Metodologia para a Organização do Processo Educativo

Por Anton Makarenko, via Domínio Público, publicado originalmente em 1936

” O tom maior na coletividade deve ter um aspecto muito calmo e firme. Isto é, antes de mais nada, a manifestação da serenidade interior confiante nas suas forças próprias, nas forças de toda a coletividade e no seu futuro. Este firme tom maior deve adquirir o aspecto de um ânimo constante, da prontidão para a ação, não para uma ação de simples correria, de alterações desnecessárias, não para uma ação desordenada, mas para uma ação calma e enérgica e, ao mesmo tempo, um movimento econômico.”


A estrutura orgânica da coletividade

A organização da coletividade nas instituições infantis estrutura-se segundo vários princípios. As crianças podem ser divididas em grupos segundo o princípio que rege a escola: de acordo com este sistema, nos internatos, classes inteiras ou parte delas distribuem-se pelos dormitórios. Isto tem as suas vantagens, pois as crianças são da mesma idade, do mesmo grau de desenvolvimento; é mais prático e mais fácil para elas prepararem as tarefas de casa, utilizarem materiais didáticos e manuais comuns, assim como ajudar os mais atrasados.

Mas este tipo de organização também tem as suas desvantagens, porque as coletividades básicas organizadas desta forma fecham-se rapidamente no círculo dos seus interesses estritamente escolares e afastam-se do trabalho, da produção e da evolução econômica de toda a instituição.

As coletividades básicas de educadores podem ser organizadas segundo outros princípios, a saber: segundo a produção, segundo a idade etc.

Na comuna Dzerjinski o critério básico de organização da coletividade primária é o da produção. Com uma organização deste tipo é preciso guiar-se pelas seguintes teses:

  1. todos os educandos se dividem em destacamentos que também vigoram na produção;
  2. o número dos integrantes do destacamento deve estar entre 7 e 15. Não deve haver mais de 15 pessoas num destacamento. Como demonstrou a experiência, a coletividade básica formada por muitos membros subordina-se mal a quem a dirige e, por sua vez, o dirigente não está em condições de controlar todos os membros do destacamento;
  3. se os educadores trabalham na produção em dois turnos, é preferível formar os destacamentos com crianças do mesmo turno;
  4. se o grupo de máquinas é muito pequeno, podem ser formados destacamentos que incluam educandos do primeiro e do segundo turnos, mas esta forma é menos conveniente visto os membros do primeiro turno não se contatarem durante o trabalho com os do segundo;
  5. se as condições do trabalho o permitirem, é recomendável, em alguns casos, formar destacamentos que garantam a fabricação das mesmas peças desde o início até o fim;
  6. cada destacamento deve estar alojado num mesmo dormitório ou num grupo de dormitórios contíguos;
  7. no refeitório, os membros de um destacamento devem sentar-se à mesma

Ao organizar a coletividade básica segundo o critério da produção, convém necessariamente levar em consideração as diferenças etárias. Nas instituições onde não exista uma coletividade sólida e bem organizada e onde ainda não tenha sido criada uma disciplina correta, é absolutamente necessário que as coletividades básicas — destacamentos para as crianças mais novas, entre 10 e 14 anos — se organizem à parte; só como exceção se pode admitir que crianças pequenas sejam incluídas nos destacamentos dos mais velhos, mas, neste caso, é necessário verificar do modo mais escrupuloso possível as particularidades individuais; levar em conta que tipo de influência afetará o aluno, a maneira de ele ser aceito no destacamento, responsável pessoal pela sua vida no destacamento e no trabalho e a pessoa encarregada de ocupar-se dele de um modo especial.

Se existir uma organização de pioneiros [1] é necessário que em cada destacamento haja um núcleo de pioneiros. Se há um número suficiente de pioneiros para todos os destacamentos dos menores, é recomendável que se organizem destacamentos especiais compostos inteiramente por pioneiros.

Do mesmo modo, devem ser distribuídos os membros da Juventude Comunista [2] nos destacamentos dos mais velhos. Só autoriza a organização de destacamentos constituídos unicamente por membros da Juventude Comunista se nos destacamentos restantes houver pelo menos de 25 a 30% de membros desta organização. Isto também se refere aos militantes: eles não devem se fechar em destacamentos e dormitórios separados, mas devem estar distribuídos por todos os destacamentos. É necessário distribuir os militantes nos destacamentos atrasados.

Quando a coletividade estiver formada sob o aspecto orgânico e disciplinar, quando tiver sido criado um bom ritmo de vida, assim como tradições saudáveis, torna-se muito útil organizar destacamentos com indivíduos de diferentes idades.

Na comuna Dzerjinski, as coletividades básicas — destacamentos — foram organizadas segundo o princípio de agrupar jovens de diferentes idades.

 Uma organização deste tipo proporciona um maior efeito educativo, cria interação mais estreita entre os jovens de várias idades e é uma condição favorável para a acumulação permanente de experiência que pode ser transmitida pelas gerações mais velhas. Os mais novos recebem informações variadas, assimilam os hábitos de comportamento e de trabalho, aprendem a respeitar os mais velhos. A preocupação e a responsabilidade dos mais velhos pelos menores permitem que naqueles se formem qualidades indispensáveis ao cidadão soviético, tais como a generosidade humana, a bondade e a exigência e, finalmente, as qualidades de futuro homem de família e tantas outras.

Numa coletividade bem organizada, todo o processo educativo é realizado sem esforços especiais, como uma assimilação incessante de impressões, comportamentos e relações mais sutis e diversificadas.

Mas este tipo de relação entre os mais velhos e os mais novos constitui uma forma mais elevada na organização do processo educativo e requer uma direção e uma influência pedagógica qualificada e bem meditada.

É necessário cuidar sempre para que a composição do destacamento se mantenha inalterável, de maneira que os seus membros se unam numa coletividade amiga. As transferências frequentes dos educandos de um local de trabalho para outro não só prejudicam o processo produtivo, mas também desintegram as coletividades básicas. Em geral, a permanência das mesmas pessoas na mesma coletividade básica por um período mais ou menos prolongado é um fator decisivo em todo o processo educativo. Por isso, as transferências das pessoas de um local de trabalho para outro devem ser reduzidas ao mínimo.

Em todo caso, se a coletividade se divide segundo o princípio da produção, a regra que se deve seguir é esta: se o educando muda de local de trabalho também deve ser transferido de destacamento, isto é: deve mudar de dormitório e de lugar no refeitório.

Na escola, como é evidente, as crianças devem estar organizadas por classes ou por turmas. Na comuna Dzerjinski esta organização rege apenas na escola, durante o trabalho docente ou à tardinha, quando se preparam às tarefas de casa.

A organização das coletividades básicas em forma de destacamentos de produção deve gozar de prioridade.

É necessário lutar do modo mais decisivo para evitar a desorganização do lazer da coletividade. Se os educandos se encontram organizados na escola e no trabalho, mas nas horas livres lhes é permitido um comportamento arbitrário, os efeitos educativos serão sempre baixos. Nos internatos, os dormitórios não devem ser examinados apenas como uma vivência em comum. O dormitório deve ser um complemento da educação laboral, econômica e política. O grupo de pessoas no dormitório deve estar ligado pelos seus êxitos escolares, pelos seus sucessos produtivos, pelos seus insucessos, pelo combate na produção ou pelas atualidades da produção, pela própria evolução e progressos de toda a coletividade.

Se esta ligação não for organizada, o dormitório converte-se num local de “deixa-andar” com as relações que geralmente se desenvolvem segundo a linha de menor resistência e de menores exigências: passatempos e diversões primitivos e por vezes ligações e faltas antissociais.

Esta é a razão pela qual é indispensável prestar a mais séria atenção à organização rigorosa do lazer e o motivo pelo qual se recomenda hospedar, nos mesmos dormitórios, os membros de um destacamento.

A autogestão no destacamento

O destacamento deve ser encabeçado por um chefe, que será um dos membros do grupo. Existem duas vias para nomear o chefe: designação e eleição.

  1. É necessário designar os chefes em todos os casos em que não exista uma coletividade forte e a organização da Juventude Comunista for ainda insuficientemente forte para dirigir a opinião na coletividade.

Portanto, uma das tarefas primordiais da coletividade pedagógica consiste em ajudar a reforçar a influência política da organização da Juventude Comunista, tornar coesa a direção e entusiasmá-la no desempenho de um trabalho enérgico na coletividade e a exercer a autogestão. Os chefes de destacamentos devem ser designados entre os membros e militantes mais influentes da Juventude Comunista mediante uma ordem do chefe máximo da instituição, mas as candidaturas devem ser previamente discutidas no conselho pedagógico, na direção da produção, na organização da Juventude Comunista e no Conselho dos chefes de destacamentos.

  1. Nas coletividades bem organizadas com uma forte organização da Juventude Comunista, deve ser adotado o sistema de eleição dos chefes de destacamentos. Na comuna Dzerjinski, o destacamento promove o seu candidato a chefe com a mais estreita participação do bureau do Komsomol, da coletividade pedagógica e do Conselho de chefes de destacamentos. As candidaturas são submetidas à consideração definitiva do chefe da seção pedagógica. Caso o candidato não seja aceito, a questão deve ser combinada com o destacamento. Os chefes de destacamentos são eleitos em pessoa na assembleia geral da coletividade. Só têm direito a voto os membros da coletividade que tenham o nome de comuneiros. Os chefes de destacamentos devem sentir constantemente a ligação com a coletividade que os elege e a sua responsabilidade.

Para chefe de destacamento deve ser eleito um educando fiel aos interesses da instituição, bom aluno, trabalhador de vanguarda, com qualificação mais elevada do que os outros e possuidor de qualidades pessoais tais como: delicadeza, energia, capacidade para dirigir, preocupação pelos menores e honradez. O trabalho do chefe de destacamento é considerado como a tarefa mais responsável e como uma prova de confiança que a direção e a coletividade depositaram nele.

Na produção, o chefe de destacamento deve considerar como seu objetivo básico o cumprimento do plano de produção e o desenvolvimento da iniciativa. Para resolver este problema, o chefe de destacamento deve preocupar-se por todas as esferas decisivas do trabalho como: a iniciativa no trabalho, a disciplina, o fornecimento de materiais, a luta contra a perda de tempo e as faltas no trabalho, a utilização de boas ferramentas, as boas instruções, a organização do local de trabalho, a existência de uniformes aceitáveis, as normas adequadas e uma documentação correta.

Em relação a todas as avarias e insuficiências nestas esferas, o chefe de destacamento deve consultar ao instrutor, o chefe de oficina, informar o dirigente da instituição ou o seu adjunto, discutir na assembleia geral do destacamento ou na reunião de produção. Não obstante, ele deve adotar as medidas mais enérgicas para  que estas discussões e reuniões não se realizem durante o horário de trabalho, para que nem um só educando se afaste da sua máquina durante o trabalho.

O próprio chefe de destacamento deve ter o seu posto de trabalho numa máquina. Pela sua atividade de chefe pode ganhar mais 10 ou 12% sobre aquilo que ganha pelo seu trabalho.

O chefe de destacamento não deve substituir o instrutor responsável pela direção do processo tecnológico da produção. Se o instrutor é um dos membros da coletividade — um educando — ele deve cumprir na produção as mesmas funções que um instrutor assalariado, sem que estas funções se misturem com as do chefe de destacamento.

Na vida diária, no dormitório, o chefe de destacamento também é responsável pelo destacamento. Entre os educandos que fazem parte dum destacamento elege-se um para ajudante do chefe do destacamento. Também se elege outro membro que será o responsável pela organização do esporte. Estas candidaturas são propostas por todo o destacamento, ou o chefe as apresenta pessoalmente e são depois ratificadas pelo dirigente pedagógico da instituição e pelo Conselho de chefes de destacamentos.

Em cada destacamento deve haver um organizador da Juventude Comunista.

A direção do destacamento encabeçada pelo seu chefe tem as seguintes funções:

  1. zelar para que todos os educandos cumpram rigorosamente a ordem do dia, levantem-se à hora estabelecida, não cheguem tarde à mesa, saiam a tempo para o trabalho ou para a escola, cheguem pontualmente à instrução à noite e deitem-se à hora assinalada;
  2. zelar pelo estado sanitário do destacamento, que a limpeza se realize a tempo e bem, que os guardas de dia cumpram as suas obrigações, que se mantenha a higiene pessoal e a utilização correta dos banhos, que os educandos andem bem penteados, lavem as mãos antes das refeições. Habituar todos os educandos a conservar tudo limpo, não derrubar nada nem cuspir no chão, não fumar, cortar as unhas dos pés e das mãos, não se deitar nas camas arrumadas, não brincar nas camas ;
  3. zelar pelos êxitos dos educandos no trabalho escolar, organizar ajuda aos atrasados, manter no destacamento uma ordem que garanta a possibilidade de preparar as tarefas de casa;
  4. fazer com que os educandos frequentem clubes e grupos desportivos, leiam jornais e livros, participem na edição do jornal de parede;
  5. elevar o nível cultural dos educandos, eliminar do seu vocabulário as palavras grosseiras e os palavrões, regular as relações entre os camaradas, habituá-los a resolver os conflitos sem discussões nem brigas, lutar decididamente contra os mínimos atentados por parte dos mais velhos e mais fortes contra os mais novos e mais fracos;
  6. lutar energicamente contra as tendências negativas de certos educandos. Incentivar nos membros do destacamento o respeito pelo trabalho alheio, pelo repouso, pelo sono e pelas atividades de outrem;
  7. zelar pela formação no destacamento de agrupamentos e de ligas de amizade, estimular e desenvolver os que sejam proveitosos (desportivos, de radioamadores e outros) e liquidar definitivamente os prejudiciais (antissociais). Interceder pela expulsão dos membros especialmente nocivos do

Na escola da comuna Dzerjinski funciona uma instituição de chefes de classes. Estes chefes encontram-se à disposição da direção da escola e são assistentes dos responsáveis pelas classes.

Eles zelam pela disciplina na sala de aulas durante as aulas e nos intervalos, pela ordem geral e limpeza na sala de aulas, pela conservação de todos os bens. Os alunos de guarda na turma subordinam-se ao chefe respectivo e este é responsável pelo trabalho deles. Quando o professor exige, o chefe de turma expulsa da aula o aluno que tenha violado a disciplina. Esta é a organização que domina na escola durante a atividade docente. Fora da escola — na vida diária e na produção — o chefe de turma subordina-se ao chefe de destacamento onde ele está integrado. O sistema complexo das dependências coletivas forma a capacidade para mandar e obedecer.

Os chefes dirigem os destacamentos com base nas reuniões gerais do destacamento, na influência dos militantes do destacamento, da atividade política da organização da Juventude Comunista e das organizações político-instrutivas da instituição; e também dirigem o trabalho desenvolvido por todos os órgãos de autogestão, em pleno acordo com a direção administrativo-pedagógica, sob a constante instrução e ajuda por parte do pessoal pedagógico.

Independentemente disto, na base dos mesmos processos e organizações, deve ser sempre mobilizada a atenção dos membros do destacamento para questões do trabalho produtivo, do cumprimento dos planos industriais e financeiros, da elevação da qualidade e do combate aos defeitos na produção; sobre o estudo na escola e a disciplina na coletividade, sobre as vias gerais para o crescimento e desenvolvimento da instituição.

O chefe do destacamento deve esforçar-se para que o seu destacamento constitua uma coletividade unida. A sua autoridade deriva do melhor trabalho que realize, do comportamento exemplar, da sua intransigência como membro da Juventude Comunista e da sua não conversão em “patrão”.

No fim do dia, a uma hora marcada e segundo uma determinada forma, os chefes de destacamento informam o dirigente do setor pedagógico sobre o estado em que se encontram os seus destacamentos, sobre as faltas cometidas pelos seus membros e sobre as violações ao regime estabelecido que se tenham registrado. Esta breve informação diária oferece ao dirigente um quadro claro do estado em que se encontra a instituição em relação a certos educandos, assim como no que respeita a questões de organização geral. O fato de a direção estar sempre a par do que se passa e poder reagir imediatamente aos acontecimentos e ações tem uma grande importância educativa para a coletividade dos educandos.

Os chefes de destacamentos são eleitos por um período de 3 a 6 meses. Este prazo é o mais conveniente: em primeiro lugar, neste breve prazo, os chefes de destacamentos sentem-se representantes da coletividade sem que cheguem a converter-se numa espécie de funcionários; em segundo lugar, passa um número maior de educandos pelos postos de chefia; e, em terceiro lugar, as obrigações do chefe de destacamento que exigem tensões adicionais não chegam a converter-se, durante este período, numa carga demasiado pesada para os educandos. A revogação do mandato de um chefe de destacamento antes do prazo estabelecido deve ser bem motivada e aprovada pelo conselho de chefes de destacamentos. O afastamento administrativo de um chefe de destacamento só pode ser provocado por circunstâncias muito sérias e inadiáveis.

Todos os chefes de destacamentos e de turmas constituem um órgão central de autogestão — o Conselho da coletividade (o Conselho de chefes de destacamentos) — da instituição em questão.

Os órgãos de autogestão

O órgão fundamental de autogestão é a assembleia geral de todos os educandos da instituição infantil. Ela deve se reunir uma vez por semana no período de organização e de brechas no trabalho da instituição e pelo menos duas vezes por mês no período normal.

Via de regra, a assembleia geral deve ser sempre aberta, isto é, nela todos os membros da coletividade têm direito de estar presentes e de expressar-se. Em algumas questões é aceitável que votem todos os presentes como, por exemplo, naquelas que estão relacionadas com o trabalho cultural, dos clubes etc.

O presidente do Conselho da coletividade preside a assembleia geral, salvo naquelas assembleias em que este Conselho presta contas do seu trabalho. Pode ser adotado outro meio de nomeação do presidente da assembleia. Por exemplo, podem presidir todos os membros da coletividade por turno. Isto é benéfico para incutir em todos os educandos determinados hábitos sociais e atraí-los para a vida social ativa.

É necessário recomendar a redução do tempo para a eleição dos membros para a presidência. Geralmente, as assembleias gerais das instituições educacionais devem ser muito dinâmicas a fim de não “roubarem” muito tempo aos educandos. Por isso, para elas deve existir um regulamento preciso elaborado pela parte docente-educativa conjuntamente com o comitê da Juventude Comunista e aprovado numa destas assembleias gerais.

Este regulamento é importante não só porque impede que as assembleias gerais se estendam e “roubem” aos educandos tempo de sono ou de leitura, mas também porque ensina os oradores a limitarem-se a um tempo exato e a expressarem-se de modo concreto e conciso.

No entanto, nas assembleias gerais da coletividade, nunca se deve permitir que os debates sejam interrompidos, ou se reduza a lista de oradores, visto que um dos objetivos das assembleias consiste em atrair o maior número possível de educandos para a vida social ativa. A direção da instituição educacional deve impor nas assembleias gerais uma disciplina rigorosa, que fale um de cada vez, não haja barulho, não andem pela sala nem saiam do local da reunião, não gritem dos lugares. Por isso, todo aquele que preside as reuniões deve ter o direito de fazer admoestações aos que violam a ordem e de expulsar os reincidentes.

É necessário que as coletividades básicas da instituição (destacamentos, brigadas, classes) sejam responsáveis por turnos em manter a ordem na sala durante as assembleias gerais. Recomenda-se fazê-lo da seguinte maneira: cada destacamento de educandos é responsável em manter a ordem na sala durante as assembleias gerais (concertos, cinema) por um período de duas semanas. Isto deve ser anunciado através de uma ordem por escrito. O grupo de guarda preocupa-se para que a sala esteja em ordem antes de a reunião começar, que haja uma mesa para a presidência, uma jarra com água, uma toalha de feltro na mesa etc. Entre os membros do destacamento de guarda, para cada assembleia, devem ser escolhidos vários chefes de guarda, que ajudarão a manter a ordem; para sua identificação, usarão braçadeiras de uma determinada cor. Eles estarão na entrada do local da reunião para que, durante a mesma ou durante algum discurso, ninguém ande pela sala, não se amontoem às portas, não se fume na sala. É preciso que nas reuniões todos tirem os chapéus e não se vistam com uniformes de trabalho (salvo nas assembleias de produção nas oficinas). Os chefes de guarda devem também cumprir todas as ordens do presidente.

No início de cada semestre são eleitos, na assembleia geral, os seguintes órgãos de autogestão: o conselho da coletividade, a comissão sanitária e a comissão financeira.

Antes das eleições, devem ser elaboradas as listas de candidatos para estes órgãos pela seção de educação e ensino e pela organização da Juventude Comunista. Quando a organização da Juventude ocupa na instituição o lugar dirigente respectivo, é necessário conceder-lhe o direito de elaborar as listas de candidatos.

A atividade de todos os órgãos de autogestão numa instituição infantil deve decorrer em plena concordância com o plano traçado, exceto a do órgão central — o Conselho da coletividade (o conselho dos chefes) — visto ter de resolver muitas questões correntes, impossíveis de serem previstas por um plano.

A regularidade do trabalho dos órgãos de autogestão é um fator decisivo. Todo órgão de autogestão que, por qualquer motivo, não se reúna durante muito tempo perde a sua autoridade e, na prática, é como que se não existisse.

A regularidade do trabalho dos órgãos de autogestão não é assegurada por um calendário ou pela marcação de dias concretos para a realização das reuniões.

A atividade dos órgãos de autogestão só será atual e importante se toda a vida da instituição educacional estiver de tal modo organizada que a suspensão da atividade deste ou daquele órgão se reflita imediatamente no trabalho da instituição e seja sentida pela coletividade como uma deficiência. Para que os órgãos de autogestão tenham precisamente essa importância de instituições que funcionam regularmente é necessário o seguinte:

  1. a administração da instituição, incluindo a pedagógica, não deve substituir os órgãos de autogestão e resolver independentemente as questões que são da competência destes órgãos, mesmo que a decisão da direção possa parecer mais correta e flexível;
  2. cada decisão dos órgãos de autogestão deve ser cumprida obrigatoriamente, sem demoras e sem adiamentos;
  3. se a administração considera impossível o cumprimento da decisão errônea de qualquer órgão de autogestão, deve reclamar perante uma assembleia geral, e não simplesmente anular a decisão;
  4. o método fundamental para o trabalho da administração deve ser a influência exercida nos próprios órgãos de autogestão; aquele camarada que não goze desta influência e que provoque constantemente conflitos com estes órgãos não serve para trabalhar nesta instituição;
  5. a atividade nos órgãos de autogestão não deve ocupar muito tempo aos educandos para que eles não sejam sobrecarregados com as suas obrigações e não se convertam em “funcionários”;
  6. não se podem sobrecarregar os órgãos de autogestão com diversas ninharias que se pode resolver no trabalho administrativo corrente;
  7. o trabalho realizado por todos os órgãos de autogestão deve ser organizado com muita precisão e todas as suas decisões devem ser registradas por É preferível que o controle deste trabalho esteja centralizado num só local, por exemplo, junto ao secretário do Conselho da coletividade.

Este controle permite liberar os órgãos de autogestão da redação fastidiosa e desnecessária de atas, que imprime ao trabalho dos órgãos de autogestão um caráter burocrático e sobrecarga a atividade das crianças com uma demasiada quantidade de papel. Só para as resoluções mais importantes relacionadas com a graduação dos educandos é necessário um livro de atas. O controle quotidiano de trabalho dos órgãos de autogestão deve ter características de um diário geral em que se registrem as datas e as breves decisões adotadas.

Uma forma muito importante de autogestão, que não exige tanto trabalho dos seus órgãos e que tem ainda muitos aspectos educativos úteis, é a atividade de pessoas com plenos poderes pessoalmente responsáveis pelo trabalho que realizam. Esta forma conduz, em determinada medida, a que o trabalho dos educandos adquira os princípios de direção unipessoal, acostume os educandos a serem pessoalmente responsáveis, reduza os debates e discussões, proporcione a toda a vida da coletividade um ritmo de trabalho indispensável.

Cada encarregado deve trabalhar em nome de um outro órgão, prestar contas perante ele das suas funções e ter marcos bem delimitados da sua atividade. Também pode haver jovens encarregados pela assembleia geral.

Em cada instituição educacional deve haver uma ordem que preveja um sistema de controle das resoluções dos órgãos de autogestão e do cumprimento das mesmas. As funções de controle podem ser confiadas a todas as coletividades básicas por turnos, por um período de um mês.

Uma questão particularmente difícil é o controle do cumprimento das resoluções concernentes às sanções e às medidas de influência impostas a um ou a outro educando. É inadmissível que se encarregue um colaborador assalariado de realizar esta função. É especialmente difícil zelar pelos castigos que têm um caráter prolongado, por exemplo, limitações de várias ordens. Frequentemente estes castigos são esquecidos pelos culpados e por toda a coletividade e perdem, por isso, todo o significado.

A experiência demonstrou que a melhor forma de controle na esfera das medidas de influência é aquela em que a função de controle deriva de quaisquer outras obrigações. Por exemplo: é aconselhável, em cada coletividade, ter um grupo de educandos aos quais se confia a guarda da instituição de fora ou de dentro. Este destacamento de guardas pode ser ao mesmo tempo o de controle e, em particular, as obrigações de controle podem ser responsabilidade do chefe deste destacamento.

Também se pode encarregar o chefe do destacamento (que se encontra de guarda à instituição) desta função. Em outras palavras, todos os chefes podem ser encarregados por turno.

O estilo de trabalho com a coletividade

As instituições infantis diferem umas das outras pelo estilo geral dos trabalhos e pelo tom.

O tom normal só pode ser um. Em primeiro lugar, ele deve distinguir-se por um vivo tom maior; no entanto, em caso algum deve ter um caráter estridente, de efervescência constante, de tensão histérica que salta à vista desagradavelmente e ameaça rebentar com o primeiro fracasso e converter-se numa desilusão.

O tom maior na coletividade deve ter um aspecto muito calmo e firme. Isto é, antes de mais nada, a manifestação da serenidade interior confiante nas suas forças próprias, nas forças de toda a coletividade e no seu futuro. Este firme tom maior deve adquirir o aspecto de um ânimo constante, da prontidão para a ação, não para uma ação de simples correria, de alterações desnecessárias, não para uma ação desordenada, mas para uma ação calma e enérgica e, ao mesmo tempo, um movimento econômico.

Só uma coletividade que se exercita frequentemente no cumprimento de diversas tarefas adquire tal ânimo. Evidentemente que este cumprimento não é caótico, mas organizado, com a indicação precisa das funções de determinados órgãos e indivíduos, com a responsabilidade necessária e bem delimitada de diferentes pessoas e de toda a coletividade.

Em geral, no tom deve sentir-se sempre que os distintos educandos e a coletividade no total estão conscientes da sua dignidade como pessoas que trabalham numa coletividade de produção soviética.

Esta dignidade se expressa, por um lado, por uma cortesia comedida em relação a um desconhecido, por ser um anfitrião amável, se o desconhecido chegou à instituição para tratar algum assunto; e pela disposição de oferecer a mais enérgica resistência se algum estranho, não respeitando a coletividade, viola os seus interesses.

Com esta dignidade, os educandos sabem distinguir facilmente indivíduos e fenômenos diferentes. É preciso que se eduque nas crianças uma capacidade de orientação como esta, é necessário inculcar-lhes o hábito de sentir o que acontece à sua volta, conhecer e definir a sua atitude em relação a um desconhecido, a uma pessoa nova e estabelecer rapidamente uma linha de comportamento que mais convenha aos interesses da coletividade.

É evidente que os educandos não têm nenhuma dignidade quando cercam todo aquele que acaba de chegar e seguem-no por todo lado. Aqueles educandos que recebem uma pessoa nova fazendo queixas da administração também não têm nenhuma dignidade.

Mesmo que estas queixas sejam justas, eles, de todo o modo, mostram que a educação da instituição não serve para nada.

O sentido de dignidade surge nos educandos só quando as instituições, a sua vida e o trabalho, em medida considerável, se baseiam na responsabilidade da coletividade infantil compartilhada com o pessoal dirigente. Se a organização e o estado de coisas na instituição são objeto da atenção geral e dos esforços gerais de toda a coletividade, então cada êxito, por muito insignificante que seja, originará este sentido de dignidade.

A cada passo, promovendo o espírito de autocrítica, despertando a aspiração dos educandos em revelar as deficiências no trabalho da instituição, mesmo que se tenha de criticar a administração e certos camaradas, deve ao mesmo tempo formar o orgulho, o amor pela sua instituição, o desejo para que a sua fama seja uma boa fama. Por esta razão revelar os fracassos e atritos internos ao primeiro desconhecido que vier é, na opinião da coletividade, um ato condenável. Além do mais, os educandos devem suportar com dignidade algumas privações e não pedir a desconhecidos que as resolvam para eles.

 Só depois de conhecer uma pessoa, determinar o que pretende e que atitude tem em relação à instituição, fazendo-a inteirar do esquema geral de seu trabalho, os educandos podem acolhê-la como amiga e valerem-se da sua ajuda. Este estilo de relações na instituição forma o sentido de dignidade própria, do orgulho e da vigilância, elementos necessários ao patriotismo natural.

 Uma segunda qualidade muito importante do tom geral necessária de ser formada na instituição é a unidade da coletividade, a união estreita de todos os seus membros. Nas relações internas, no trabalho quotidiano, os educandos podem “pressionar” um a outro quando quiserem, criticar um a outro nas assembleias gerais, no Conselho, e castigar um a outro, mas, fora destas formas especiais de influência, eles devem fazer justiça a cada educando antes de mais nada, porque ele é membro da mesma coletividade, defendê-lo dos estranhos, não lhe causar desgosto algum, não o difamar. Esta unidade da coletividade deve manifestar-se com maior incidência durante trabalhos de urgência, de investida e durante uma grande luta comum. Em tais situações não é preciso lembrar erros ou faltas cometidas por alguns camaradas.

O terceiro indício de um tom geral normal deve ser uma ideia de proteção bem determinada. Nenhum educando por menor ou fraco que seja, por mais novato na coletividade não deve sentir-se abandonado ou indefeso. Na coletividade deve vigorar uma lei rígida segundo a qual ninguém tem direito nem sequer a possibilidade de escarnecer, bazofiar ou exercer violência contra o membro mais fraco da coletividade e ficar impune. Em primeiro lugar, a vítima deve encontrar o apoio obrigatório por parte do seu destacamento ou classe. Por isso é importante manter por muito tempo destacamentos inalteráveis na sua composição.

Em segundo lugar, cada educando deve estar certo de que em caso de necessidade será protegido por qualquer educando mais velho, de que a direção da instituição também o protegerá da maneira mais enérgica se disso houver necessidade. Todo tipo de tentativas de violência de educandos sobre outros deve ser reprimido da forma mais decidida.

O quarto indício importante do tom geral é o dinamismo. Isto não significa de maneira alguma que ele se deva manifestar através de uma correria ou gritaria desordenada, mas através de uma prontidão e inclinação permanentes a uma atividade séria, mesmo que seja em forma de jogo. O educando, durante todo o dia de trabalho, deve encontrar-se racionalmente ocupado, ora com o trabalho, ora com os estudos, ora com o jogo, ora com a leitura, ora com uma palestra útil. Ele não deve apenas falar de coisas sem importância, matar o tempo, olhar para o teto ou andar entre quatro paredes sem saber o que fazer. Só numa atividade organizada formará nele o espírito diligente, razoável e útil, o hábito e o gosto de um movimento benéfico.

O quinto indício importante do tom deve ser o hábito de saber dominar-se; a direção da instituição infantil deve constantemente desenvolver nos educandos a capacidade de serem moderados no comportamento, nas palavras e nos gritos. É preciso exigir que se mantenha o silêncio quando é preciso, ensinar os educandos a não gritarem sem motivo, a não rirem em altas gargalhadas e a não se excederem nos movimentos desnecessários. Na comuna Dzerjinski, a coletividade proíbe os educandos de se encostarem às paredes, se agarrarem aos corrimões das escadas; se deitarem nas mesas e repimpar-se nos sofás. Esta moderação não deve ter o caráter de adestramento, mas deve ser justificada logicamente com o benefício direto para o organismo do educando, com as noções estéticas e as comodidades para toda a coletividade.

 Uma forma especial de moderação é a cortesia, a qual deve ser insistentemente recomendada aos educandos sempre que seja possível e exigida.

A educação do tom geral produz-se em todos os planos da instituição infantil, em cada momento de trabalho, na vida quotidiana, na escola, na produção, durante os jogos etc. Muito depende do comportamento e do tom dos professores, do pessoal educativo, dirigente e instrutivo. Este pessoal deve reunir com o seu comportamento todas as exigências acima citadas. Além do mais, todo o pessoal da instituição infantil deve ter formadas tradições e normas de comportamento especiais. Em relação aos educandos, o pessoal pedagógico e dirigente deve sempre ser amável, cordial, à exceção daqueles casos quando se exige, ou elevação do tom devido a novas exigências, ou quando elevar o tom obedece à necessidade de imprimir uma maior emoção — durante as assembleias gerais, trabalhos comuns ou determinadas rupturas na vida da coletividade. Em todo caso, os pedagogos e a direção nunca devem comportar-se frivolamente: zombaria, contar anedotas, nenhum excesso verbal, imitações, trejeitos etc. Por outro lado, é absolutamente inadmissível que os pedagogos e a direção, na presença dos educandos, estejam taciturnos, irritados e gritantes.

Em certos casos de faltas graves, pode manifestar-se indignação, mas este tom deve ser obrigatoriamente justificado pela gravidade da ação.

Tanto dos educandos quanto dos pedagogos e de outros funcionários da instituição infantil é necessário exigir uma ordem e limpeza completas nas roupas, cabelo, bigode e barba num estado aceitável, o calçado limpo, as mãos lavadas, as unhas cortadas e um lenço de mão.

Igualmente como os educandos, os pedagogos só devem falar quando for preciso e quanto for necessário, não se deve encostar às paredes e deitar-se sobre as mesas, não se deve repimpar nos sofás, não se deve cuspir, não atirar bitucas e sacudir a cinza no chão, não andar pelas instalações com o sobretudo vestido e com o chapéu na cabeça.

Nas instituições infantis não é preciso impor uma ordem militar. Também não é necessário que os educandos formem filas, a não ser quando se trata de excursões, desfiles festivos, educação física ou militar. Não deve haver nenhum adestramento militar para as necessidades da vida diária. No dia a dia são necessárias a pontualidade e a disciplina, mas estes elementos são por si só valiosos mesmo se não estão relacionados com assuntos militares e muito menos deve haver dependências de tipo militar externas: comando, posições etc. Os movimentos livres dão à pessoa uma graciosidade, uma elegância e à nossa juventude de todas as idades devem exigir-se precisamente um estilo e maneiras de comportamento como estas. Isto torna- se completamente natural e habitual só com a experiência e o exercício constantes desde a infância.

O trabalho cultural

Cada esfera do trabalho cultural tem a sua metodologia que deve ser conhecida pelos especialistas que o dirigem. Neste capítulo será apenas feita referência aos princípios gerais que se deve ter em conta nas instituições infantis para organizar o trabalho cultural.

Estes princípios são:

  1. A distribuição das crianças pelos círculos e clubes deve ser absolutamente voluntária, com direito de abandonar o círculo ou o clube em qualquer momento. No entanto, nos círculos também deve haver disciplina, não se deve permitir que a composição destas organizações se altere constantemente. Assim, por exemplo, pode-se ingressar numa banda voluntariamente, mas a saída deve ser limitada. Caso contrário nunca se formará uma boa banda. Habitualmente são frequentes os conflitos com os músicos que tocam tambor ou contrabaixo… Frequentemente, é com prazer que as crianças querem aprender a tocar estes instrumentos, mas, ao se darem conta de que não têm grande futuro com esta especialidade, fazem todo o possível para abandonarem a banda.

Nestes casos, no ato de ingresso na banda é preciso explicar aos interessados que o valor da banda reside no conjunto, que a banda é importante não só como uma oportunidade de obter uma determinada qualificação musical, mas também como um organismo sério na própria coletividade.

Ao ingressar na banda, cada educando terá de assinar uma obrigação segundo a qual se compromete a tocar durante certo período e, quando desejar abandonar a banda, deve avisar com pelo menos três meses de antecedência, para que seja possível preparar um substituto.

Também devem existir algumas limitações para abandonar o círculo dramático e o coro. Os membros destes círculos não podem retirar-se até que termine a apresentação do espetáculo ou do concerto para os quais se preparam.

Estas limitações disciplinatórias devem ser ratificadas pela assembleia geral e todos os educandos que as infringirem terão de responder como se tivessem violado a disciplina geral.

  1. Nas grandes instituições, a organização do trabalho extraescolar e de clubes deve estar a cargo de um especialista efetivo neste ramo.
  2. Cada círculo deve ter o seu dirigente responsável conhecedor deste tipo de trabalho. Se forem os pedagogos desta instituição a dirigirem estes círculos, é recomendável que cada pedagogo se encarregue apenas de um círculo e receba por este trabalho suplementar uma determinada compensação financeira.
  3. Podem ser recomendados os seguintes círculos: de coro, dramático, de literatura russa, de literatura nacional, de instrumentos de sopro, de instrumentos de corda, de instrumentos de percussão, de pintura, de trabalhos manuais, de dança, de fotografia, de investigações em ciências naturais, de radioamadores, de física e química, de línguas estrangeiras, desportivo, de contos, de xadrez e damas.

Ao iniciar a organização dos círculos deve partir-se do princípio de que é preferível ter menos círculos, mas que se trabalhe efetivamente naqueles que existem.

  1. É desejável que cada círculo disponha, se possível, de um local próprio. No entanto, é preciso zelar para que este local não se converta simplesmente num lugar de ociosidade, de refugio de determinados grupos de educandos que se desviam de assuntos sociais. Por esta razão, é necessário seguir muito de perto o trabalho dos círculos e a sua composição.
  2. Se a direção da instituição manifestar cuidados por eles, nenhum círculo deixará de funcionar.

Esta preocupação deve consistir no seguinte: local, dirigente, instrumentos, materiais, visitas às sessões de trabalho do círculo, informação sobre o trabalho do círculo na imprensa da instituição.

A prestação obrigatória de contas de cada círculo em forma de espetáculos, concertos, jornais murais, exposições, relatórios.

A prestação de contas oficial de cada círculo no conselho da coletividade.

A competição geral entre todos os círculos com base em determinados critérios elaborados no Conselho da coletividade.

Na comuna Dzerjinski é eleito um comitê de concursos para questões relativas à arbitragem, prêmios, sequência de mostras e organização dos concursos.

 Premiação dos melhores círculos com instrumentos, materiais, viagens, assim como a premiação de alguns dos seus membros mais destacados propostos pelos próprios círculos com pequenos presentes especiais.

É necessário controlar como são atraídos os educandos para o trabalho nos círculos, quais as circunstâncias que impedem alguns deles de se inserirem na atividade dos círculos e tentar eliminar estas razões. Acontece com frequência que os educandos mais velhos aceitam de mau grado os membros novos para os círculos, tentam limitar a sua composição a um determinado grupo engajado. É o que não se pode admitir.                   Ao atrair os restantes membros do círculo para o trabalho é necessário prestar a maior atenção aos educandos que se inscreveram em vários círculos, mas não trabalham, servindo apenas de obstáculo. Geralmente trata-se de jovens propensos à superficialidade e quase sempre preguiçosos. É necessário limitar o direito de educandos de participarem em mais de dois círculos, com uma resolução do Conselho.

  1. Nenhum círculo deve ter privilégios e, em caso algum, vender independentemente a sua produção, a quem quer que seja, por dinheiro.

Só a administração pode autorizar esta venda única e exclusivamente quando os fundos obtidos se destinarem a melhorar o trabalho do próprio círculo, à compra de materiais etc.

Deve-se atuar com muito cuidado em relação à banda. Ouvem-se objeções de que os músicos necessitam de muito mais tempo e por isso devem ser dispensados do trabalho produtivo e de assuntos sociais; é preciso conceder-lhes dormitórios independentes, enviá-los de vez em quando a tocar por dinheiro, assinar com eles condições especiais.

Em algumas instituições pode se observar uma “aristocracia orquestrada”, passeando com trajes especiais, desprezando os outros educandos e o trabalho produtivo. São mesmo alguns dirigentes que contribuem para este estado de coisas, enviando a banda nos meses de verão para as estações balneárias e de descanso, quando os músicos ganham dinheiro tocando nos parques e jardins.

Esta “política” é a via mais curta para a decomposição da coletividade e de certos dos seus educandos, dos quais, no melhor dos casos, se formam arranjadores vulgares e ignorantes.

A melhor prova de que se pode prescindir dum método destes é a banda da comuna Dzerjinski que, durante oito anos de trabalho, não ganhou um único copeque, não gozou de privilégio algum e, apesar disto, é uma das melhores bandas de Kharkov.A banda deve estar absolutamente convicta de que o seu único privilégio consiste em que os músicos aprendem a tocar um determinado instrumento adicional. De resto, são educandos comuns da mesma maneira que os outros; participam no trabalho, estudam na escola como os demais, têm as mesmas obrigações e outros deveres que vigoram na comuna etc. O orgulho da banda deve consistir em que ela serve, antes de mais nada, à coletividade de educandos, ajuda-a a viver mais alegre e formosa.

Fora da instituição, a banda só pode tocar segundo ordem da direção ou do Conselho de chefes de destacamento e, obrigatoriamente de graça. É evidente que dentro dos possíveis não se deve sobrecarregar as bandas com encargos desta índole.

Em geral, a banda deve estar completamente subordinada ao Conselho da coletividade e cumprir todas as suas disposições sem objeção, mostrando aos outros educandos um exemplo de disciplina.

Só em casos excepcionais é que se deve prestar uma atenção especial à banda: se todos vão viajar, a banda deve ser a primeira a partir; durante as excursões a pé é preciso ajudar os músicos a transportar os instrumentos pesados; às vezes se deve agradecer publicamente à banda pelo seu bom trabalho e premiá-la.

Durante as jornadas de trabalho voluntário aos domingos e de trabalhos de emergência, a orquestra pode, em vez de trabalhar, tocar para aqueles que trabalham.

Uma boa banda de música na coletividade tem uma enorme importância educativa, unificadora e embelezadora. Convém insistentemente recomendar à direção de cada grande instituição infantil que organize uma banda. Os meios e esforços empregados serão justificados pelos resultados de educação da coletividade e, além do mais, da educação estética.

  1. A oficina livre. Esta organização é de grande interesse e é criada da seguinte maneira: arranja-se uma sala grande do tipo de uma oficina e convida-se um instrutor especial. Na sala instalam-se várias máquinas, podendo mesmo ser velhas, mas variadas, um torno, uma furadeira, algumas bancadas, andaimes, morsas.

O mais importante não são as máquinas, mas os instrumentos. Estes devem ser os mais variados possíveis: para trabalhar madeira, metal, agulhas, serras, tesouras. E deve ser ainda mais variado o material: madeira, aço, ferro, lata, estanho, vidro, algodão, cola, gesso, cartolina, arame, papel, carvão, tintas e telas.

O círculo deve estar estreitamente ligado pelas suas obrigações mútuas. Cada um se compromete trabalhar, cuidar dos bens do círculo e observar a disciplina. Cada qual pode fazer o que desejar: um modelo, uma máquina a vapor, um avião, um brinquedo, objetos de madeira, mas deve informar o círculo dos seus planos e este, por sua vez, deve aprovar as suas intenções. Só neste caso ele receberá material e ajuda do instrutor.

Esta oficina atrai um grande número de pequenos que ainda não têm idade para fazer parte de círculos mais sérios e que sempre têm sonhos e capacidade para construir. A direção da instituição deve ajudar com todas as forças um círculo deste tipo, fornecer pequenas somas em dinheiro e materiais, todo o tipo de restos da produção, retalhos e instrumentos usados.

O trabalho deste círculo deve terminar com uma exposição.

  1. Um tipo especial de trabalho que se realiza no clube é o dos murais. Para isto organiza-se também um círculo. Das várias esferas da ciência, da vida, da história, da geografia, da prática da produção etc., selecionam-se problemas anedotas, questões logogrifos, desenhos e tudo isto, de um modo mais ou menos artístico, é apresentado num grande painel. Todos os educandos podem responder às perguntas por escrito. A cada problema oferece-se um determinado número de pontos, tanto pela solução quanto pela proposição. Durante o inverno fazem-se várias séries destes murais com logogrifos. Na primavera, calcula-se quantos pontos obteve cada participante e, em função disto, entregam-se pequenos prêmios numa assembleia geral que se convoca especialmente para o feito.

Um mural deste tipo, bem decorado atrai centenas de educandos e é muito benéfico. Na comuna Dzerjinski podem ser obtidas explicações completas e modelos destes murais com logogrifos.

 É necessário organizar o trabalho extraescolar e dos círculos de tal modo que ocupe os educandos nas horas livres e principalmente aos domingos e dias festivos.

A perspectiva

Um verdadeiro estímulo da vida humana é a alegria do amanhã. Na técnica pedagógica esta alegria do amanhã é um dos objetos mais importantes do trabalho. Primeiro, é preciso organizar a própria alegria, fazê-la viver e convertê-la em realidade. Em segundo lugar, é necessário ir transformando insistentemente os tipos mais simples de alegria em tipos mais complexos e humanamente significativos. Aqui existe uma linha muito interessante: da satisfação mais simples até o mais profundo sentido do dever.

O mais importante que nós habituamos a valorizar no ser humano é a força e a beleza. Tanto uma coisa quanto a outra determinam-se na pessoa exclusivamente pelo tipo de atitude que ela assume em relação ao futuro. A pessoa que determina o seu comportamento em relação ao futuro mais imediato é a pessoa mais fraca. Se ela se satisfaz só com a sua própria perspectiva, ainda que seja em longo prazo, é capaz de ser forte, mas não nos despertará a sensação de beleza da personalidade e do seu verdadeiro valor. Quanto mais ampla é a coletividade cujas perspectivas se identificam com as perspectivas pessoais do indivíduo tanto mais nobre e belo é este último.

Educar um ser humano significa formar nele capacidades para  que possa escolher vias com perspectivas. A metodologia deste trabalho consiste em organizar novas perspectivas, em utilizar as existentes, em colocar, pouco a pouco, outras mais elevadas.

Pode-se começar com um bom almoço e com uma ida ao circo, mas é preciso sempre animar toda a coletividade pela vida e gradualmente alargar as suas perspectivas, enaltecê-las até o nível dos objetivos de todo o país.

Os fracassos em muitas instituições infantis se devem às perspectivas fracas e mal definidas. Mesmo em instituições infantis bem equipadas não se conseguirá um bom trabalho e disciplina se não traçarem perspectivas claras.

A perspectiva próxima

Numa coletividade infantil em que os seus membros não são ainda capazes de programar em longo prazo as suas aspirações e interesses, o dia de amanhã deve ser obrigatoriamente melhor do que o de hoje. Quanto maior é a idade tanto mais se distancia a perspectiva otimista imediata. Para os jovens de 15-16 anos, a perspectiva próxima já não tem tanto significado como tem para os adolescentes de 12-13 anos. A um adulto é plenamente suficiente ter apenas uma perspectiva em longo prazo, dependendo da sua consciência e do seu desenvolvimento político.

No desenvolvimento do nosso processo educativo, umas das tarefas essenciais é a transição das satisfações mais próximas para as mais longínquas. No entanto, esta tarefa na esfera das perspectivas é ainda insuficiente e, em princípio, não diferencia a nossa pedagogia da pedagogia burguesa. O nosso trabalho no domínio da perspectiva consiste ainda em que todo o tempo devemos educar aspirações coletivas e não apenas pessoais. O indivíduo com predomínio da perspectiva coletiva sobre a pessoal já pode se considerar uma pessoa de tipo soviético.

Finalmente, a nossa tarefa consiste também em conjugar as perspectivas pessoais e coletivas de maneira que o nosso educando não sinta nenhuma contradição entre elas.

Graças a esta complexidade, o trabalho neste domínio reveste-se de um significado descomunal e no campo da própria educação torna-se o mais importante.

A organização da perspectiva próxima deve, evidentemente, começar pelas metas pessoais. A primeira fase deste trabalho é indispensável em toda instituição suficientemente organizada. Locais e salas de aulas bem equipadas, quartos com aquecimento, alimentação aceitável, jogos de cama limpos, proteção completa das crianças contra as arbitrariedades e despotismo dos mais velhos, assim como uma atmosfera simples e cordial nas relações constituem os objetivos mínimos necessários, sem os quais é difícil imaginar um trabalho educativo correto.

No entanto, devemos contar com a circunstância de que existem jovens que já têm traçadas as metas imediatas de outro tipo: demonstrar a sua força através dos companheiros mais fracos, tratar de propósito grosseiramente as moças, contar anedotas mórbidas; aquisições materiais através do roubo e bebidas alcoólicas são também aspirações que se encontram na linha das perspectivas imediatas. Para tais jovens, a vida organizada na instituição infantil não é assim tão atrativa para que possam ser esquecidas as aspirações habituais. Mesmo nas condições mais confortáveis, pode-se jogar cartas, beber, escarnecer dos outros.

Por esta razão, numa coletividade jovem pode originar-se uma luta entre as perspectivas novas e as velhas. É precisamente nesta altura que se deve prestar a máxima atenção à organização das perspectivas próximas. Cinema, concertos, saraus, atividade dos círculos e clubes, sessões de leitura e espetáculos de amadores, passeios e excursões devem afastar os tipos primitivos de passatempos “agradáveis”.

No entanto, seria um grande erro edificar a perspectiva próxima unicamente no princípio do agradável, mesmo se neste agradável houver elementos úteis. Por esta via, nós inculcamos nos jovens um epicurismo completamente inadmissível.

Desde os primeiros dias a perspectiva imediata deve edificar-se segundo um plano coletivo. A maior parte dos educandos distingue-se pela sua atividade, por um amor próprio bastante notável, pela ambição de destacar-se entre a multidão e impor-se.

É necessário apoiar-se precisamente nestes aspectos dinâmicos do caráter e dirigir os interesses dos educandos no sentido das satisfações mais valiosas.

As perspectivas têm uma particularidade interessante. Elas atraem a atenção do indivíduo com o aspecto geral da satisfação, mas esta satisfação ainda não existe. À medida que se avança para ela surgem novos planos para amanhã, tanto mais atrativos quanto maiores são os esforços despendidos para vencer os diversos obstáculos.

É preciso que se possibilite às crianças tentarem precisamente alcançar as satisfações que exigem algum trabalho. Se no pátio há lama, surge naturalmente a ideia de que é necessário fazer uma trilha e então será agradável atravessar o pátio. Mas quando se começa a trabalhar para a trilha, surge o desejo de se fazer um caminho bem feito. Dá-se início a um trabalho muito mais complexo, que requer grandes esforços. Grupos inteiros de jovens são atraídos para este trabalho que se prolonga por vários dias. O educador pode observar, neste caso, como uma simples perspectiva inicial de um caminho mais cômodo é substituída por uma perspectiva mais valiosa de executar o trabalho o melhor possível.

Se se propuser aos educandos realizarem uma pista de patinagem, eles iniciarão com entusiasmo o trabalho, sentindo-se atraídos pela perspectiva muito simples e pouco valiosa de divertimento. Mas, no processo de trabalho, quando vão aparecendo tarefas diferentes, mais interessantes, como, por exemplo, a construção de um local com aquecimento, um banco para descansar, iluminação etc., esta perspectiva do agradável vai sendo gradualmente substituída por um tipo mais valioso de aspirações e êxitos laborais. Isto envolverá todos. Durante este trabalho, alguns terão outras aspirações complementares para um breve prazo: achados organizativos, esforços do chefe. Quando a coletividade se aglutina como uma família muito unida, só a imagem do trabalho coletivo interessa a todos como uma perspectiva próxima de trabalho.

Uma das tarefas mais importantes da direção da instituição infantil consiste em organizar uma perspectiva próxima, isto é, uma aspiração coletiva para o dia de amanhã repleto de esforço e de êxito coletivos. Podem ser encontradas muitas possibilidades neste sentido no trabalho escolar e no produtivo. O trabalho na oficina não deve ser uma cadeia de procedimentos monótonos e aborrecidos. Em cada oficina, em cada grupo de máquinas deve sempre existir uma tarefa digna que cativa todos pelo seu significado no processo de desenvolvimento da instituição, pelo seu interesse técnico e benefício direto na aquisição de hábitos de certos educandos. Se na instituição se consegue criar um espírito e ânimo como este, os educandos levantam-se de manhã já entusiasmados com a alegre perspectiva do dia de hoje.

É preciso que os planos de produção, as dificuldades de produção sejam do conhecimento de toda a coletividade e para isto é necessária a emulação socialista. Mesmo se a produção ainda não está bem organizada, se há poucas máquinas, ferramentas e instrumentos que deixam a desejar, a coletividade deve estar mobilizada para a luta por uma produção melhor. Ela deve estar a par de quais as máquinas e as ferramentas que fazem falta e onde se podem comprar, quando as trazem, onde vão ser colocadas, quando vão ser selecionados os educandos que vão trabalhar com elas.

É da mesma maneira que se deve formar as perspectivas próximas, tanto na escola quanto no clube. O educando que aprendeu a lição acorda sempre com uma boa perspectiva. É por isso que é importante ajudá-lo a preparar esta lição. A mesma ideia feliz sobre o dia de amanhã anima também o membro do círculo dramático que participa numa peça teatral, assim como o membro do colégio de redação se é bem sucedido com o jornal.

A vida da coletividade deve ser cheia de alegria neste sentido, não uma alegria de simples divertimento e satisfação no dado momento, imediata, mas uma alegria provocada pelas tensões e êxitos de trabalho do dia de amanhã.

O trabalho que visa a organização da perspectiva próxima deve ser realizado regularmente das formas mais variadas. Esta atividade é fácil e interessante e não exige sutileza alguma. É suficiente, por exemplo, anunciar que dentro de duas semanas se realizará um encontro de futebol entre a equipe da instituição e qualquer outra equipe das redondezas, para que a coletividade seja animada pelo otimismo da perspectiva.

Subentende-se que a formação das perspectivas próximas só será real se alguém, em efeito, se preocupa com a coletividade, se se tenta tornar a sua vida mais alegre, se não se engana a coletividade mostrando-lhe perspectivas sedutoras que depois se verifiquem ser irreais. Qualquer alegria perante a coletividade, por menor que seja, torna-a mais forte, mais unida e mais animada. Às vezes é necessário colocar diante dela tarefa difícil e digna; em outras ocasiões é preciso proporcionar-lhe a satisfação infantil mais simples: dentro de uma semana no almoço haverá sorvete.

A perspectiva em médio prazo

A perspectiva em médio prazo consiste em projetar um acontecimento coletivo relativamente distanciado no tempo. Isto é absolutamente indispensável. Mesmo os adultos têm sempre planos de determinados grupos de acontecimentos mais ou menos agradáveis: férias, uma viagem a uma estação balneária, promoção no serviço etc. Para as crianças isto é ainda mais necessário.

 Estes acontecimentos não devem ser muitos. Em outubro de 1935, foi anunciado na comuna Dzerjinski que ela era uma das melhores instituições no gênero. Em 1° de maio de 1936, a comuna iria a Kiev e participaria no desfile festivo dos trabalhadores.

A direção da comuna não descansou desde então na manutenção desta linha. O 1° de maio de 1936 deveria converter-se para a coletividade na festa maior e mais alegre, todos deveriam preparar-se para ela com muita antecedência, cada comuneiro deveria ter por diante esta perspectiva.

Esta viagem do 1º de maio só seria educativamente benéfica se fosse vivenciada durante todo o inverno, em cada dia de trabalho de coletividade, reforçando e embelezando todas as perspectivas próximas existentes.

Podem ser dispostas na linha da perspectiva em médio prazo a participação em desfiles festivos e campanhas nacionais, a celebração de datas revolucionárias, o dia do aniversário da instituição infantil, da data comemorativa do seu chefe de honra, com o nome do qual é batizada a instituição, o início e o fim do ano letivo, a festa de finalistas, a conquista do primeiro lugar pela instituição, a inauguração de uma nova oficina, o cumprimento da produção projetada pela fábrica, as férias de verão.

A perspectiva em médio prazo só terá significado se se levar a cabo uma preparação para estes dias muito antecipada, se se lhes conferir uma importância especial, se ao conteúdo fundamental se juntar os mais variados temas: prestação de contas, recepção de convidados, premiações, novos locais e equipamentos, balanço da emulação anual.

A preparação para estes dias (não deve haver mais de 2 ou 3  por ano) deve sentir-se a princípio só como uma ideia coletiva, considerações etc. É preciso com antecedência proceder à eleição de diferentes comissões em que participará o maior número de educandos possível. Estas comissões devem apresentar frequentemente relatórios em assembleia geral. Será bom se, por ocasião da realização de uma festa, surgirem dois projetos e toda a coletividade se dedicar à opção entre os dois.

As férias de verão devem ser um acontecimento especialmente agradável, esperado com ansiedade. Elas devem ser examinadas não só como tempo de descanso, mas também como um ponto de perspectiva adiante. A privação das férias aos educandos é prejudicial não só porque os priva de descanso, mas também, e fundamentalmente, por que lhes rouba uma perspectiva alegre.

As férias de verão, pelas suas características, devem corresponder aos méritos da coletividade e ao desenvolvimento da produção. Quanto maiores forem as realizações da coletividade no trabalho, quanto mais ela tiver avançado em organização e disciplina, tanto mais valiosas devem ser as férias a ela concedidas. Cada coletividade deve aspirar a que os seus méritos sejam tão significativos e unânimes que no conjunto ela mereça as melhores condições de descanso. As melhores férias para a coletividade são as que acontecem num acampamento perto da água.

A preparação do acampamento, o seu equipamento, a organização do refeitório, das áreas desportivas, dos encontros, da atividade cultural devem absorver com antecedência a atenção da coletividade.

A perspectiva em longo prazo

Apesar de cada educando viver na instituição temporariamente e, mais cedo ou mais tarde, a deixar, o futuro da mesma, a sua vida mais rica e mais cultural deve manter-se sempre nos moldes da perspectiva da coletividade com um objetivo sério e elevado que transparece em muitos pormenores da vida atual. Como mostrou a experiência, os jovens não são de maneira alguma indiferentes em relação ao futuro longínquo da sua instituição se nela se sentem bem e gostam dela.

Uma perspectiva em longo prazo desta natureza pode entusiasmar os jovens a realizarem grandes trabalhos e a suportarem grandes tensões; pode, na realidade, ser para eles uma perspectiva emocionante. Esta circunstância baseia-se no instinto natural de cada educando como membro de uma família.

A coletividade da instituição é um grande agregado familiar e para cada membro da coletividade o destino da instituição nunca pode ser indiferente. Esta perspectiva adquire uma importância particularmente grande se a instituição não corta relações com os seus egressos, mas mantém uma correspondência constante com eles, convida-os e recebe-os durante as férias, como convidados.

A formação desta perspectiva constitui uma etapa muito importante na ampla educação política visto servir de transição natural e prática para outra perspectiva mais ampla: o futuro de toda a nossa pátria.

O futuro da União Soviética, o seu progresso constitui o grau mais elevado na formação das perspectivas: não só saber deste futuro, não só falar e ler sobre ele, mas experimentar com todos os sentidos o avanço do nosso país, o seu trabalho, os seus êxitos. Os educandos de uma instituição infantil soviética devem conhecer os perigos, devem saber quem são os amigos e os inimigos da sua pátria. Eles devem saber imaginar a sua vida precisamente como uma parte do presente e do futuro de toda a nossa sociedade.

Para desenvolver este sentido de perspectiva é pouco estudar apenas o país e o seu progresso. É preciso mostrar a cada passo aos educandos que o trabalho e a vida deles são parte do trabalho e da vida do país. É necessário mostrar-lhes as heroicas e gloriosas datas soviéticas, não só em conhecimentos, mas através de sensações, na experiência, no trabalho e tensão. É muito importante mostrar às crianças filmes revolucionários, conversar com elas sobre os acontecimentos mais significativos da União Soviética, comparar estes acontecimentos com os da instituição, receber na coletividade e organizar palestras com destacados indivíduos do país, manter correspondência com certas personalidades, assim como com outras instituições de crianças e adultos.

 No contexto de tal ampla perspectiva soviética, fácil e comodamente se formam as perspectivas pessoais em longo prazo dos diversos educandos. Assim que o educando de uma instituição infantil inicia a sua aprendizagem na escola e na produção, interessa-se imediatamente pelo seu futuro.

Garantir este futuro constitui uma das tarefas mais importantes da instituição infantil, a não falar de ser bastante difícil.


Notas:

[1]  pioneiros eram membros de uma organização de crianças e adolescentes, de 9 a 14 anos, ligada ao Partido Comunista da União Soviética. Todos os pioneiros usavam um lenço vermelho no pescoço e podiam participar de círculos ou de clubes, de acordo com seus interesses, além de desenvolver atividades comunitárias.

[2] União da Juventude Comunista (Kommunistitcheski Soiuz Molodioji) era uma organização ligada ao Partido Comunista da União Soviética e congregava jovens a partir de 15 anos. É também conhecida por sua abreviação Komsomol.

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