O sistema de Taylor – escravidão do homem pela máquina

Por Vladímir Ilitch Lênin, via Marxists.org, traduzido por Pedro Abílio.

O capitalismo não pode permanecer parado por um momento sequer. Ele sempre deve estar avançando. A competição, que é mais intensa em um período de crise como o presente, clama pela invenção de um número crescente de dispositivos para reduzir o custo de produção. Mas a dominação do capital converte todos os dispositivos em instrumentos para aprofundar a exploração dos trabalhadores.

O sistema de Taylor é um desses dispositivos.

Defensores desse sistema recentemente usaram as seguintes técnicas na América.

Uma lâmpada elétrica foi conectada ao braço de um trabalhador, os movimentos do trabalhador foram fotografados e os movimentos da lâmpada estudados. Certos movimentos foram considerados “supérfluos” e o trabalhador foi ordenado a evitá-los, ou seja, trabalhar mais intensamente, sem perder qualquer segundo para descansar.

O desenho dos novos edifícios são planejados de tal forma que nenhum momento possa ser perdido na entrega de materiais para a fábrica, na condução de uma oficina para outra, e no despacho dos produtos finalizados. O cinema é sistematicamente empregado para o estudo das melhores formas operacionais e para o aumento da intensidade no trabalho, isto é, “apressando” os trabalhadores.

Por exemplo, as operações dos mecânicos foram gravadas durante um dia inteiro. Após estudar os movimentos dos mecânicos, os especialistas de eficiência providenciaram uma bancada alta o suficiente para que eles não perdessem tempo se abaixando. Também lhe foi dado um garoto para ajudá-lo. Esse garoto tinha a obrigação de entregar cada parte da máquina da forma mais rápida e eficiente possível. Em alguns dias os mecânicos já conseguiam montar uma máquina em um quarto do tempo de antes!

Que ganho enorme na produtividade do trabalho!… Mas o salário do trabalhador não aumenta quatro vezes, talvez só a metade, no máximo, e apenas por um curto período de tempo. Logo que os trabalhadores se acostumem com o novo sistema seu pagamento é diminuído aos níveis anteriores. O capitalista obtém um lucro enorme, mas os trabalhadores labutam quatro vezes mais forte que antes, forçam seus nervos e músculos quatro vezes mais rápido que antes.

Um trabalhador recém-contratado é levado para o cinema de fábrica onde lhe é mostrado um “modelo” de performance em seu emprego; o trabalhador é obrigado a alcançar essa performance. Uma semana depois ele é levado ao cinema novamente e lhe são mostradas fotos da sua performance, que é comparada com o “modelo ideal”.

Todas essas vastas melhorias são introduzidas em detrimento dos trabalhadores, pois levam a ainda mais opressão e exploração. Além do mais, essa distribuição racional e eficiente de trabalho é confinada a cada fábrica.

A questão naturalmente se forma: E sobre a distribuição da mão-de-obra na sociedade como toda? O quão vasto é a quantidade de mão-de-obra perdida devido ao caráter desorganizado e caótico do sistema capitalista de produção como um todo! Quanto tempo é desperdiçado enquanto as matérias brutas passam pela fábrica através das mãos de centenas de compradores e atravessadores, enquanto as demandas do mercado são desconhecidas! Não apenas o tempo, mas os próprios produtos são danificados e perdidos. E sobre a quantidade de tempo e trabalho perdida na entrega de produtos para os consumidores através de uma multidão de pequenos atravessadores que, também, não podem saber quais são as demandas de seus consumidores e praticam uma enormidade de movimentos supérfluos, mas também fazem uma enormidade de compras supérfluas, jornadas, e assim em diante!

O capital organiza e racionaliza o trabalho dentro da fábrica com o propósito de aumentar a exploração dos trabalhadores e aumentar o lucro. Na produção social como um todo, de qualquer forma, o caos continua a reinar e crescer, levando a uma crise quando a riqueza acumulada não consegue encontrar compradores, e milhões de trabalhadores passam fome porque são incapazes de arranjar emprego.

O sistema de Taylor- com ou sem o desejo de seu criador – está preparando a época em que o proletariado irá tomar conta de toda produção social e apontar seus próprios comitês de trabalhadores para o propósito de distribuir e racionalizar apropriadamente todo o trabalho social. Produção em larga escala, maquinaria, ferrovias, telefone – todas dão milhares de oportunidades para cortar três quartos do tempo de trabalho dos operários organizados e fazê-los quatro vezes melhores do que estão hoje em dia.

E esses comitês de trabalhadores, com a colaboração dos sindicatos, serão capazes de aplicar os princípios de uma distribuição racional do trabalho social quando o último estiver livre da escravidão do capital.

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