“Unidade de ação” com o oportunismo só conduz ao fracasso

Por José R. da Silva Maramonhanga

O revelador discurso do presidente da pocilga senado federal, Davi Alcolumbre, na terça-feira (22), pouco antes de proclamar a famigerada aprovação da destruição da Previdência Social, é mais uma confirmação de que ” os direitistas são excelentes professores pelo negativo”; bem como: ” o homem necessita ser educado com exemplos tanto positivos como negativos”. (*1)


O reacionário Alcolumbre, após agradecer ao bandido-ministro Paulo Guedes e toda sua equipe, louvou a ” construção do consenso”, a ” busca permanente do entendimento, da conciliação”  como um “trabalho fundamental de muitos atores”,  destacando os canalhas, senadores Tasso Jereissati, Simone Tebet, deputado Rogério Marinho e o “Parlamento brasileiro, independente de diferenças partidárias… Porque na tramitação dessa matéria, Ministro, Parlamentares de oposição a essa matéria construíram um entendimento nos prazos, na relação institucional, na relação parlamentar.” (*2) Essa relação espúria e esse mesmo ensebado discurso também é a tônica dos pronunciamentos dos outros membros das mais diversas sublegendas do partido único da (des)ordem que pululam a pocilga. Como o do escolado oportunista Paulo Paim, um dos mais ativos propagadores dessa  ” linha da conciliação, do entendimento” (*3)parlamentar a 32 anos interruptos, senador petista perfilado com as traidoras centrais sindicais e todo apodrecido movimento sindical brasileiro, articulador de “frentes parlamentares de defesa” disso e daquilo e outros recorrentes mecanismos de enganação e de confetes para a “nobre” carreira.

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23.10.2019 – O oportunista Paulo Paim abraça Davi Alcolumbre, presidente da pocilga senado e um dos algozes da destruição da Previdência Pública

  Cínico, Paulo Paim em sua página no facebook, após a aprovação da destruição dos direitos previdenciários, propagandeia que fez “incansável luta”, ” dei suor e lágrimas”, e regozija que teria conseguido “com muito diálogo, aprovar o destaque que irá garantir o direito à aposentadoria especial por periculosidade” (*4); certamente já mirando e se alçando a futura vaga de candidato à presidência da Republiqueta. Já os oportunistas dirigentes das centrais sindicais e do apodrecido movimento sindical nem deram as caras imundas na espúria votação do Senado. Dias antes (17), na sede da UGT, tinham se reunido com o governo, representado pelo mesmo Rogério Marinho, para discutir propostas de financiamento das atividades sindicais e de novas mudanças na legislação trabalhista. Agora, com os rabos entre as pernas, e sedentos pelas migalhas que esperam auferir nas novas tratativas com o governo e a patronal, sequer foram a Brasília acompanhar o enorme golpe desferido contra os trabalhadores, aposentados e pensionistas.

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17/10/2019 – Pelegada das centrais (CUT, UGT, FARSA SINDICAL, CTB, NCST, CSB) bajula o governo, representado por Rogério Marinho, algoz das contrarreformas trabalhista e da Previdência

Mas não se poderia esperar outra coisa dessa corja atrelada e domesticada do movimento sindical e dos mercadores de ilusão que se cevam no chiqueiro que são o parlamento, movimento sindical traidor e todas as estruturas desse podre e genocida Estado brasileiro. Como afirmávamos, no início do ano, no artigo “Abaixo o podre e traidor movimento sindical brasileiro”: o movimento sindical, sob a batuta das centrais sindicais, é traidor e está complemente apodrecido. Tal como protagonizou no período que antecedeu a aprovação da famigerada “reforma trabalhista”, encena resistência, articula reuniões, assembleias e atos comportados; enquanto promove escusas articulações de bastidores. Nesses entendimentos com sórdidas figuras do governo, dizem falar em nome dos trabalhadores e aposentados mas utilizam essas tratativas para barganhar por seus próprios interesses. Essas reuniões são a continuidade da trilha de traição das centrais sindicais. (*5).

Quem acreditou no “mise-en-scène”, quem acreditou no teatro das centrais, deputados e senadores, agora colhe esse amarga derrota sofrida pelo povo brasileiro com a destruição de nossos direitos previdenciários e trabalhistas.  Aqueles que seguiram o canto de sereia das pelegas centrais, não tiveram como não ver o conluio dos governadores e parlamentares da dita oposição com o governo fascista e miliciano de Bolsonaro & Cia; todos eles de olho nos seus mesquinhos interesses econômico-eleitorais e a serviço da grande burguesia, banqueiros, FMI e Banco Mundial.

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02.04.2019 – A pelegada bajula Rodrigo Maia, outro algoz da destruição dos direitos  trabalhistas e previdenciários, presidente da pocilga câmara dos deputados

Errou feio quem dizia, após a vitória da milícia de Bolsonazi e corriola, de que a ” luta pela revogação de leis trabalhistas, de arrocho aos direitos dos trabalhadores, contra a “reforma da Previdência” ditada pelos bancos e em defesa do direito e da liberdade de organização e de manifestação exige, de imediato, a unidade de ação no movimento sindical. Com o fim da política corporativista do oportunismo petista na gerência do velho Estado, limpa-se o terreno para a luta por um movimento sindical que imponha a linha de classe como condição para levar a luta à vitória”   (*6) e passou a perfilar em atividades com as centrais sindicais e partidos oportunistas.

Errou e continua errando feio quem continua a lançar exortações para a “unidade de ação” com as centrais sindicais e com os políticos; quem endeusa e aplica a estratégia de participação no farsante processo eleitoral desse chiqueiro que é o parlamento e a estratégia de apoio e ou ocupação de cargos no serviçal, sanguinário e semicolonial Estado brasileiro. (*7) Os simulacros de “greve geral” não passaram de teatro para encenações de protagonismo e de suposto cacife para “negociação” no podre parlamento. (*8) Chega a ser patética as avaliações de setores, ditos mais à esquerda, mas também satélites oportunistas, que mesmo após a traição escancarada, rogam que as centrais “não articulam a força da classe trabalhadora” (*9) e insistem em se chafurdar no pântano sob a falácia de “a única saída possível para os trabalhadores, e também para a juventude, é retomar as entidades das mãos da burocracia”. (*10) No mesmo dia que os porcos e ratos no senado consumavam a contrarreforma da Previdência, uma sacrossanta aliança dos oportunistas denominada “Frente Parlamentar Mista do Serviço Público” era relançada na pocilga câmara dos deputados, e sem qualquer visão autocrítica, embalada sob o mote da “frente única”. (*11)

Coerentes com a visão de colaboração, o estreito e traidor horizonte da conciliação de classes e dirigidas pelos oportunistas partidos políticos a que são subordinadas; as centrais sindicais se confraternizam com a CNI (Confederação Nacional da Indústria) em um seminário realizado no Rio de Janeiro, dia 24 de outubro, no local denominado “Museu do Amanhã” – financiado pelo banco Santander e outros patrocinadores que inclui empresas como Shell, IBM, Grupo Globo, etc. O convescote de patifes teve como objetivos, segundo o burguês-larápio presidente da CNI, Robson de Andrade, a “parceria da indústria com as entidades sindicais, estratégica para a competitividade”; (*12) e segundo os traidores membros das centrais, “diálogo e boa vontade para solucionar os problemas”, “busca do crescimento da indústria nacional”, “construir esse diálogo nacional”, entre outras “pérolas”. (*13) Esqueceram rápido que essa mesma CNI esteve à testa do lobby que impôs as contrarreformas trabalhista e previdenciária e também defenestrou o gerenciamento do oportunismo através do impeachment de Dilma Rousseff.

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24/10/2019 – Pelegada das centrais (CUT, Farsa Sindical, UGT, CSB, NCST e CTB) bajula a patronal no seminário “Os desafios para a indústria e a qualificação profissional no Brasil – Pelo Futuro do Trabalho”

O caminho vitorioso do proletariado, registrado pela história, é o da demarcação de campos, o da escolha do caminho da luta e não o da conciliação no pântano dos lugarzinhos rendosos e fétidos do parlamento, das pelegas entidades sindicais e do podre Estado. É o de marchar em grupo compacto por sendas escarpadas e difíceis, rodeados de inimigos e quase sempre baixo seu fogo, visando o combate e a derrota do inimigo e não cair no pântano, como destacava Vladmir Lênin.

Se julgarmos os homens não pelo brilho dos seus discursos ribombantes nem pelos lustrosos ternos que envergam, nem pelos pomposos títulos que a si mesmo se dão, senão pelos atos e ideias que propagam e suas nefastas consequências para o povo, veremos que urge o total desmascaramento dessa corja, a denuncia da total falência das traidoras direções do movimento sindical, dos partidos políticos eleitoreiros e do processo eleitoral farsante.

O verdadeiro caminho é o da luta pela Revolução Social e não pelas reformas sociais. O caminho é o de “lutar com as massas, viver com as massas, trabalhar com as massas” – merecer a confiança das massas e ousar desferir golpes no inimigo. Como registra a história e demonstram as ondas de revoltas populares que, vira e mexe, se levantam e espalham-se pela América Latina e por todo o mundo – luta na perspectiva, não da participação no Estado burguês e seus aparatos apodrecidos, e sim a conjuração por sua destruição, forjando novas formas de organização e de combate.


5 comentários em ““Unidade de ação” com o oportunismo só conduz ao fracasso

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  1. Adorei esse comentário num vídeo que postei

    “Enquanto o Macaco da Cia, BozoNero, dança ao som das palmas e tambores dos identitários e moralistas (na famosa guerra cultural), enquanto se criam conflitos sobre a morte de uma pessoa para estampar primeiras páginas de portais do pig e do piguinho (num país onde 60 mil são assassinados por ano), enquanto os identitários falam que ela foi morta porque era negra e lésbica e os moralistas dizem que ela tinha ligação com traficantes, todos, todos, todos os ativos do Brasil são entregues a bancos americanos. Os direitos do nosso povo são destruídos e o sangue do mesmo é entregue quase de graça. Parabéns a Cia, Brzezinski, Nicholas Spykman, Kissinger, moralistas, identitários, pentecostais: conseguiram destruir um país sem dar um tiro. Espero qua a vida dos agentes identitários e moralistas nos EUA seja boa, enquanto o nosso povo morre aqui no Mad Max. Mandem um beijo para Wyllys e Tiburi”

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  2. “Quando se fala da luta contra o oportunismo é preciso não esquecer nunca um traço característico de todo o oportunismo contemporâneo, em todos os domínios: o seu caráter vago, impreciso, inapreensível. Pela sua própria natureza o oportunista evita sempre pôr as questões de maneira clara e definida, procura a resultante, arrasta-se como uma cobra entre dois pontos de vista que se excluem mutuamente, procurando “estar de acordo” com um e com outro, reduzindo as suas divergências a ligeiras modificações, a dúvida, a votos piedosos e inocentes, etc., etc.” – Vladimir Ilitch Lenin – Um Passo em Frente Dois Passos Atrás

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  3. Pera aí amigo, participar do estado burguês é importante justamente para denunciar a insuficiência da luta dentro das regras do estado burguês, caso o contrário os movimentos populares não vão passar de “dedo no olho e gritaria”.

    Mas sim, a cretinice parlamentar da pelegada no congresso que não denúncia o fechamento do regime é algo que não deve ser perdoado.

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  4. “Participar do Estado burguês é importante”?
    Já dizia Marx e o povo pobre sente todo dia na pele, o Estado é um órgão de dominação de classe, um órgão de submissão de uma classe por outra; é a criação de uma “ordem” que legaliza e consolida essa submissão, apaziguando o conflito entre essas classes. Para os políticos da pequena burguesia, ao contrário, a ordem é a conciliação das classes e não a submissão de uma classe por outra; atenuar a colisão, defender a participação no Estado burguês, significa conciliar, e arrancar às classes oprimidas os meios e processos de luta contra os opressores a cuja derrocada elas aspiram. A questão é “dedo no olho” de quem? O enorme e crescente boicote ao sistema eleitoral farsante e o repúdio popular ao Estado genocida mostram que o caminho é a destruição do Estado e não se enredar na participação dentro desse Estado (vide os longos anos de governo do oportunismo).

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