Terror e democracia nos tempos de Stálin: a dinâmica social da repressão, por Wendy Z. Goldman

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O período em que Josef Stálin esteve à frente da União Soviética é, ainda hoje, um tema que inflama intensas divergências. Definir o caráter da repressão que ocorreu neste período é uma das questões mais polêmicas na historiografia contemporânea. Com as novas descobertas dos arquivos russos, até mesmo os estudiosos que vêem o chamado “Grande Terror” como uma mera série de ações punitivas dirigidas centralmente dificilmente podem negar, agora, a presença de uma dimensão social e de massas neste fenômeno. É neste contexto que Terror e democracia nos tempos de Stálin se coloca como um estudo abrangente e aprofundado sobre a participação popular na repressão.

Valendo-se de materiais de arquivo do Conselho Central de Sindicatos de toda a União, Wendy Z. Goldman investiga como o terror se espalhou pelos sindicatos operários fabris, uma rede que abrangia 22 milhões de membros. Ela argumenta que “a repressão foi um fenômeno de massas, não apenas no número de vítimas que causou, mas também no número de perpetradores que produziu”.

Em sua análise quase anatômica do terror, Wendy Goldman assinala os fatores que impulsionaram e facilitaram seu desenvolvimento. Ela reconhece o papel das tensões políticas na deflagração e no desenvolvimento do terror: o medo de Stálin em relação a uma “quinta coluna” às vésperas de uma guerra mundial, bem como o papel agressivo da NKVD, e particularmente de Nikolai Ejov, na ampliação da caça às conspirações, após o assassinato de Sergei Kirov. Contudo, a autora vai muito além dessas explicações políticas tradicionais do terror, explorando a interação entre as autoridades centrais do partido e os sindicatos fabris, os comitês partidários locais (partkomi) e operários. Enfatizando as contradições socioeconômicas da sociedade soviética, a obra documenta como e por que a “demanda” por terror que veio “de cima” penetrou tão fundo na sociedade.

Os líderes centrais do partido conseguiram encontrar uma “linguagem do terror” que apelava às massas e ajudava a canalizar as queixas dos operários na direção da repressão. Em Terror e democracia, Wendy Goldman prova que a massiva adesão às organizações sociais (principalmente sindicatos) se tornou um dos fatores cruciais na rápida disseminação da repressão. E, em 1937, mais um passo contraditório foi dado na disseminação da repressão em massa, conferindo aos operários os instrumentos para garantir expurgos ainda mais amplos: as cédulas secretas, as eleições diretas, as candidaturas pessoais no lugar de listas eleitorais, o debate aberto sobre os méritos dos candidatos e as críticas vindas de baixo. Wendy Goldman expõe, dialeticamente, o papel da democracia soviética na mobilização em massa para o terror. Em sua própria comparação, se a caça aos oposicionistas era um incêndio, a democracia desempenhava o papel da gasolina.

A democracia permitida pelas autoridades centrais do partido comunista não era, portanto, uma mera “cortina de fumaça”, nem uma coleção de palavras de ordem sem sentido, concebidas apenas para mascarar as verdadeiras intenções de Stálin e da liderança do partido: era o próprio meio pelo qual a repressão logrou se espalhar, eliminando a dinâmica de cooptação das direções pelos órgãos centrais e os antigos círculos familiares. Assim, os procedimentos democráticos deram ampla liberdade aos operários… para rapidamente ampliar a uma escala colossal a caçada aos oposicionistas e os expurgos. Trágica e previsivelmente, os operários perderam essa batalha. Muitos se tornaram eles próprios vítimas do terror, enquanto a “linguagem do terror” não podia, por si mesma, resolver as profundas contradições enraizadas no solo da estrutura de classe da sociedade russa e nos dilemas da industrialização acelerada.

Descrição

O período em que Josef Stálin esteve à frente da União Soviética é, ainda hoje, um tema que inflama intensas divergências. Definir o caráter da repressão que ocorreu neste período é uma das questões mais polêmicas na historiografia contemporânea. Com as novas descobertas dos arquivos russos, até mesmo os estudiosos que vêem o chamado “Grande Terror” como uma mera série de ações punitivas dirigidas centralmente dificilmente podem negar, agora, a presença de uma dimensão social e de massas neste fenômeno. É neste contexto que Terror e democracia nos tempos de Stálin se coloca como um estudo abrangente e aprofundado sobre a participação popular na repressão.

Valendo-se de materiais de arquivo do Conselho Central de Sindicatos de toda a União, Wendy Z. Goldman investiga como o terror se espalhou pelos sindicatos operários fabris, uma rede que abrangia 22 milhões de membros. Ela argumenta que “a repressão foi um fenômeno de massas, não apenas no número de vítimas que causou, mas também no número de perpetradores que produziu”.

Em sua análise quase anatômica do terror, Wendy Goldman assinala os fatores que impulsionaram e facilitaram seu desenvolvimento. Ela reconhece o papel das tensões políticas na deflagração e no desenvolvimento do terror: o medo de Stálin em relação a uma “quinta coluna” às vésperas de uma guerra mundial, bem como o papel agressivo da NKVD, e particularmente de Nikolai Ejov, na ampliação da caça às conspirações, após o assassinato de Sergei Kirov. Contudo, a autora vai muito além dessas explicações políticas tradicionais do terror, explorando a interação entre as autoridades centrais do partido e os sindicatos fabris, os comitês partidários locais (partkomi) e operários. Enfatizando as contradições socioeconômicas da sociedade soviética, a obra documenta como e por que a “demanda” por terror que veio “de cima” penetrou tão fundo na sociedade.

Os líderes centrais do partido conseguiram encontrar uma “linguagem do terror” que apelava às massas e ajudava a canalizar as queixas dos operários na direção da repressão. Em Terror e democracia, Wendy Goldman prova que a massiva adesão às organizações sociais (principalmente sindicatos) se tornou um dos fatores cruciais na rápida disseminação da repressão. E, em 1937, mais um passo contraditório foi dado na disseminação da repressão em massa, conferindo aos operários os instrumentos para garantir expurgos ainda mais amplos: as cédulas secretas, as eleições diretas, as candidaturas pessoais no lugar de listas eleitorais, o debate aberto sobre os méritos dos candidatos e as críticas vindas de baixo. Wendy Goldman expõe, dialeticamente, o papel da democracia soviética na mobilização em massa para o terror. Em sua própria comparação, se a caça aos oposicionistas era um incêndio, a democracia desempenhava o papel da gasolina.

A democracia permitida pelas autoridades centrais do partido comunista não era, portanto, uma mera “cortina de fumaça”, nem uma coleção de palavras de ordem sem sentido, concebidas apenas para mascarar as verdadeiras intenções de Stálin e da liderança do partido: era o próprio meio pelo qual a repressão logrou se espalhar, eliminando a dinâmica de cooptação das direções pelos órgãos centrais e os antigos círculos familiares. Assim, os procedimentos democráticos deram ampla liberdade aos operários… para rapidamente ampliar a uma escala colossal a caçada aos oposicionistas e os expurgos. Trágica e previsivelmente, os operários perderam essa batalha. Muitos se tornaram eles próprios vítimas do terror, enquanto a “linguagem do terror” não podia, por si mesma, resolver as profundas contradições enraizadas no solo da estrutura de classe da sociedade russa e nos dilemas da industrialização acelerada.

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