O fascismo da batata: Crítica de Badiou a Deleuze

Por Alain Badiou, via Scribd, traduzido por Matheus Cornely e Daniel Alves Teixeira

Hoje podemos elaborar o balanço – ontológico – mais geral dos anos 60 e 70. No cerne da questão, há a ideia de que o levante de massas de maio de 68 – como revolta popular sem precedentes – aos olhos de seus protagonistas intelectuais, não teria tido uma ossatura de classe tangível e que, por isso, seria concebível como uma insurreição dos múltiplos. Os estudantes, os trabalhadores, os empregados pareciam ter-se levantado paralelamente, numa espécie de tempestade horizontal ou numa dispersão cumulativa, em que, sobretudo, a intelectualidade pequeno-burguesa poderia reivindicar o papel de vanguarda táctica.


O ataque imediato contra os pseudo-centros sindicais, e principalmente contra seu fiador político burguês (PCF–Partido Comunista Francês) foi em sua forma objetiva um componente essencial da tempestade. Toda a unidade externa de tipo burguesa foi violentamente rejeitada. Mas esta revolta contra os pseudo-centros estava longe de dar lugar para o novo pensamento maoísta: esse de um centro de novo tipo (do partido de um tipo novo), novo não somente em seu ser, mas em seu processo.

Ao contrário de muitos trabalhadores revolucionários para os quais essa era a questão, os intelectuais pequeno-burgueses resistiram em massa a serem atravessados pela questão maoísta, porque nesta se tratava de recentrar aquilo cuja ausência, no fundo, lhes agradava: o ponto de vista da classe proletária. A fim de proteger aquilo que lhes havia levado para o palco (a dialética de uma revolta de massa prolongada e de uma liderança proletária derrotada, de uma ideologia vigorosa e de uma política inexistente), a intelectualidade pequeno-burguesa forjou com pressa os conceitos com os quais as fraquezas orgânicas da situação poderiam ser transformadas em forças aparentes. Ela desencadeou nas nuvens do pensamento puro a tempestade do Múltiplo contra as pretensões do Um. “Abaixo as centralidades, sejam elas quais forem!” “Viva a dispersão como tal!” A ontologia retornou à escola de Mégare: somente o múltiplo é afirmativo, o Um é seu espectro opressivo todo inchado de ressentimento.

Vejamos que a força transitória desse policentrismo frenético se alimentava das realidades da tempestade. Atacar em todas as partes as “unidades” de tipo burguesa (a unidade sindical, a unidade nacional, a unidade da “esquerda”, etc) deu ao movimento sua vitalidade. Melhor as múltiplas tempestades de revolta do que a tutela unificadora de uma política burguesa, é verdade.

Mas, ao mesmo tempo, não é muito difícil de ler, sob os pretextos anti-organizacionais, a rejeição do ponto de vista da classe. O tema era a necessidade de somar revoltas (Imigrantes, mulheres, ecologistas, soldados, prisioneiros, estudantes, homossexuais, etc.), enumerando ao infinito as forças sociais pontuais, mas combater obstinadamente qualquer coisa que se assemelhe à unificação política no campo do povo, de forma classista. A organização, sua suposta “hierarquia castradora”, faziam alvos amplos: o Um do Múltiplo em revolta é uma questão de conteúdo, da política do povo. A organização não é senão a forma, a lógica desse conteúdo. Alguns se esconderam atrás dos “erros” da forma, aqui e ali, para negar o conteúdo. Mal camuflado por detrás do ódio à militância estava o ódio à luta de classes.

Neste terreno trêmulo, logo veríamos o Um se vingar sob o disfarce deprimente do retorno dos políticos burgueses da União de Esquerda. Na extremidade do Múltiplo, há o revisionista déspota; no final dos prazeres literários de Deleuze, o sorriso ministerial de Marchais[1] ou do déspota fascista, o rosto de medusa dos generais verborrágicos de que a nossa história tem o segredo. Pois, se o povo não tem a sua própria política ele fará aquela de seus inimigos: a história política tem horror do vazio.

Desse vazio, que por ocasião eles embelezam sob a figura do niilismo e da estética do desespero, os dirigentes ideológicos da pequena burguesia sempre fazem comércio, preocupados sobretudo em não precisarem escolher e se beneficiar das vantagens – consideráveis – concedidas pela política burguesa, especialmente o parlamentarismo “democrático”, enquanto ornamentam-se com os despojos da revolta. O que essas pessoas abominam e procuram abafar, na absolutez do Um ou na pulveração do Múltiplo, é a divisão em dois, isto é, a dialética.

É interessante notar a este respeito que, em Rizoma, os macacos astutos das multiplicidades, os chefes da trupe anti-marxista, Deleuze e Guattari, atacam abertamente o princípio dialético central: O Um se divide em dois. A passagem:

Um se torna dois: cada vez que nos encontramos com esta fórmula, mesmo que enunciada estrategicamente por Mao Tsé-tung, mesmo compreendida o mais “dialeticamente” possível, nós nos encontramos diante do pensamento mais clássico e o mais refletido, o mais velho, o mais cansado. (…) O livro como realidade espiritual, a Árvore ou a Raiz como imagem, não para de desenvolver a lei do Uno que se torna dois, depois dois que se tornam quatro… A lógica binária é a realidade espiritual da árvore-raiz (…) Isto para dizer que este sistema de pensamento nunca chegou a uma compreensão da multiplicidade: lhe era preciso uma forte unidade principal suposta para chegar aos dois seguindo um método espiritual (GUATTARI & DELEUZE. Rizoma: Introdução, p.3)[2]

Não iremos tomar Deleuze e Guattari por analfabetos. Será então preciso tê-los como charlatões. Antes de darem aos seus leitores a diretiva perturbadora: “seja a Pantera cor-de-rosa e que vossos amores sejam como a vespa e a orquídea, o gato e o babuíno” (GUATTARI & DELEUZE, Rizoma: Introdução, p. 17), eles deveriam adverti-los de que anteriormente a todas essas metamorfoses eles os tinham como idiotas. Somente um idiota pode confundir o princípio dialético marxista “um se divide em dois” com o genealogismo para árvores que recobre o enunciado deleuze-guattariano “um se torna dois”. Pois o que a dialética diz é exatamente o oposto da “forte unidade principal” que eles imputam a ela , é a essência dividida do movimento como Um, isto é, um princípio da dupla precariedade do Um:

  1. O Uno não tem existência alguma enquanto entidade, só há a unidade do movimento, tudo é processo.
  1. O processo em si mesmo tem por ser interno a cisão.

Para um marxista, pensar o Um, é pensar a unidade dos opostos, isto é, o movimento como cisão. O pensamento dialético é o único pensamento de revolta naquilo que, precisamente, ele abala até as raízes a onipotência do Um. Para o pensamento dialético, a essência do Um, é o trabalho do antagonismo que o constitui, é o Dois.

A arboricultura “dialética” de Deleuze-Guattari, absorvidos que eles estavam em opor a filosofia “múltipla” da batata ao despotismo vertical da árvore, é apenas uma dolorosa falsificação. Lenin já observava que a essência da dialética nunca é a unidade forte e pressuposta, mas a unidade dos contrários, o que relativizava imediatamente e sem volta o conceito do Um:

“A unidade (coincidência, identidade, equivalência) dos contrários é condicional, temporária, transitória, relativa. A luta dos contrários se excluindo mutuamente é absoluta, como são absolutos o desenvolvimento e o movimento.”[3]

O problema da dialética não é, certamente, o de uma força excessiva do Um, mas muito antes o de sua fraqueza. Pensar a unidade como dilaceração e trabalho de divisão, é a isto que filosoficamente é preciso se aplicar contra o maniqueísmo esquerdista, aquele que perde o fio da unidade dos opostos e não vê salvação senão no redobrar do Um, dobramento que o inverte em seu contrário, pois na dialética duas vezes Um não faz dois, mas novamente Um, sendo o único Dois que vale a essência em devir do Um.

“Um se divide em dois” significa sempre “Um é igual a se-dividir-em-dois”, e nunca “Um se torna dois”. Isto é verdadeiro para a ameba – como unidade viva se reproduzindo – como também para a sociedade capitalista, unidade de uma luta até a morte entre duas políticas antagônicas.

Que bem então, para Deleuze e Guattari, dessas pequenas negligências?

A questão é que eles reconheceram na dialética seu verdadeiro adversário.

A força histórica transitória de Deleuze lhe veio de ser o bardo do Múltiplo revoltado contra o Um burguês (o qual por sua vez é apenas o Um do dois que o constituí como rivalidade: duas superpotências, duas burguesias, clássica e burocrática de Estado). Enquanto o Um burguês for o alvo antagônico de Deleuze, no momento do levante contra os pseudo-centros, haverá uma clientela para as revoltas dispersas. Que fazer contra o Um do proletariado, o qual, enquanto cisão, é precisamente aquele Um móvel e precário onde a revolta, através do elemento de antagonismo que a atravessa, encontra não só o seu lugar, mas também a sua dimensão afirmativa? Deleuze e Guattari descobriram apenas este pobre truque: reduzir à força a dialética ao Um da metafísica reacionária. Assim imaginavam eles conservar o monopólio da ontologia das revoltas.

O infortúnio é que o estratagema não serve para nada, uma vez que a ontologia em questão, ao contornar a dialética, é construída contra qualquer pensamento de antagonismo. E assim podemos ver como hoje ele válida com total equidade qualquer figura do fazer e do falar. É uma questão lógica: você não pode pensar e exaltar o múltiplo puro (o rizoma) sem se lançar no mais raso dos conservadorismos, a ratificação mais segura de tudo o que existe. Você obterá não só a pantera cor-de-rosa, o babuíno e a orquídea, mas o urso branco, do qual nós sabemos deve a sua figura imensa ao seu exclusivo regime de comer peixe, o chacal sarnento dos últimos oásis, a traça e toda a panóplia de ervas pungentes que você encontra nas cercas de piquete de intermináveis construções.

Os grandes princípios da ontologia do múltiplo são por si mesmo a ilustração deste conservadorismo, da aquiescência estética ao esplendor proliferante dos lixos.

Notemos que, de todas as multiplicidades possíveis, Deleuze e Guattari odeiam apenas uma, o Dois, figura “detestável” da escolha (da escolha de classe), suporte daquilo que eles mais reprovam no mundo, a moralidade, que implica a opção, a política, uma vez que dessa só há duas, a proletária e a burguesa:

“É por isto que não podemos jamais contar com um dualismo ou uma dicotomia, mesmo sob a forma rudimentar do bom e do mau.” (GUATTARI & DELEUZE. Rizoma: Introdução, p.6).

 Todas cisões eludidas, todas as escolhas contornadas, o rizoma segue seu curso em direção à apologia desatada de não importa o quê. Este é o primeiro princípio:

“Qualquer ponto de um rizoma pode ser conectado a qualquer outro, e deve sê-lo” (GUATTARI & DELEUZE. Rizoma: Introdução, p.4).

É o “deve sê-lo” que é famoso. Vamos entender:

  • Em um primeiro sentido, existem apenas indivíduos, aos quais importa que possam tocar uns aos outros sem que qualquer lei, qualquer exigência de classe, os distancie do gozo de contatos ilimitados – teoria das relações “sociais”, como imediatismo do corpo;
  • Em um segundo sentido, a ideologia política federalista, como o único resultado de uma política do múltiplo, de uma política anti-dialética: que todas as “lutas” se contatem, e que deste magma igualitário conectado, “convirjam”, como eles dizem, dessa batata parlamentar rizomática sairá o quê? Friamente, nossos amigos inocentes respondem: a Festa! A história fala uma outra língua. Nós sabemos, pelo menos desde a Comuna, que essas “convergências de lutas” desmembradas são a véspera do fracasso, do massacre, e da restauração do Um sob as espécies militares mais repugnantes. Sectários do rizoma, recordem-se do Chile;
  • Num terceiro sentido: tudo se comunica com tudo o mais, não há antagonismo irredutível. Não há a burguesia de um lado, o proletariado e o povo revolucionário, do outro. Eis porque que tudo é tubérculo sem forma, pseudópodes do múltiplo.

Por sua vez, o Um toma sua vingança no regime da interconexão universal.

Na verdade, é a dialética maoísta que pensa a fraqueza antagônica do Um, porque apreende que há algo do não conectável, que, na unidade de seu movimento conflituoso, cada termo da contradição nunca cessa de cortar aquilo que o conecta ao outro. Tal é por exemplo o processo do partido classista: concentrar através da prática do antagonismo, os meios de separar radicalmente a política revolucionária do povo de todas as formas de política burguesa. Deleuze e Guattari apenas catapultam no reino da ontologia o status que é o seu próprio: correr com a lebre e caçar com os cães de caça.

É a partir daí que toma seu impulso o conceito “puro” do múltiplo. Examinemos antes:

Princípio de multiplicidade: é somente quando o múltiplo é efetivamente tratado como substantivo, multiplicidade, que ele não tem mais nenhuma relação com o Um como sujeito ou como objeto, como realidade natural ou espiritual, como imagem e mundo. As multiplicidades são rizomáticas e denunciam as pseudo-multiplicidades arborescentes. Inexistência de unidade que sirva de pivô no objeto, nem que se divida no sujeito. Inexistência de unidade ainda que fosse para abortar no objeto, e para “voltar” no sujeito. Uma multiplicidade não tem nem sujeito nem objeto, mas somente determinações, grandezas, dimensões que não podem crescer sem que ela mude de natureza. (GUATTARI & DELEUZE. Rizoma: Introdução, p.5)

Uma única passagem dessas asserções embaralhadas que tenham qualquer significado é uma ingerência da dialética. Nessas “dimensões que não crescem sem que ela (a multiplicidade) mude de natureza”, nós reconhecemos bizarramente a lei da conversão do quantitativo em qualitativo. O restante está na ordem do encantamento: o Múltiplo não é de fato uma categoria pensável senão em sua relação contraditória com o Um. Todo pensamento do múltiplo puro veicula como sua sombra um pensamento do Um puro, e nós vemos de resto, até no uso da maiúscula, esse espectro assombrar o discurso de Deleuze-Guattari, contra o qual eles fingem se levantar, mas que eles confortam na frouxidão unilateral e exaltam de seu oposto.

Isso é particularmente claro na definição recapitulativa, onde Deleuze e Guattari, sentindo estarem enredados nas armadilhas gregas do Uno e do Múltiplo, imaginam terem mudado de terreno:

O rizoma não pode ser reduzido nem ao Um nem ao múltiplo. Não é o Um que se torna Dois ou, nem mesmo que se torna diretamente três, quatro ou cinco, etc. Ele não é um múltiplo que deriva do Um, nem ao qual O Um se juntaria (n + 1). Ele não é feito de unidades, mas de dimensões. Ele constitui as multiplicidades lineares às dimensões, sem sujeito ou objeto, espalhadas sobre um plano de consistência, e do qual o Um está sempre subtraído (n-1).[4]

Fracasso total! A subtração do Um apenas metaforiza a necessidade que têm Deleuze e Guattari, na construção de das “multiplicidades”, e do Um e do Múltiplo, e do “n” e do “1”. A transparência do resultado político é um exercício de escola, se tratando do modelo subtrativo ‘n-1’.

Trata-se de um chamado às revoltas de massa, menos o fator da unidade antagônica, ao menos a passagem que elas sofrem pelo ponto de vista da classe.

Trata-se de um chamado às forças da revolução menos o partido proletário.

Mas essas multiplicidades, que só são puras graças a esse “menos”, se validam no exterior de si mesmas com isso que perdura, intacto, do Um que lhe é irredutivelmente hostil.

Vimos isto em maio de 68: se existe aí a revolta de massa, mas não o antagonismo proletário, há o antagonismo burguês (a política burguesa) vitoriosa. Se há ideias justas, mas não o marxismo, há o retorno ao poder dos reformistas burgueses do Partido Socialista. Se há as forças objetivas, mas nem programa nem o partido, há a revanche parlamentar de Pompidou[5], há o retorno à cena do PCF e dos sindicatos.

As multiplicidades deleuzianas são uma combinação nula, de fraqueza e impotência, do múltiplo revoltado e do Um burguês.

Pensar o múltiplo fora do dois, fora da cisão, é praticar na exterioridade a ditadura do Um.

Dizer que a grandeza e a virtude das coisas é de serem elas mesmas “menos” (quer dizer, em coexistência externa com) aquilo que lhes é antagônico, eis finalmente a questão. Ali onde se trata de romper, forjando a unidade interna daquilo que, no múltiplo, se divide antagonicamente de seu adversário, Deleuze e Guattari propõem uma subtração, uma indiferença rasa. As multiplicidades, subtraindo-se uma à outra como Um, coexistem pacificamente. Permanecer em seu canto, tal é a máxima das multiplicidades rizomáticas.

E não deixe de notar que de passagem Deleuze e Guattari fizeram virtualmente uma descoberta fundamentada. O que mais eles nos dizem se não que a divisão do povo não lhe é inerente, mas que ela é organizada pelo Estado burguês, que o caráter de unidade separada desse Estado é o ponto de onde se operam todas as grandes diferenças, todas as estratificações, todas as hierarquias, de modo que é, com efeito, por ser não popular, subtraído do povo, que o Estado como Um mantém o povo como múltiplo, como parcialmente projetado contra ele mesmo? Os Maoistas veem imediatamente neste aspecto a dimensão de classe do Estado, funcionando no que é o corpo histórico real o que está em jogo permanentemente: a organização em ditadura burguesa de todo o povo. A conclusão não deixa dúvidas: não pode haver nenhuma unidade recuperada do povo a não ser na afirmação antagônica do outro ponto de vista da classe, a proletária, e na destruição pelas massas da unidade burguesa, tendo o Estado como centro.

Para Deleuze e Guattari, a situação é completamente diferente. Do fato de que o Um burguês faz a divisão do povo, eles concluem a excelência da divisão pensada como indiferença ao Um, como não antagonismo. O Estado é o Um da nossa fraqueza múltipla? Sejamos ainda mais divididos, afirmemos subtrativamente nossa divisão, e nós seremos nós mesmos plenamente. Que nós mesmos? Aquele que prescreve o Um, em verdade. Devemos dizer: é à excelência do Um burguês que Rizoma conclui ao fim.

Podemos imaginar semelhante desarmamento, tal complacência com o pior? Qualquer um que renuncia ao antagonismo e pensa no elemento da multiplicidade afirmativa indiferente tem a necessidade de se inclinar cedo ou tarde, de se ajoelhar, sob a coberta do culto do Eu, perante os poderes políticos reais, diante da unidade separada do Estado. É por isso que Deleuze e Guattari são ideólogos pré-fascistas. Negação da moralidade, culto da afirmação natural, repúdio ao antagonismo, esteticismo do múltiplo deixado substituir fora de si, como sua condição política subtrativa e seu fascínio indelével, o Um do tirano: nós nos preparamos para curvar a espinha, nós já a curvamos.

Não será suficiente para Deleuze e Guattari, para se lavar da acusação de fascismo, argumentar, pirueta que nos é familiar, que eles o são ainda mais do que nós acreditamos.[6]


Notas:

[1] Georges René Louis Marchais (La Hoguette, Calvados, 7 de junho de 1920 – Paris, 16 de novembro de 1997) foi um político francês, de origem operária. Líder do Partido Comunista Francês (PCF) de 1972 a 1994, foi candidato do partido durante as eleições presidenciais francesas de 1981, quando obteve apenas 15.34% dos votos, o que foi considerado na época como o maior retrocesso do PCF.

[2] Nota do tradutor. Texto integral disponível em: http://www.historiacultural.mpbnet.com.br/pos-modernismo/Rizoma-Deleuze_Guattari.pdf

[3] Nota do tradutor. Ver V.I.Lenin,’On the Question of Dialectics’(1915). Collected Works:Philosophical Notebooks (Moscow:Foreign Languages Press,1961),vol.38,p.360.

[4] Essa citação feita no artigo original de Alain Badiou não pode ser encontrada em Mil Platôs. É parte da primeira versão do artigo entregue por Deleuze & Guattari.

[5] Nota do tradutor: Georges Pompidou foi o primeiro ministro da França sob o presidente Charles de Gaulle durante e logo após os acontecimentos de maio de 1968.

[6] “Temos sido tratados como fascistas; nunca seremos o suficiente, tanto estamos cientes, nós pelo menos, que o fascismo não é apenas o dos outros. Grupos e indivíduos contêm microfascismos apenas esperando para cristalizar.”

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