apresentava grande desaprovação -, organizou-se o encontro, que posteriormente seria lembrado como um dos marcos fundadores do movimento sionista.

A partir da identificação do problema, era necessário um plano de ação [8]. Foi nestes termos que produziu-se o Programa do 1° Congresso, que, além de definir efetivamente a escolha da Palestina enquanto local a ser implantado o lar nacional judeu, fundamentava o plano em três aspectos principais [9]: organização, negociação e colonização.

No que diz respeito à organização, num esforço de criar um aparato de quase-Estado, implementou-se a Organização Sionista Mundial, que serviria enquanto autoridade suprema do movimento sionista e órgão central, responsável por todas as formulações estratégicas – fossem elas políticas, econômicas, científicas ou culturais – do movimento sionista antes e depois da criação do Estado de Israel.

“As diferentes formações da referida organização [Organização Sionista Mundial] tem desempenhado um papel destacado e decisivo no desenvolvimento do sionismo mundial. São essas formações que elaboraram e executaram todos os planos do complô sionista que precederam a criação do Estado de Israel. A ação de tais formações segue seu curso ininterruptamente no sentido de consolidar as estruturas desse Estado, assegurando-lhe prestígio político, apoio financeiro, fornecimentos militares, contribuições científicas e organizando toda a classe de propaganda para granjear a simpatia e apoio de todo o mundo.” (TRIKI, 1979. p. 21)

No que concerne a questão da negociação, tem início um esforço diplomático, revelado nas diversas tentativas de conciliação buscadas nos anos seguintes, inclusive por parte do próprio Hertzel, no sentido de angariar apoio de potências mundiais – Inglaterra, Alemanha, Rússia e até o Império Turco Otomano. Desde o início, é explícito a escolha dessa tática, de conciliação com forças imperialistas – e governos assumidamente antissemitas – para auxiliar no processo de criação das condições políticas que permitiriam a consolidação do projeto sionista. Oferecia-se, em troca do apoio ao plano sionista de ocupação do território palestino, a certeza de que os interesses da determinada potência seriam assegurados e representados pelo Estado judeu, que serviria como um “braço” da política de seu aliado. Nesse sentido, fica evidente desde o início, a conveniência do projeto de criação do lar nacional judeu na Palestina aos interesses das potências imperialistas, principalmente a Inglaterra, que terminaria por ser a nação escolhida.

Até a consolidação da aliança britânica-sionista, formalizada em 1902, não cessaram as tentativas de negociação por parte do próprio Hertzel, inclusive com as lideranças da Rússia czarista, a mesma que, contraditoriamente, teria sido uma das forças responsáveis pela acentuação da própria questão judaica, através das históricas perseguições antissemitas e do estabelecimento dos progroms. A proposta de Hertzel, entretanto, era apresentada e formulada de maneira a servir aos interesses das potências imperialistas, na medida que oferecia como moeda de troca um ponto de influência no Oriente Médio e ainda provocava a diminuição da população judaica tanto na Rússia, quanto na Europa, de maneira a centrar os esforços na aplicação de políticas de colonização do território palestino.

Finalmente, no que tange o ponto específico da colonização, o Programa do Congresso da Basiléia estabelece os devidos instrumentos necessários para implementação de uma colonização imediata da Palestina, suplantada por um programa nacionalista de caráter essencialmente liberal. Através do financiamento sionista, com a criação de um banco exclusivamente destinado à compra de lotes de terras na Palestina e das demais políticas de fomento das Aliot [10] seguintes, principalmente após a Segunda Guerra Mundial, o movimento sionista foi o principal responsável pelo aumento rápido e intenso da população judaica em terras palestinas, ainda nas primeiras décadas do século XX.

É fundamental compreender como, desde o início, tanto na definição da estratégia – fundação de um lar nacional judeu aos moldes dos Estados Nacionais modernos -, quanto nas orientações táticas – que compreendiam, desde o início, a necessidade do apoio externo, através da aliança com potências globais do capitalismo -, a solução proposta pelo movimento sionista serviu convenientemente aos anseios das potências à frente da disputa imperialista de expansão do modelo de produção capitalista através da partilha do mundo. Esse fato fica ainda mais evidente a partir do estreitamento das relações com o governo britânico, principalmente a partir do fim da Primeira Guerra Mundial, culminando no estabelecimento do Mandato Britânico.

O projeto imperialista britânico para o Oriente Médio

A condição da França e da Inglaterra como vencedoras da Primeira Guerra alterou profundamente a dinâmica das disputas entre as potências europeias, principalmente no que diz respeito ao Oriente Médio. A desagregação do Império Turco Otomano, que detinha o controle de territórios estratégicos para ordem capitalista, criou as condições necessárias para o início de uma nova empreitada por parte do imperialismo europeu: a disputa pelo controle e influência dos territórios árabes e pela garantia da inserção da região na ordenação capitalista.

As determinações que resultaram dos acordos definidos pela Sociedade das Nações, que culminaram no estabelecimento dos sistemas de Mandato e na consolidação do controle britânico sobre o território palestino, foram fruto de uma série de negociações e políticas levadas a frente pelo governo da Inglaterra, tanto com forças internas ao conflito, quanto externas. É importante trazer salientar as duas faces da estratégia utilizada pelo imperialismo britânico, que, durante todo o curso da Primeira Guerra não faltou com promessas tanto às lideranças árabes, quanto ao movimento sionista.

Desde o ano de 1915, até o fim da Grande Guerra, o esforço inglês na negociação com os árabes foi constante, sendo ainda documentado através da chamada Correspondência Hussein-McMahon, um compilado de cartas trocadas pelo Alto Comissário Britânico no Egito, responsável pelo acordo, e o Xerife Husseim, Protetor das Cidades Sagradas do Islã. O documento, ainda que seja marcado por ambiguidades e imprecisões constantes, revela a tentativa britânica de conter as movimentações árabes através de uma falsa promessa, sinalizando apoio ao estabelecimento do Califado Árabe do Islã a ser instituído após a queda do Império Turco Otomano.

Em novembro de 1918, a Declaração Anglo Francesa firmou a promessa na forma de um acordo de princípios por parte do governo da França e da Inglaterra, que garantia o apoio aos movimentos de libertação das províncias controladas pelo Império Turco Otomano. Em troca, as potências britânicas e francesas teriam preferência em todos os acordos econômicos estabelecidos a partir daquele momento na região. O acordo serviu como tentativa de eliminar as suspeitas árabes a acerca das supostas pretensões colonialistas e imperialistas das potências europeias no Oriente Médio, que não tardaram em ser confirmadas das piores maneiras possíveis.

Simultaneamente às negociações entre ingleses e árabes, é certo que Inglaterra e França conjecturavam o fim da guerra e a nova configuração do Oriente Médio, de acordo com seus anseios imperialistas. O acordo de Sykes-Picot, que contou com a participação da Rússia czarista e que só veio ao conhecimento público um ano depois, após a eclosão da Revolução Bolchevique, em 1917, materializou as pretensões de divisão da região às custas das potências europeias que lideravam a disputa. Ao mesmo tempo que definia as zonas de influência de cada uma, flertava com as lideranças árabes, sinalizando apoio à criação de uma Confederação de Estados Árabes, mantendo a ilusão de que seus interesses eram compatíveis com as aspirações nacionais árabes.

Por outro lado, o mesmo esforço britânico era notado nas negociações com o movimento sionista, que, segundo Weizmann, manifestava sua “mais viva simpatia e o maior interesse”[11] em colaborar com as aspirações dos judeus. Desde 1896, o próprio Hertzel já identificava os interesses mútuos entre o movimento nacionalista judeu e as aspirações imperialistas britânicas no Oriente Médio, ao colocar, em uma correspondência ao Lorde Salisbury, a proposta nos seguintes termos:

“A criação de um Estado judeu na Palestina, dotado de autonomia interna como o Egito, e dependente da soberania otomana, constitui fator que interessa à política britânica no Oriente Médio considerar dentro de seu justo valor. (…) Competirá ao Lorde Salisbury, em sua execução, dar o golpe de maestro. (…) A criação de um Estado judeu na Palestina pode ser considerada como possível se beneficiarmo-nos do apoio de uma grande potência. (…) Tal apoio deverá ser secreto. Interessa à Grã Bretanha possuir, por sua própria conta, uma linha ferroviária através da Palestina. Auriferá daí grandes benefícios, sem gastar um centavo.” [12]

A contradição da política britânica nas negociações entre árabes e judeus é revelada publicamente em 1917, quando é divulgada a Declaração Balfour [13], na qual o “o governo inglês selou o destino sangrento do Oriente Próximo ao longo de todo o século XX” (GATTÁZ, 2002. p.42). O documento formaliza, ainda que de forma timidamente ambígua, o reconhecimento por parte do governo britânico do direito dos judeus à criação de um lar nacional na Palestina. Representava, portanto, a conquista formal do apoio britânico – e posteriormente norte-americano – ao projeto de ocupação judaico. Em troca, o movimento sionista, por baixo dos panos, se comprometeria com o esforço de envolver os Estados Unidos ao lado das potências aliadas na guerra. O cenário desenhava-se de maneira cada vez mais favorável à realização das aspirações sionistas, ao passo que os árabes pagavam o preço do trato.

“Assim, sem outra forma de processo, foi decidido, com um rasgo de pena em Londres, capital da Grã-Bretanha, a sorte da Palestina árabe e de seus habitantes. A sorte dos povos do Oriente Árabe, por numerosas gerações, havia sido decidida no curso de uma transação concluída entre o sionismo mundial e o imperialismo anglo-americano. Pacto que concedeu a cada uma das partes a porção que cobiçava. Quanto ao preço, coube aos árabes pagá-lo integralmente. (…) Esse preço é aquele que, desde 1918, os árabes têm pago com seu suor, seu sangue e sua dignidade, (…) preço que não cessam de pagar e pagarão ainda mais duramente na Palestina, até o dia em que libertarem sua terra e salvarem sua dignidade ferida, recuperando seu direito natural e legítimo.” (TRIKI, 1979. p.77)

Nos anos que sucederam o fim da Primeira Guerra Mundial, revelou-se o processo de partilha do mundo [14], liderado pelas potências vencedoras através da Liga das Nações, organização internacional formada para formular o acordo de paz da Primeira Guerra – mas que demonstrou ter formulado muito mais. Motivado pela emergência de uma reorientação da dinâmica mundial, ocorreu às custas da expansão da estrutura capitalista e do processo de acumulação de capital, decorrente da política de livre concorrência. Nesse cenário, o movimento sionista agiu de forma a estreitar mais ainda os laços com o governo britânico, que naquele momento assumia um papel ainda mais central do que anteriormente, colocando-se enquanto melhor opção de aliança para os sionistas.

Nesse sentido, os recursos empregados pelo movimento sionista – desde o Congresso de Versalhes até a Carta da Liga das Nações – agiram no esforço de pressionar o cumprimento da promessa britânica expressa na Declaração Balfour. Partindo da compreensão de que a aliança britânico-sionista sustenta-se na posição central da Inglaterra na disputa imperialista pela partilha do mundo, é evidente que a tática sionista age em consonância com os interesses colonialistas no Oriente Médio.

As mobilizações por parte da Organização Sionista Mundial atuavam no sentido de garantir que a Grã Bretanha fosse a potência responsável pelo controle do território palestino, para, dessa forma, se beneficiar da aliança firmada nos anos que precederam o fim do conflito. Era fundamental que a promessa britânica ao movimento sionista fosse legitimada através da adesão formal dos demais países vitoriosos, ou seja, do apoio das potências europeias que compunham a Liga das Nações.

Dessa forma, como almejava o movimento sionista político, em abril do ano de 1920, o controle do Oriente Médio foi garantido à França e à Inglaterra, através do sistema de Mandatos. Ancoradas na noção de missão civilizadora, que um século antes teria sustentado à colonização e o genocídio das populações latino-americanas, as nações europeias vitoriosas legitimaram formalmente o domínio neocolonial não só do Oriente Médio, mas das regiões asiática e africana. A contradição nunca estivera tão explícita: ao mesmo tempo que a organização defendia pro forma o direito de autodeterminação dos povos, estabelecia um sistema formal de controle dos territórios, detendo autonomia plena para sua administração. Em seu artigo 22, a Convenção da Liga das Nações expressa:

[…] Certas comunidades que outrora pertenciam ao Império Otomano, atingiram tal grau de desenvolvimento que sua existência como nações independentes pode ser reconhecida provisoriamente, com a condição que os conselhos e o auxílio de um mandatário guiem sua administração até o momento em que forem capazes de se conduzirem sozinhas. Os desejos dessas comunidades devem ser tomados em primeiro lugar em consideração para escolha do mandatário. (LIGA DAS NAÇÕES, 1919. art. 22)

A redivisão dos territórios perdidos pelo Império Turco Otomano e pela Alemanha promoveu grandes mudanças na configuração geopolítica, garantindo as condições necessárias pro avanço do modelo de produção capitalista globalmente, sob o mando do imperialismo europeu. Nesse mesmo sentido, em consonância com o papel central que paulatinamente foi sendo adquirido pelos Estados Unidos no cenário mundial, vai tomando forma também nos marcos da aliança americano-sionista, que se consolidaria nos anos seguintes de maneira cada vez mais evidente.

O Mandato Britânico na Palestina

De início, faz-se necessário pontuar que no momento da implementação do sistema mandatário na Palestina, fica nítida a convergência entre os interesses do imperialismo britânico de controle e influência do território árabe e os anseios sionistas de consolidação de um lar nacional judeu no próprio documento que estabelece os termos de funcionamento do sistema de Mandatos. Os anos que seguiram sob administração britânica mostraram-se responsáveis pela facilitação no desenvolvimento das condições materiais necessárias à criação do Estado de Israel em 1947, contando com o compromisso ferrenho das forças britânicas, nas palavras do Alto Comissário na Palestina Mandatária, em aplicar uma política voltada para o fomento “da imigração progressiva de judeus até o momento em que fosse suficientemente forte para impor o direito desses de criar um governo judeu na Palestina”.[15]

“É irônico que o instrumento de mandato inicie-se com uma sentença que nega todo o discurso de independência e autodeterminação – ‘O Mandatário deve ter amplos poderes de legislação e administração’. Nos termos do mandato, nenhuma referência é feita à colaboração dos árabes na administração da Palestina, ou qualquer referência a um corpo político para servir aos interesses dos habitantes locais, enquanto abundam as referências à cooperação da agência judaica na administração e desenvolvimento do lar nacional judeu em território árabe-palestino. Nenhum palestino foi jamais consultado quanto à escolha da nação mandatária, como definido no Artigo 22 da Carta das Nações.” (GATTÁZ, 2002. p. 56)

Durante a maior parte do Mandato Britânico, o projeto sionista avançou devido às condições necessárias garantidas através da aliança anglo-sionista. As políticas de fomento à imigração de colonos judeus contaram com todos os recursos de que dispunha o governo britânico, inclusive para garantir a instalação das instituições que vieram a constituir o Estado de Israel, posteriormente. Para tanto, “o controle a agência de imigração estava nas mãos das organizações sionistas, que selecionavam os imigrantes para a Palestina de acordo com suas convicções políticas e religiosas, e não por suas qualificações.” (GATTÁZ, 2002. p.61).

Mais do que isso, era legalmente assegurado à Organização Sionista Mundial o direito de representação da comunidade judaica, enquanto por parte da população árabe nativa, não existia representação alguma. Além de evidenciar a posição política de aliança anglo-sionista permitiu o aumento demográfico exponencial da população judaica na Palestina, que, se no ano de instituição do Mandato era de 83.000 residentes judeus, em 1947 esse número ultrapassava 600.000. [16]

A administração britânica formalizou, ainda, a instituição do hebreu enquanto língua oficial, junto ao árabe, fortalecendo os laços identitários e nacionais do povo judeu com aquela terra, em detrimento da presença legítima e resistência permanente por parte da população árabe nativa. Além disso, permitiu o fortalecimento do braço armado do movimento sionista, o Haganá, que tornaria-se o primeiro núcleo do Exército israelita, ainda que a lei não permitisse o armamento por parte de civis. Durante a liderança sionista de Ben-Gurion durante o Mandato Britânico, foi central o fortalecimento da questão de segurança como parte significativa dos esforços do movimento, chamada de bitachon [17]. o Este seria um fator crucial para compreender o aumento do tensionamento entre árabes e judeus nos anos seguintes e o caráter essencialmente militarista do Estado de Israel.

“Bitachon era então, e permanece até o momento atual, um metatermo usado por dirigentes sionistas e, mais tarde, israelenses, para cobrir uma vasta gama de questões e justificar muitas linhas políticas essenciais, da compra de armas no estrangeiro, luta interna com outros partidos.” (PAPPÉ, 2016. p.46)

O movimento de incentivo à imigração judaica auxiliado pelo governo britânico foi seguido pelo movimento de sionização da terra. A compra de lotes para estabelecimento e disseminação de assentamentos judeus na Palestina foi uma das táticas adotadas desde o início pelo movimento sionista, que pressionou, ainda, para que a Administração britânica concedesse a transferência das terras de domínio público aos judeus após o fim do Mandato, que em 1918 já compreendiam 42% da propriedades registradas. [18]

Cada vez mais vão se desenhando as condições necessárias para garantir implantação do projeto sionista em sua totalidade, diretamente relacionado ao crescimento demográfico intenso da comunidade judaica em território palestino. Nesse sentido, passa-se a debater com mais afinco a questão da transferência da população árabe nativa após a criação do lar nacional judeu. Prevaleceu a posição do líder histórico sionista, Ben Gurion, de que “uma vez estabelecido o Estado de Israel, os árabes que ali permanecessem seriam expulsos à força, assim como seriam obtidas novas terras para os assentamentos judaicos” (GATTÁZ, 2002. p.62).

A partir da Segunda Guerra Mundial, diante da instauração e avanço do regime nazista na Alemanha, que deu novo caráter de genocídio em massa à perseguição do povo judeu, o aumento da imigração sionista é chocante, ultrapassando os 30% da população já no final da década de 30.[19] A alteração profunda da composição demográfica do território palestino passa a ser um fator de conflito central no aumento do tensionamento da resistência palestina, junto do paulatino avanço dos objetivos sionistas com respaldo do Mandato Britânico. Neste momento, os movimentos de oposição árabes dirigiam-se majoritariamente aos britânicos, não aos colonos judeus.

“Todas as declarações de pessoas e organizações representando a sessão árabe tendem a enfatizar o fato de que o movimento árabe é um movimento de resistência à política do poder mandatário, somente em sua capacidade como mandatário” (GATTÁZ, 2002. p.66)

O cenário torna-se cada vez mais instável, diante do desgaste e dificuldade da Administração do Mandato frente às campanhas anti-britânicas tocadas pelos movimentos nacionais árabes. A organização da resistência árabe em resposta às traições do governo britânico e seu apoio explícito ao projeto sionista, torna-se cada vez mais um obstáculo fundamental para o acirramento da crise que marcou os últimos anos da presença britânica na Palestina. Além disso, a crescente recorrência de conflitos armados entre árabes e judeus motiva a formação da Comissão Peel, em 1937, formada para investigar a situação na Palestina.

Embora o Relatório decorrente dos trabalhos da Comissão existisse também em função da defesa do histórico inglês na Palestina, e ainda estivesse alinhado com as determinações da Declaração Balfour, reconhece a força e a justiça das demandas pela independência palestina. De certa forma, prevê o fim iminente da Administração britânica, já extremamente desgastada naquele ponto, recomendando uma solução para questão palestina, baseada na concepção de dois Estados para dois povos que previa a partilha entre os árabes e judeus. É evidente que as declarações não agradam o movimento sionista que, já descontente com a política decadente da Administração britânica, intensifica o fluxo de imigração clandestina de judeus para a Palestina e passa articular politicamente o fim do Mandato Britânico.

Ao findar da Segunda Guerra Mundial, em 1939, é publicado o Memorando McDonald, que reitera e formaliza a reavaliação da questão palestina por parte da Grã Bretanha, causando maior descontentamento entre o movimento sionista e consequente aumento dos conflitos entre árabes e judeus. A reorientação tática do governo britânico intensifica a crise política já latente, na medida em que a Administração não servia mais à nenhuma das partes do conflito. Nesse sentido, da mesma forma que esta mudança na postura britânica afasta o movimento sionista, este se aproxima cada vez mais da nova potência global revelada com o fim da Segunda Guerra: os Estados Unidos.

“Incapaz de encontrar uma solução política para a crise, e tendo sugerido a diminuição da imigração judaica através do memorando de 1939, a Inglaterra deixou de ser um aliado valioso para os sionistas, que voltaram sua atividade política para os Estados Unidos. Com a Segunda Guerra Mundial, a imigração ilegal de colonos judeus aumentou e constitui-se a estrutura militar que viria a ser o Estado de Israel, que entre os anos de 1942 e 1947 dedicou-se a defesa dos assentamentos militares contra os ingleses, visando forçá-los a abrir mão do mandato na Palestina – o que aconteceria em maio de 1948” (GATTÁZ,1967. p.75)

A potência justamente responsável pelo comando do processo que “libertaria” a Palestina da Administração britânica, nos anos que seguiram, seria os Estados Unidos. Após a recorrência de atividades terroristas conduzidas por diversos grupos paramilitares sionistas, caráter que ao longo dos anos vai mostrar-se ainda mais comum à política do Estado de Israel [20], as autoridades britânicas decidiram recorrer às Nações Unidas, sob auxílio dos EUA.

“O tópico primordial na agenda sionista em 1946 e 1947, a luta contra os ingleses, se resolveu pela própria decisão britânica de fevereiro de 1947: deixar a Palestina e transferir a questão palestina para a ONU. De fato, os ingleses tinham poucas opções: após o Holocausto, eles jamais poderiam lidar com a crescente rebelião judia como fizeram com a árabe nos anos 1930 (…). Um inverno particularmente rigoroso em 1947 trouxe a mensagem a Londres de que o Império em rota de se tornar uma potência de segunda ordem, com sua influência global acabrunhada pelas duas novas superpotências e sua economia debilitada por um sistema capitalista que levara a libra esterlina a uma queda abrupta.” (PAPPÉ, 2016. p.47)

A forte pressão norte-americana sobre os países de menor expressão política garantiu a votação majoritariamente favorável na sessão de 1947 na Assembléia Geral das Nações Unidas, que formalizou a resolução da Partilha da Palestina e a criação do Estado de Israel. Meses após a retirada das tropas britânicas de solo palestino, ainda sob o processo de transição previsto pela Organização das Nações Unidas (ONU), Israel, liderada por Ben Gurion, declara independência, ignorando as determinações da Partilha – tanto quanto os árabes, que negavam a legitimidade da ocupação -, consolidando sua mais nova aliança, desta vez com os Estados Unidos da América.

Considerações finais

Através de uma análise histórica das relações anglo-sionistas desde a origem do movimento nacional judeu até a criação do Estado de Israel, o presente artigo centrou-se no entendimento da existência de um vínculo profundo entre as motivações da construção do lar nacional judeu na Palestina e o desenvolvimento das condições convenientes ao avanço do imperialismo britânico e posteriormente norte-americano no Oriente Médio.

A consolidação do projeto sionista idealizado no final do século XIX por Theodor Hertzel, inaugurado com a Resolução da Assembleia das Nações Unidas que determina a Partilha da Palestina, e consumado com a declaração de independência de Israel em 1948, foi fruto de quase meio século de alianças entre o movimento sionista e as potências do imperialismo. A partir da frase de Chaim Weizmenn, que explicita os objetivos expansionistas de Israel, “deixemos, primeiro, o campo livre aos judeus para que ocupem a Palestina, e, então, estarão em condições de conseguir o quanto quiserem” [21], pode-se afirmar que o imperialismo britânico e norte-americano agiu de maneira a auxiliar no processo de estabelecimento destas condições, deixando de fato “o campo livre” para a expansão colonialista empreendida pelo Estado de Israel até os dias de hoje.
A fase inaugurada com a aprovação da Resolução da Partilha pela ONU marca o fim do alinhamento da política britânico-sionista e a consolidação da nova aliança sionista-imperialista, com os Estados Unidos. Nesse sentido, a reorientação tática sionista que aproxima os EUA do recém criado Estado de Israel diz respeito à emergência deste Estado enquanto superpotência na ordem multipolar da Guerra Fria, e da permanente compreensão por parte do movimento sionista do proveito político e econômico de aliar-se com uma potência capitalista imperialista, capaz de assegurar a devida aplicação da política de expulsão sistemática do povo palestino pleiteada pelo movimento sionista. Reitera-se, portanto, que o histórico da aliança britânico-sionista contribuiu ao posterior alinhamento dos Estados Unidos e Israel e, portanto, à execução da política colonialista responsável pelo genocídio palestino.

A política de limpeza étnica [22] levada a cabo pelo Estado de Israel até os dias de hoje, só é possível de ser empreendida de maneira tão fervorosa pois segue sustentando-se no apoio de uma potência imperialista, estando em consonância com os interesses do imperialismo norte-americano, que expande cada vez mais sua influência no Oriente Médio, apoderando-se de todas as reservas de petróleo e gás e expandindo sua influência política e econômica na região.

É evidente, levando em conta as experiências dos conflitos norte-americanos no Iraque, Arábia Saudita, Síria, Líbano e tantos outros, que o imperialismo não hesita em recorrer à ofensivas militares e conflitos armados para garantia de seu poder de influência e controle no Oriente Médio. Mais do que isso, é fato que sustenta-se ideologicamente do discurso falacioso de defesa dos direitos humanos para empreender todo tipo de intervenção para garantia da hegemonia capitalista. O caso da Palestina não seria diferente. O conflito israelo-palestino perdura há mais de um século, impulsionado pela força do imperialismo norte-americano, que transformou o Estado de Israel em um Estado Monstruoso [23], responsável por uma política neocolonial e genocida, que tem como principal vítima histórica o povo palestino.

“Após o Holocausto, tornou-se quase impossível ocultar crimes de grande escala contra a humanidade. Nosso mundo voltado para a comunicação, especialmente após a explosão da mídia eletrônica, não permite mais que as catástrofes promovidas pelos seres humanos permaneçam escondidas do olhar público, ou que sejam negadas. No entanto, um desses crimes foi apagado da memória pública do mundo: o despovoamento dos palestinos por Israel em 1948. Sendo o acontecimento mais determinante da história moderna da terra palestina, ele tem sido sistematicamente negado, e até hoje não é admitido como um fato histórico, para não falar de crime que precisa ser enfrentado tanto política quanto moralmente.” (PAPPÉ, 2016. p.15)


Notas:

[1] “O caráter específico que assume o imperialismo ao longo do tempo e a sua forma concreta de manifestação em cada formação econômica e social dependem do modo pelo qual se combinam as tendências à concentração e centralização de capitais com a lei do desenvolvimento desigual em cada conjuntura histórica.” (LÊNIN, 2011. p. 43) Texto escrito originalmente em 1917.

[2] (LÊNIN, 2011. p. 209)

[3] Livremente traduzido. Texto original: “miseria en que viven los judíos” (HERZL 1976, p.45)

[4] Dados do recenseamento efetuado pela Administração de Sir Herbert Samuel. (TRIKI, 1979. p. 115)

[5] Primeiro chefe de governo de Israel, ocupou a função de Primeiro Ministro entre os anos de 1948 e 1953.

[6] Primeiro presidente de Israel, ocupou o cargo entre os anos de 1949 e 1952

[7] Entretanto, é importante ressaltar que de forma alguma, em toda a história do movimento sionista, a interpretação e aplicação dos preceitos do judaísmo pelos líderes sionistas foi consensual no interior da comunidade judaica. Além de ter sido majoritariamente rejeitado pela própria comunidade judaica em seu primeiro momento, o sionismo até hoje é combatido por parte do povo judeu, existindo, inclusive, diversas correntes ultraortodoxas que reivindicam-se antissionistas até os dias de hoje, como apresenta o professor Illan Pappé no segundo capítulo de sua obra A Limpeza Étnica na Palestina. 

[8] Nesse sentido, a obra Limpeza Étnica da Palestina, do professor Ilan Pappé, faz um estudo aprofundado de todos os planos de ação efetivamente desenvolvidos pelos líderes sionistas para consolidação da criação do lar nacional judeu em terras palestinas. O obra traz uma exposição das diversas reorientações táticas do sionismo que levariam à aplicação do Plano Dalet, responsável pelo que o autor vai caracterizar como política de genocídio e limpeza étnica do povo palestino.

[9] A caracterização das resoluções através destes três eixos é devidamente aprofundada no livro A guerra da Palestina, de André Gattáz, lançado em 2002 pela editora Usina do Livro, no qual ele dedica um capítulo inteiro às origens e fundamentos do sionismo, através da análise de documentos como o próprio Programa do Congresso da Basiléia.

[10] Aliot, plural de Aliá, termo em hebraico usado para se referir às ondas de imigração de judeus ao redor do mundo em direção à Palestina.

[11] Citação das memórias de Chaim Weizmann. (TRIKI, 1979. p.59)

[12] Excerto da correspondência de Theodor Hertzel à Lord Salisbury, (TRIKI, 1979. p.59)

[13] Bilhete de Sir Arthur James Balfour, Ministro do Exterior britânico, endereçado ao banqueiro sionista Lord Rotschild, datado de 1917.

[14] O termo partilha do mundo é utilizado aqui especialmente para referir-se ao processo de divisão do Oriente Médio entre controle francês e britânico, ratificado pela Liga das Nações. Compreende-se que o processo de partilha da região através da aplicação do sistema de Mandato faz parte do processo de partilha do mundo sustentado por Lênin em sua obra Imperialismo, fase superior do capitalismo. Este é compreendido enquanto parte do processo imperialista, característico da etapa monopolista do capitalismo, de expansão da estrutura capitalista e acirramento das disputas de caráter colonialista em função da alta concentração de capital financeiro por parte das potências capitalistas.

[15] Trecho retirado das memórias de Sir Herbert Samuel. (TRIKI, 1979. p.106)

[16] (TRIKI, 1979. p.115)

[17] (PAPPÉ, 2016. p.46)

[18] (TRIKI, 1979. p.116)

[19] (GATTÁZ, 2002. p.66)

[20] Como sustenta Chomsky em sua obra lançada em 1983, The Fateful Triangle: The United States, Israel and the Palestinians. (CHOMSKY, 1999)

[21] (TRIKI, 1979. p. 210)

[22] A obra A limpeza étnica da Palestina, do professor Ilan Pappé, sustenta o caráter essencial de limpeza étnica da da política sionista antes e depois da criação do Estado de Israel.

[23] Termo cunhado pelo jornalista e escritor judeu Asher Zvi Grinsberg ao referir-se ao projeto de Estado arquitetado por Hertzl. (TRIKI, 1979. p.147)


Referências bibliográficas :

DÖPCKE, Wolfgang. (2007) Apogeu e colapso do sistema internacional europeu. In.: SARAIVA, José Flávio Sombra (org.). História das Relações Internacionais contemporâneas: da sociedade internacional do século XIX à era da globalização. São Paulo: Saraiva.

LIGA DAS NAÇÕES (Versalhes, França.). Pacto da Sociedade das Nações, 1919 . [S. l.], 28 jun. 1919. Disponível em: direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-Internacionais-da-Sociedade-das-Nações-1919-a-1945/pacto-da-sociedade-das-nacoes-1919.html. Acesso em: 29 nov. 2019.

LÊNIN, V.I. Imperialismo, fase superior do capitalismo. Campinas: UNICAMP, 2011.

HERZL, Theodor. (1976) El estado judío. Jerusalén: La semana publishing co. ltda..

TRIKI, Husseim. Eis aqui Palestina..: O sionismo em desnudo. Goiânia: Gráfica O Popular, 1979.

GATTÁZ, André. A Guerra Palestina: Da criação do Estado de Israel à Nova Intifada. São Paulo: Usina do Livro, 2002.

CHOMSKY, Noam. The Fateful Triangle: The United States, Israel and the Palestinians. Londres: Pluto Press, 1999.

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