O trotskismo como movimento oportunista

Por KKE – Partido Comunista Grego, via Politsturm traduzido por Marcelo Bamonte Seoane e Otávio Losada

Apresentamos a vocês a tradução de um artigo de Kyrillos Papastavrou, chefe do departamento ideológico do Comitê Central do Partido Comunista da Grécia. O artigo foi publicado na revista teórica do PC Grego “Communist Epiteorisi” (Revista Comunista) no 1.º de 2008.


Conteúdo

1 Introdução

2 Formação do trotskismo como movimento oportunista

2.1 Período pré-revolucionário

2.2 Período pós-Outubro

3 O trotskismo como força contrarrevolucionária

3.1 Uma breve história do trotskismo na Grécia no período entre guerras

3.2 Trotskistas durante a ocupação alemã e a guerra civil

4 Trotskismo hoje

5 características comuns de grupos trotskistas

5.1 1. Referências a Trotsky

5.2 2. Propaganda antissocialista

5.3 3. Cooperação com a social-democracia

5.4 4. Apoiar várias formas de ajuste ao sistema capitalista

5.5 5. Atitude em relação à estrutura imperialista da UE

5.6 6. Ataques ao movimento comunista

6 Conclusão

Introdução

Neste artigo, examinaremos o trotskismo, sua história como corrente oportunista dentro do movimento operário e seu estado atual.

A necessidade desta análise deve-se aos seguintes fatores:

Em primeiro lugar, o sistema capitalista usa ativamente a imagem de Trotsky, fazendo ataques a-históricos a Lenin e Stalin, e questionando a construção do socialismo na URSS. No 89º aniversário da Revolução de Outubro, a luta pelas declarações de Trotsky sobre a alegada impossibilidade da vitória do socialismo na Rússia está ganhando força.

Em segundo lugar, várias organizações, tanto em nosso país como no exterior, que se autodenominam trotskistas ou usam a teoria trotskista, estão aumentando seus esforços entre os jovens, especialmente em escolas e universidades, bem como entre a classe trabalhadora. Esses grupos são muito pequenos para serem uma ameaça no movimento comunista, mas sob o pretexto de “revolucionismo”, eles reproduzem visões burguesas e oportunistas, promovem forças inofensivas para o capitalismo e criam obstáculos para o Partido e o Komsomol no plano ideológico e luta política pelo socialismo.

Para estabelecer uma base para a compreensão do trotskismo, diremos de antemão que o trotskismo é uma corrente oportunista no movimento dos trabalhadores, caracterizada pela fraseologia ultrarrevolucionária pequeno-burguesa em palavras e compromisso absoluto na prática. Nos anos 1930, nas condições da luta imperialista contra a URSS, o trotskismo assumiu uma postura abertamente hostil à União Soviética. Como corrente ideológica e política, o trotskismo tornou-se hostil à teoria e prática do leninismo.

Formação do trotskismo como um movimento oportunista

Período pré-revolucionário

Trotsky e seus seguidores modernos muitas vezes se autodenominam bolcheviques e fazem referência aos bolcheviques. O bolchevismo, entretanto, “existe como uma corrente de pensamento político e como um partido desde 1903” (V.I. Lenin, “Esquerdismo”: Doença Infantil do Comunismo), e o trotskismo tem sido hostil ao bolchevismo desde o início. O ponto de partida do trotskismo foi a rejeição da doutrina de Lenin de um novo tipo de partido. Já no Segundo Congresso do POSDR em 1903, Trotsky se aliou aos oponentes de Lenin nos debates sobre a Carta.

As posições revolucionárias de Lenin sobre a questão da Carta foram aceitas pela maioria, e a ala que o apoiou foi chamada de Bolcheviques, enquanto o grupo oportunista (Trotsky, Martov, Axelrod) permaneceram em minoria e, portanto, foram chamados de mencheviques.

É revelador como Trotsky se dirigiu a Lenin durante esse período de luta. Aqui estão alguns trechos do livro de Trotsky, Nossas Tarefas Políticas, publicado em 1904, que caracterizam suas visões e são evidências de sua linha de pensamento oportunista e antimarxista. Eles refutam as alegações dos trotskistas de que o desacordo de Lenin com Trotsky era parcial. Criticando o trabalho de Lenin “Um passo à frente, dois passos atrás”, Trotsky escreveu:

(…) E isso deveria ser pensamento marxista e social-democrata! Na verdade, nenhum cinismo maior pode ser demonstrado em relação à mais rica herança ideológica do proletariado do que o camarada Lênin! Para ele, o marxismo não é um método de análise científica, um método que impõe enormes responsabilidades teóricas; é um trapo que você pode pisar, se quiser; uma tela em branco na qual projetar coisas maiores que a vida e uma regra flexível quando o estado de consciência partidária deve ser levado em consideração!

Em outro lugar, ele menciona o seguinte:

O chefe da ala reacionária do nosso partido, o camarada Lênin (…) foi forçado a definir a social-democracia de uma forma que é um ataque teórico ao caráter de classe do nosso partido. Sim, um ataque teórico, não menos perigoso do que as ideias ‘críticas’ de alguns Bernstein (ibid., P.98)

Noutro local, com referência ao jornal Iskra:

O antigo Iskra assumiu como tarefa não iluminar a consciência política da intelectualidade, mas teoricamente aterrorizá-la. Para os social-democratas formados nesta escola, “ortodoxia” é algo muito próximo da verdade absoluta dos jacobinos. A verdade ortodoxa governava em todos os lugares, até mesmo na questão da cooptação. Quem quer que o desafiasse foi removido; quem questionou ficou em dúvida. (ibid., p.96)

Em 1910-1914, o POSDR não era um partido único; havia partidos separados que se concentravam em seus próprios ramos e tinham seus próprios órgãos de governo. Entre eles, os principais eram os bolcheviques de Lenin e dois grupos mencheviques, os trotskistas e os otzovistas. Os trotskistas reivindicaram o papel de conciliadores entre os bolcheviques e os mencheviques, mas em essência apoiaram as posições dos bandidos mencheviques.

Durante a Primeira Guerra Mundial, o trotskismo era parte integrante do “centrismo”, uma tendência na social-democracia internacional que oscilava entre o social-chauvinismo e o pacifismo pequeno-burguês e defendia a “reconciliação” entre os socialistas revolucionários (esquerdistas) e os oportunistas e revisionistas (direitistas).

No curso dos processos revolucionários na Rússia, os trotskistas declararam seu acordo com a linha bolchevique e no VI Congresso do POSDR (B) foram aceitos nas fileiras dos bolcheviques. Assim, Trotsky tornou-se membro do Partido Bolchevique em julho de 1917.

Mas mesmo depois de se juntar aos bolcheviques, Trotsky manteve sua autonomia e continuou sua luta contra Lenin. Os trotskistas se opuseram ao Tratado de Paz de Brest em 1918 e interromperam sua assinatura oportuna, causando uma grande perda para o ainda jovem e fraco poder soviético.

Durante a Guerra Civil, o trotskismo se tornou uma corrente oportunista dentro do PC Russo (B). Em 1920-1921, os trotskistas iniciaram uma discussão intrapartidária sobre sindicatos. Eles formaram facções com seu próprio programa político. A essência de seu programa era transformar os sindicatos em parte do mecanismo do Estado e questionar o papel dirigente do partido na construção do socialismo.

O princípio básico do trotskismo era a negação da possibilidade de construir o socialismo na URSS. Seguindo os passos dos líderes mencheviques, os trotskistas argumentaram que a classe trabalhadora na União Soviética não poderia consolidar seu poder e construir o socialismo por causa do atraso técnico e econômico do país, que estava em um ambiente capitalista. Portanto, eles argumentaram que a vitória da revolução seria muito curta e que o poder soviético seria derrotado a menos que as revoluções socialistas também fossem vencidas nos países europeus, o que ajudaria a classe trabalhadora da URSS. O trotskismo se opôs aos princípios de formação de um novo tipo de partido e, ostensivamente defendendo a democracia intrapartidária, reivindicou liberdade para criar facções dentro do partido.

Sob a influência de Trotsky, grupos trotskistas foram formados em outros partidos, como Alemanha, França, Grã-Bretanha, Tchecoslováquia, etc. Na URSS, todos os grupos antibolcheviques se uniram em torno do trotskismo. Lenin e Stalin responderam aos trotskistas com artigos, discursos e declarações nos órgãos do Partido. O trotskismo foi condenado em muitas conferências e plenárias do Comitê Central.

Em 1927, o 15º Congresso do PC Russo (B) aprovou a decisão do Comitê Central de expulsar Trotsky e Zinoviev do partido. Em 1928, o 9º Plenário do Comitê Executivo do Comintern enfatizou que uma filiação ao trotskismo era incompatível com a adesão à Internacional Comunista, e esta decisão foi ratificada pelo 6º Congresso (1928).

O Período pós-Outubro

Tanto os trotskistas quanto a burguesia dão à luta no Partido e no estado soviético nas décadas de 1920 e 1930 o caráter de um confronto pessoal entre Trotsky e Stalin. A propaganda burguesa retrata Trotsky como um revolucionário puro e inocente, contra o qual foi cometida traição. Esta propaganda não é acidental, dado o quão qualitativa e profunda é: documentários e longas-metragens são feitos, é divulgado na mídia, em livros didáticos, etc.

E assim, os trotskistas têm outra maneira de promover seus pontos de vista que os torna conhecidos em um grau desproporcional às suas capacidades organizacionais. O sistema capitalista tem um interesse objetivo em promover o trotskismo porque essas visões cultivam e desenvolvem uma linha de derrotismo. Esta não foi uma luta de personalidades, mas uma luta de posições políticas em torno de questões de construção do socialismo, administração estatal, etc., uma luta em condições sem precedentes.

Trotsky e seus seguidores trataram o marxismo de forma dogmática, assim como muitos líderes oportunistas de direita da Segunda Internacional. Eles tinham um “modelo ideal” de revolução e construção socialista que estava muito distante das complexidades da Rússia em 1917. Os trotskistas, como intelectuais pequeno-burgueses, realmente acreditavam que as massas trabalhadoras não podiam liderar o campesinato pobre. Eles não acreditavam que sob a liderança do Partido Comunista, as massas iletradas e politicamente atrasadas poderiam implementar as ideias da Revolução de Outubro e construir uma sociedade socialista. Eles acreditavam que uma “ditadura no campo” deveria ser estabelecida para reduzir a resistência dos camponeses “hostis” aos trabalhadores e esperar a ajuda da revolução proletária do Ocidente. Eles também propuseram aventuras militares em nome da guerra revolucionária e da “exportação da revolução”.

No entanto, a onda revolucionária de 1918-1923 não poderia prevalecer em nenhum outro país europeu, exceto na Rússia. Claro, não se pode culpar os bolcheviques por não travar guerras revolucionárias e exportar a revolução em um momento em que a guerra civil em seu país não havia acabado, quando eles enfrentavam intervenções e conspirações imperialistas, quando lutavam pelo domínio do poder soviético em todo o país.

A lógica dos trotskistas levou a um beco sem saída. Tendo classificado o marxismo não como uma ciência, mas como um dogma, não conseguiam compreender a complexidade das tarefas que se colocavam ao poder soviético, país que começava com um baixo nível de desenvolvimento das forças produtivas e onde a grande maioria da população eram camponeses. Eles não podiam entender a evolução da estratégia da revolução com base na doutrina do imperialismo. Eles defenderam dogmaticamente as primeiras estimativas de Marx, Engels e outros marxistas antes do início do século XX sobre a vitória da revolução socialista nos países capitalistas desenvolvidos da Europa Ocidental.

Lênin contribuiu para o desenvolvimento do marxismo formulando a teoria do “elo fraco da cadeia do imperialismo”, com base na lei do desenvolvimento desigual do capitalismo.

Segundo essa teoria, o sistema mundial do imperialismo pode ser rompido em um país atendendo a uma série de condições (históricas, econômicas e políticas), tornando o capitalismo mais vulnerável ao início de uma revolução. Ele teorizou a possibilidade de uma revolução ser realizada e vencida em um único país:

(…) A palavra de ordem dos Estados Unidos do Mundo dificilmente seria correta, primeiro, porque se confunde com o socialismo; segundo, porque pode ser erroneamente interpretado como significando que a vitória do socialismo em um único país é impossível, e também pode criar concepções errôneas quanto às relações de tal país com os outros.

O desenvolvimento econômico e político desigual é uma lei absoluta do capitalismo. Consequentemente, a vitória do socialismo é possível primeiro em vários ou mesmo em um único país capitalista. Depois de expropriar os capitalistas e organizar sua própria produção socialista, o proletariado vitorioso daquele país se levantará contra o resto do mundo – o mundo capitalista – atraindo para sua causa as classes oprimidas de outros países, agitando levantes nesses países contra os capitalistas, e em caso de necessidade usar até mesmo a força armada contra as classes exploradoras e seus estados. (V.I. Lenin, Sobre o Slogan dos Estados Unidos da Europa)

Ao mesmo tempo, Trotsky escreveu em resposta ao artigo de Lenin:

Seria inútil pensar… que a Rússia revolucionária, por exemplo, seria capaz de se manter diante da Europa conservadora, ou que a Alemanha socialista poderia permanecer isolada em um mundo capitalista.

Ver as perspectivas da revolução social dentro de uma estrutura nacional é sucumbir à mesma estreiteza nacional que forma o conteúdo do social-patriotismo.

(L.D. Trotsky, “O Programa da Paz”)

Por outro lado, devemos também reconhecer o fato de que o país em que a cadeia imperialista se rompeu em 1917 não era qualquer país, mas o Império Russo, que havia reunido uma grande quantidade de terras com um subsolo rico, o capitalismo monopolista estava se desenvolvendo, profundas contradições dentro dela e a persistência de muitos elementos pré-capitalistas, principalmente na produção agrícola, mas também na superestrutura.

Numa época em que a revolução, com suas dificuldades inimagináveis ​​durante a Guerra Civil e a aguda luta de classes, lutava para fortalecer o poder soviético; enquanto Lenin e Stalin, como líderes do PC Russo (B) e toda a liderança bolchevique, usavam todas as oportunidades para ganhar o poder revolucionário para a classe trabalhadora e a transição para o socialismo na Rússia, Trotsky cultivava o derrotismo, retirando-se da questão de fortalecer a URSS.

A visão dos trotskistas de que a revolução era impossível na Rússia baseava-se na ideia de que teria sido impossível integrar os pobres e as classes médias à revolução, que teria sido impossível preservar a união de trabalhadores e camponeses, e que um choque entre a classe trabalhadora e as amplas massas camponesas era inevitável. A única saída, de sua perspectiva, era esperar a ajuda das revoluções proletárias no Ocidente. Este ponto de vista foi expresso por Trotsky a partir de 1905 com base nas disposições para a revolução contínua ou permanente formuladas por Marx e Engels em 1850, que previram a possibilidade de transformação da revolução democrático-burguesa em revolução socialista, e sua expansão a partir de país a país na Europa capitalista avançada.

Mas a revolução permanente, para Trotsky, significava um confronto com o campesinato, que era visto como uma força reacionária, independentemente da diferenciação de classe na aldeia. Lenin, comentando sobre a posição de Trotsky, escreveu:

Dos bolcheviques, a teoria original de Trotsky emprestou seu apelo por uma luta revolucionária proletária decisiva e pela conquista do poder político pelo proletariado, enquanto que dos mencheviques ela emprestou o” repúdio “ao papel do campesinato. (V. I. Lenin, “Nas Duas Linhas da Revolução”)

Trotsky interpretou dogmaticamente o fato de que os camponeses, como pequenos proprietários de terras, apegados a suas terras e propriedades, não eram uma classe única, não podiam em si mesmos desempenhar um papel progressivo no desenvolvimento social com base em sua posição social e no quadro geral da agricultura na Rússia no momento. Em essência, era uma concepção mecânica da luta de classes, uma absolutização do lado reacionário do pequeno proprietário, a impossibilidade de arrastá-lo para a luta com a burguesia ao lado do proletariado, uma descrença nas habilidades do proletariado e sua festa.

Mas essa possibilidade foi prevista por K. Marx e F. Engels, como pode ser lido em “O Manifesto Comunista”, que afirma que os camponeses podem ajudar a revolução,

Se por acaso são revolucionários, só o são devido à sua iminente transferência para o proletariado; eles, portanto, não defendem seus interesses presentes, mas seus interesses futuros, eles abandonam seu próprio ponto de vista para se colocarem como o do proletariado. (K. Marx, F. Engels, “O Manifesto Comunista”)

Isso é visto ainda mais claramente no “18º Brumário de Luís Bonaparte”:

Portanto, os interesses dos camponeses não estão mais, como sob Napoleão, de acordo, mas agora estão em oposição aos interesses burgueses, ao capital. Assim, eles encontram seu aliado natural e líder no proletariado urbano, cuja tarefa é derrubar a ordem burguesa. (K. Marx, F. Engels, “O 18 de Brumário de Luís Bonaparte”, Capítulo VII)

Os trotskistas não viam a necessidade de se comprometer com as massas camponesas, que constituíam a grande maioria da população russa, nem a possibilidade de integrar grande parte dos pobres e do campesinato médio no programa da revolução.

A diferenciação do campesinato intensificou a luta de classes dentro deles; despertou muitos elementos até agora politicamente adormecidos. Ela aproximou o proletariado rural do proletariado urbano… Esta é uma verdade tão óbvia que nem mesmo as milhares de frases em dezenas de artigos de Trotsky em Paris irão “refutá-la”. Trotsky está de fato ajudando os políticos trabalhistas liberais na Rússia, que por “repúdio” ao papel do campesinato entendem uma recusa em levantar os camponeses para a revolução!! (V. I. Lenin, “Sobre as Duas Linhas da Revolução”)

O acordo com o campesinato, ou seja, a opção de um campesinato unido pela divisão das terras – que depois da Revolução de Outubro passou a ser propriedade do Estado – não significou o abandono da meta socialista de comunalização da grande produção e da ditadura. do proletariado. No entanto, levou em consideração o equilíbrio das forças de classe na sociedade russa, reforçou as diferenças de classe dentro do próprio campesinato e aumentou a concentração da produção agrícola fragmentada de modo a facilitar o caminho de sua socialização:

O que significa paz no campo? É uma das condições fundamentais para a construção do socialismo. Não podemos construir o socialismo se tivermos atividades de bandidos e revoltas camponesas. A área de cultivo atingiu as dimensões anteriores à guerra (95 por cento), temos paz no campo, uma aliança com os camponeses médios, um campesinato pobre mais ou menos organizado, sovietes rurais fortalecidos e o prestígio aumentado dos proletariado e seu partido no campo.

Criamos, assim, as condições que nos permitem avançar na ofensiva contra os elementos capitalistas no campo e garantir mais sucesso na construção do socialismo em nosso país ”. (Stalin, “A Oposição Trotskista Antes e Agora”)

Após o fim da guerra civil, quando surgiu a tarefa de fortalecer a união dos trabalhadores e camponeses, Trotsky defendeu a coletivização violenta por meios militares, o que significaria essencialmente uma guerra civil no campo.

A coletivização ocorreu em 1929-1933 como resultado de uma feroz luta de classes, na qual foi possível atrair uma grande fração dos pobres por meio da coletivização. Sob essas condições, em 1930, Trotsky e seus seguidores descreveram a coletivização e a deskulakização como uma “aposta burocrática” (L. D. Trotsky, “Um Rangido no Aparato”). Em março do mesmo ano, Trotsky escreveu: “(…) a natureza utópica-reacionária da ‘coletivização total’ consiste … na criação forçada de grandes fazendas coletivas sem a base técnica que por si só poderia garantir sua superioridade sobre as pequenas” (L. D. Trotsky, “Carta aberta aos membros do VKP (B)”). Ele profetizou que “fazendas coletivas entrariam em colapso em antecipação à infraestrutura técnica” (Posfácio “do Editor” ao artigo de J. Gref, “A Coletivização da Aldeia e Superpopulação Relativa”, Boletim de Oposição No. 11, maio de 1930).

A realidade refutou todas essas “previsões”, apesar de todos os erros cometidos no desenvolvimento da construção socialista no caminho da coletivização.

Os trotskistas viam os sindicatos como os órgãos dirigentes da classe trabalhadora na construção do socialismo e queriam introduzir neles medidas militares. Na verdade, por trás desse conceito estava a noção de que a ditadura do poder do proletariado era exercida diretamente por toda a classe e, uma vez que a classe como um todo ainda não estava madura o suficiente, a “maturidade” seria imposta a ela por meio de medidas administrativas. Esse entendimento burocrático mais uma vez mostrou uma subestimação da possibilidade de convencer as massas por meio de atividades comunistas.

Lenin argumentou longamente com Trotsky sobre esse ponto. Em sua obra “Os Sindicatos, a Situação Atual e os Erros de Trotsky”, ele contrasta especificamente:

Mas a ditadura do proletariado não pode ser exercida por meio de uma organização que abranja toda essa classe, porque em todos os países capitalistas (e não só aqui, em um dos mais atrasados) o proletariado ainda está tão dividido, tão degradado e tão corrompido em partes (pelo imperialismo em alguns países) que uma organização que abrange todo o proletariado não pode exercer diretamente a ditadura do proletariado. Só pode ser exercido por uma vanguarda que absorveu a energia revolucionária da classe. (V. I. Lenin, “Os Sindicatos, a Situação Atual e os Erros de Trotsky”)

Sobre o papel a ser desempenhado pelos sindicatos no mesmo projeto, Lenin observou:

Não pode funcionar sem uma série de “correias de transmissão” que vão da vanguarda à massa da classe avançada e desta última à massa do povo trabalhador. (Ibid.)

Stalin também observou:

Os sindicatos podem ser denominados a organização abrangente da classe trabalhadora, que está no poder em nosso país. Eles são uma escola de comunismo. Eles promovem as melhores pessoas de seu meio para o trabalho de liderança em todos os ramos da administração. Eles formam o elo entre os elementos avançados e atrasados ​​nas fileiras da classe trabalhadora. Eles conectam as massas dos trabalhadores com a vanguarda da classe trabalhadora (…) (J. V. Stalin, “Sobre as Questões do Leninismo”)

Ele também explicou o papel do partido na ditadura do proletariado:

Claro, isso não deve ser entendido no sentido de que o Partido pode ou deve tomar o lugar dos sindicatos, dos Sovietes e das outras organizações de massa. O Partido exerce a ditadura do proletariado. No entanto, não o exerce diretamente, mas com a ajuda dos sindicatos e através dos Sovietes e suas ramificações. Sem essas “correias de transmissão”, seria impossível para a ditadura ser totalmente firme (…)

Mas isso, no entanto, não deve ser entendido no sentido de que um sinal de igualdade pode ser colocado entre a ditadura do proletariado e o papel dirigente do Partido (a ‘ditadura’ do Partido), que a primeira pode ser identificada com o último, que o último pode ser substituído pelo primeiro (…) (Ibid.)

Lênin destacou que a essência do desacordo reside precisamente na questão dos métodos de abordagem das massas, que Trotsky tratou mecanicamente, sem levar em conta não apenas as diferenças na maturidade das massas trabalhadoras, mas também a própria fraqueza do poder socialista em a primeira fase do seu domínio (um período transitório dentro do período transitório descrito por Lênin), quando era necessário não se identificar com os sindicatos, mas confiar neles. Trotsky e seus seguidores “simplificaram” os complexos processos de formação da consciência socialista das massas durante o período de construção socialista por decretos e medidas administrativas. Onde quer que eles dominassem a liderança dos sindicatos, eles entraram em conflito com as massas trabalhadoras.

Trotsky, apesar do fato de que os órgãos partidários relevantes votaram contra ele, continuou a apoiar essas opiniões durante a luta interna do partido na década de 1920.

Para resumir a apresentação crítica dos pontos de vista de Trotsky, eles podem ser caracterizados da seguinte forma: dogmatismo, negação da possibilidade de vitória do socialismo em um país, desconfiança das massas, confiar no autoritarismo e métodos militaristas e negação do papel do partido na ditadura do proletariado e uma visão pequeno-burguesa da liberdade de opinião e crença, que então levou à criação de facções e minou a unidade do PC Russo (B).

O trotskismo como força contrarrevolucionária

A negação persistente da possibilidade de construir o socialismo em um país levou a uma negação da natureza socialista da URSS. Trotsky acusou a liderança do PC Russo (B) de bonapartismo, afirmando a impossibilidade de construção socialista na Rússia e, com base nisso, passo a passo, deslizando para visões e ações cada vez mais reacionárias.

Na década de 1930, dada a agressão imperialista contra a União Soviética, o trotskismo essencialmente clamou pela derrubada do poder soviético. Para este fim, os trotskistas cooperaram com todos os grupos de oposição na URSS. As relações dos trotskistas com vários grupos antipartido e antissoviéticos da URSS estavam bem estabelecidas.

Trotsky defendeu abertamente a derrubada violenta do poder soviético, fazendo a pergunta: “É possível a remoção pacífica da burocracia?” e respondendo:

Depois das experiências dos últimos anos, seria infantil supor que a burocracia stalinista pudesse ser removida por meio de um partido ou congresso soviético. Na verdade, o último congresso do Partido Bolchevique aconteceu no início de 1923, o XII Congresso do Partido. Todos os congressos subsequentes foram desfiles burocráticos. Hoje, mesmo esses congressos foram descartados. Nenhuma forma “constitucional” normal permanece para remover a camarilha dominante. A burocracia pode ser obrigada a ceder o poder às mãos da vanguarda proletária apenas pela força. (L.D. Trotsky, “A Natureza de Classe do Estado Soviético”)

Ele considerou isso, é claro, uma tarefa nada fácil, reconhecendo que para o que ele chamou de “burocracia stalinista”, “as raízes sociais da burocracia residem, como sabemos, no proletariado: se não em seu apoio ativo, pelo menos em sua ‘tolerância’”. (Ibid.)

A vitória da contrarrevolução no final dos anos 1980 não é uma confirmação das teorias e previsões trotskistas. O socialismo não “entrou em colapso” e se transformou em capitalismo nos anos 20, como afirmavam os trotskistas. No processo de construção do socialismo, há uma luta entre o novo e o velho. Tanto Lenin quanto Stalin, como líderes da construção socialista, sabiam disso.

Uma breve história do trotskismo na Grécia no período entre guerras

A expressão mais proeminente do trotskismo na Grécia pode ser chamada de corrente “arquimarxista” dos anos 1930. Em meados da década de 1920, muito antes da formação do trotskismo, surgiu a revista “Archive Marxism”, cujo slogan era “Primeiro a educação, depois a ação”. O “marxismo de arquivo” foi uma corrente oportunista no movimento trabalhista grego. Os “arquimarxistas” se opuseram ativamente ao PC Grego. Um trecho de um anúncio do Politburo do Partido no Primeiro Congresso da Juventude Operária é típico: “Membros do ‘Arquivo’, delegados e participantes comuns, vendo seu fracasso e buscando a dissolução da conferência, atacaram membros e simpatizantes do Komsomol com facas, bem como representantes dos ‘separados’ do ‘Arquivo’.”

Em 1930, foi formado o “Grupo Comunista de Arquivistas Marxistas-Leninistas”, que em 1934 passou a se chamar “Partido Comunista Arquivista Grego”. Os “arquimarxistas” foram reconhecidos como os representantes oficiais da chamada “Oposição de Esquerda Internacional” na Grécia, que mais tarde evoluiu para a IV Internacional, e as principais organizações trotskistas que faziam parte da IV Internacional começaram aqui. Na virada dos anos 20 e 30, os “arquivistas” conseguiram influenciar alguns estratos da classe trabalhadora por causa da crise interna do partido no PC Chinês. No entanto, medidas ativas para superar a crise com base nas instruções do Comintern e o estabelecimento de laços fortes com as massas, levaram ao crescimento do PG Grego e limitaram a influência dos “arquimarxistas”.

Essa corrente dividiu-se em dois grupos: um grupo, liderado por Dimitris Giotopoulos, se separou em 1934 e o outro grupo liderado por D. Vitsori seguiu a IV Internacional. A prova da degeneração do “Partido Arquimarxista Grego” de Giotopoulos é a carta de boas-vindas ao governo enviada pela Conferência do Terceiro Partido em 1949 em homenagem à vitória sobre o DSE (o Exército Democrático Grego, o braço armado do PC Grego que participou na Guerra Civil). Após a dissolução do “partido arquimarxista” nos anos 1950, a maioria de seus membros aderiu a partidos burgueses.

Na direção trotskista na Grécia ao longo dos anos 30 e 40 houve constantes divisões e renomeações. O fim da guerra levou ao surgimento de uma série de pequenas organizações que afirmam ser a “seção grega da IV Internacional”.

Trotskistas durante a ocupação alemã e a guerra civil

Durante a ocupação, vários trotskistas se posicionaram a favor da resistência nacional e se juntaram à Frente de Libertação Nacional (EAM) ou colaboraram com ela. A maioria dos grupos trotskistas se opôs à resistência, entretanto, considerando-a uma continuação da guerra imperialista. Essa atitude também foi determinada por sua posição em relação à URSS e a questão de defendê-la. Para a maioria dos trotskistas gregos e os representantes oficiais da “IV Internacional” na Grécia, não se tratava de defender a União Soviética. Eles acreditavam que a conclusão de acordos entre a URSS e os estados imperialistas “desencoraja e decepciona o proletariado mundial e se torna um obstáculo para a transformação da guerra atual em uma guerra civil”, “A derrota da URSS inflamará as massas, mostrará a verdade, e seu instinto os levará a defender os ganhos da Revolução de Outubro.”

Com base nessas noções, os trotskistas – que dogmaticamente reproduziram os slogans de solidariedade dos soldados das coalizões imperialistas na Primeira Guerra Mundial – incitaram o povo grego a não resistir aos ocupantes alemães e italianos porque eram trabalhadores armados com os quais deveriam buscar a reconciliação para transformar a guerra numa revolução socialista.

Essas posições levaram a avaliações semelhantes às contidas na declaração conjunta dos dois principais grupos trotskistas durante a ocupação, o “Partido Comunista Internacionalista da Grécia” e o “Partido dos Internacionalistas Comunistas da Grécia”:

Os executados em maio de 1944 são vítimas da política do partido stalinista em nosso país, que em vista da guerra partidária, sabotagem, assassinatos de trabalhadores e camponeses alemães e atos de terrorismo pontual dá aos militares alemães o pretexto necessário para decapitar trabalhadores.

Por insistência da IV Internacional, uma conferência foi realizada em 1946 para unir os vários grupos trotskistas. Aqui estão os seguintes trechos característicos da Edição Especial da Frente Trabalhista de 15 de janeiro de 1946, o órgão do Comitê Central do “Partido Revolucionário Internacional”, que publicou as “propostas do Comitê Central” para uma “conferência unificadora” dos trotskistas da Grécia:

Em condições de guerra não há diferença entre a social-democracia, o stalinismo, os partidos democrático-burgueses e o fascismo.

(…) A tarefa do partido proletário (ou seja, os trotskistas – nota do autor) sob ocupação é intensificar sua luta contra as organizações nacionalistas e proteger a classe trabalhadora do ódio anti-alemão e do veneno nacionalista.

Nem é preciso dizer que eles caracterizam a EAM, a ELAS e outras organizações como nacionalistas.

E mais:

O Partido Proletário condena todas as lutas patrióticas, por mais em grande escala e quaisquer que sejam as formas que possam assumir, e exorta abertamente os trabalhadores a se absterem delas. (…) A participação no ‘movimento de resistência’ sob qualquer pretexto e com quaisquer documentos de apoio significa participação na guerra. O desligamento das massas da influência das organizações nacionalistas e a luta pela revolução socialista só é possível fora dessas organizações e com uma luta feroz contra elas e contra suas políticas nacionalistas. (…)

Todas as ações do EAM na Grécia foram profundamente reacionárias. (…) Ao matar alemães, eles (o EAM) deram origem a medidas brutais por parte das autoridades de ocupação contra a população. […] ELAS… era reacionário em sua estrutura interna. (…) A “Revolta de Dezembro”, Dekemvriana, o confronto armado entre os ocupantes britânicos e os monarquistas gregos de um lado e a ELAS do outro. – (Decembris) começou por causa da burocracia stalinista, elementos pretorianos militares e comandantes rebeldes, que estavam interessados ​​em … na vingança pelos inúmeros crimes que haviam cometido em todo o país. (…] ELAS não só interveio para prevenir um desenvolvimento mais amplo e mais rápido do movimento de massa, mas também suprimiu o movimento de massa. (…) Os trabalhadores nunca enfrentaram um terrorismo mais bárbaro do que o imposto pelo EAM. (…) Quem detém as massas, quem não permite que desenvolvam toda a sua atividade e toda a sua militância livre, é o Partido Estalinista. Precisamos quebrar esse freio. ”

(…) Nossos principais slogans políticos em nossa luta diária: Paz sem anexações e reparações. Retirada das tropas de ocupação da Alemanha, Itália, etc. (…) Nosso Partido não luta contra os britânicos nem pela sua remoção. (…) ‘Democracia Popular’… é o último meio usado pela burguesia para impedir a tomada do poder pelas massas. (…) O partido stalinista usa, como dezembro e a experiência espanhola mostraram, métodos puramente fascistas contra as massas revolucionárias. (…) O partido proletário (ou seja, os trotskistas – nota do autor) deve, ao mesmo tempo, organizar grupos de autodefesa contra gângsteres stalinistas. (…) O PC Grego não ameaça o estatuto da propriedade privada, pelo contrário, defende-o e é, portanto, formal e essencialmente o partido da burguesia grega.

Os trotskistas empregaram as seguintes táticas: usando o slogan da revolução socialista e mostrando as táticas do PC Grego como “ambíguas”, eles essencialmente apoiaram o imperialismo alemão-italiano e depois anglo-americano e sua intervenção na Grécia. Eles apoiaram a ofensiva da burguesia contra o EAM e depois a DCE. Nem uma palavra foi dita sobre o exército burguês e o terrorismo da classe dominante. Combater a EAM, ELAS e o PC Grego foi a principal tarefa dos trotskistas durante e após a ocupação.

Essa atitude explica as razões da falência política do trotskismo na Grécia e sua prolongada crise tanto durante a ocupação quanto depois da guerra, que acabou levando ao desaparecimento de sua influência. O trotskismo na Grécia enfrentou uma das crises ideológicas e políticas mais graves de sua existência no país. Portanto, não é surpreendente que os trotskistas sejam vistos como traidores pelo movimento popular armado durante a ocupação e a guerra civil.

Recentemente, várias publicações surgiram com o objetivo de glorificar os trotskistas como vítimas do “stalinismo” na Grécia. Esses esforços fazem parte de uma campanha anticomunista geral de revisão da história, que busca transformar um criminoso em vítima e vice-versa, para justificar até as ações de nazistas e colaboradores. O período de ocupação e guerra civil é um período crítico para a classe dominante de nosso país; foi o único momento na história do século 20 em que correram o risco de perder o poder, quando o solo tremeu sob seus pés.

O “pluralismo histórico”, que surgiu como resultado de eventos contrarrevolucionários na Europa no final do século 20, é na verdade uma calúnia e distorção anticomunista. A natureza anticomunista e o papel do trotskismo tornaram-no útil para a classe dominante de nosso país, e por isso é elogiado.

É ridículo assistir ao PC Grego ser acusado de “trair a revolução” em vários jornais de grupos trotskistas, quando na realidade eram os trotskistas que eram contra o povo.

Trotskismo hoje

 

O trotskismo tem sido um movimento divisionista, apesar das constantes tentativas de formar caricaturas da Internacional (“a 4ª Internacional”, etc.). Hoje existem vários grupos que se caracterizam como trotskistas, bem como grupos que concordam com suas posições teóricas e se movem em torno da “tradição comum” da qual o trotskismo faz parte. O ponto de partida para novas cisões nos grupos trotskistas “tradicionais” e a formação do chamado “neo-trotskismo” foi a década de 1950, quando Tony Cliff formulou sua teoria do “capitalismo de Estado” (referindo-se à natureza da estrutura do Estado da URSS), enquanto Trotsky caracterizou a União Soviética como um “estado operário deformado”. No cerne do “neo-trotskismo” está a “Tendência Socialista Internacional”, criada em 1977. Existem também grupos trotskistas semelhantes em nível internacional, que incluem quase todos os grupos que atuam como trotskistas no nível de um único país.

A história dos trotskistas na França nas décadas de 1950-70 e hoje é ilustrativa. Vários grupos trotskistas têm laços estreitos com a social-democracia e são o “berço de quadros”, como Lionel Jospin. Eles eram tão amplamente anticomunistas que o Le Monde os descreveu como uma “corrente anticomunista de esquerda”.

Hoje em dia os trotskistas, aproveitando o renascimento oportunista do PCF, estão reivindicando um papel maior, obtendo um número considerável de votos em várias eleições. Eles criticam o PCF, enquanto zelam pelas boas relações com os elementos de direita nele e no WCT, declarando seu compromisso com o sistema burguês e suas intenções de participar de coalizões de centro-esquerda. É indicativo que um dos seus principais grupos, a “Liga dos Comunistas-Revolucionários”, em colaboração com o segundo grupo principal, a “Luta dos Trabalhadores”, retirou do seu programa o objetivo de “conquistar a ditadura do proletariado”, caracterizando-o como “Estalinista”.

Existem vários grupos trotskistas marginais na Grécia: “Partido Revolucionário dos Trabalhadores”, “Organização dos Internacionalistas Comunistas da Grécia”, “União Comunista – Poder dos Trabalhadores”, “Start”, etc. O Partido Socialista dos Trabalhadores (anteriormente Socialista Organização Revolucionária) é mais forte. A sua atividade manifesta-se principalmente através da distribuição do seu jornal. Muitos de seus ativistas aparecem na imprensa burguesa. De acordo com suas posições e atributos político-ideológicos, podem ser classificados como neo-trotskistas.

O Partido Socialista dos Trabalhadores é a seção grega da Tendência Socialista Internacional. É provavelmente o maior da Europa, depois do Partido Socialista dos Trabalhadores Britânico (PSTB). Foi formado por um grupo de estudantes que acabou em Londres em 1967, após o estabelecimento do regime dos Coronéis Negros. Eles foram inicialmente influenciados pelo Maoísmo e formaram uma organização política chamada “Organização Socialista Revolucionária”. Durante sua estada em Londres, a organização entrou em contato com os Socialistas Internacionais de Tony Cliff. Após isso, caíram sob a influência do trotskismo. Quando os ativistas da Organização retornaram à Grécia, seu contato com os Socialistas Internacionais havia sido perdido, mas foi retomado no início dos anos 1980. Na época, este último já havia se renomeado como “Partido dos Trabalhadores Socialistas”. No final da década de 1990, seguiu-se a mudança do nome da organização para “Partido Socialista dos Trabalhadores”. Nos anos 1970 publicaram uma revista chamada “The Nodding Woman”, posteriormente e até hoje o PSA publica o jornal “Workers Solidarity” e a revista “Socialism from Below”. O SRS esteve em ascensão de 1989 a 1993 (ou seja, durante os golpes e a vitória da contrarrevolução nos países do socialismo – nota do autor), desde então caiu em uma longa crise e em um estado semimorto (que não pode ser observado sem considerar a reorganização das forças de classe em nosso país). Em 2001, houve uma cisão no PSA. Uma parte formou a “Esquerda Operária Internacionalista” (IWL), que está ideológica e politicamente ligada à seção americana da tendência, e que também se dividiu. A IWL participou da formação da Coalizão da Esquerda Radical (SYRIZA) e da coalizão do partido SIN (Coalizão das Forças de Esquerda).

A presença do PSA no nosso país é em grande medida determinada pela transferência para a Grécia, sem alterar as posições e atividades do PSA inglês. Basta olhar para o site do PSA, e o empréstimo não só dos princípios ideológicos básicos, mas também dos slogans e da forma, e isso se torna evidente de imediato. Sua principal atividade era distribuir um jornal e organizar discussões semanais. Em essência, é uma organização sem programa político – pelo menos publicado – que reduz o “trabalho socialista” ao ativismo.

Não há estratégia, apenas propaganda geral e abstrata da revolução e do socialismo. Nas organizações de massa (por exemplo, sindicatos, clubes, etc.) nas quais eles têm alguma influência, eles apoiam qualquer atividade e participam das atividades adotadas por algum “Fórum Social” ou “Tendência Socialista Internacional”. Não desenvolvem demandas e metas específicas para a luta, focalizando apenas as formas de luta. Ou seja, não são as reivindicações de greves, manifestações ou apreensões de edifícios que lhes interessam, mas sim as próprias ações a que atribuem um “caráter revolucionário”, independentemente da sua orientação política.

Características comuns de grupos Trotskistas

Os principais grupos trotskistas na Grécia e internacionalmente, apesar das diferenças privadas, têm as seguintes características comuns:

  1. Referências a Trotsky

Os trotskistas defendem o caminho político de Trotsky. Eles expressam várias posições trotskistas de forma eclética, não como um sistema de pensamento político (o que não é). Eles se referem seletivamente a Lênin e suas obras, a fim de mostrar que Trotsky foi um continuador da obra de Lênin. Eles contrastam Lênin e Stálin. Eles reproduzem todos os argumentos anti-stalinistas.

  1. Propaganda antissocialista

Eles negam as conquistas do socialismo no século 20 na União Soviética e nos países da Europa Central e Oriental. Eles consideram sua queda como um progresso social e apoiam todas as ações contrarrevolucionárias para restaurar o capitalismo que se desenvolveram nos antigos países socialistas, chamando-as de “revoluções populares”.

Por exemplo, o Partido Socialista dos Trabalhadores da Grécia e a literatura política do MST, a organização internacional a que pertence, acolhem os golpes anticomunistas e os chamam de “movimentos populares” e “levantes populares”. É assim que eles descrevem até mesmo as ações em que a CIA e ex-funcionários de estados capitalistas confessaram participação direta e indireta.

Eles reproduzem toda a propaganda anticomunista e antissoviética. Assim, a 593ª edição do jornal “Rabochaya Solidarnost” do SRP relatou:

A Rússia de Stalin era, no papel, um fascismo irreconciliável. “A URSS”, escreve Hobsbawm, “era popular principalmente por causa de sua oposição consistente à Alemanha nazista, que a apresentava como tão diferente do Ocidente vacilante … No entanto, em agosto de 1939, a Rússia‘irreconciliável ’concluiu um acordo secreto com a Alemanha. O infame Pacto Molotov-Ribbentrop ‘deu’ à União Soviética os Estados Bálticos e ‘dividiu’ a Polônia entre os dois países. Em setembro de 1939, quando as tropas alemãs entraram na Polônia Ocidental, o “Exército Vermelho” de Stalin entrou na Polônia Oriental. Em um mês, a Polônia deixou de existir. Foi necessário o plano de ‘Barbarossa’, um ataque alemão repentino à Rússia em junho de 1941, para que Stalin se posicionasse ao lado dos ‘aliados’.

Com a ajuda de tal calúnia, eles tentam anular o papel decisivo da URSS na luta contra o fascismo, bem como a contribuição do movimento comunista para a vitória dos povos sobre o imperialismo do Eixo, justificando assim o papel dos estados capitalistas no fortalecimento do fascismo na Europa.

Eles aderem à propaganda imperialista de que os países socialistas da Europa Oriental surgiram apenas como resultado do avanço das tropas soviéticas. Assim, eles dizem:

Nos países da Europa Oriental, como na ‘República Democrática Alemã’… não houve revolução dos trabalhadores em lugar nenhum … Eles foram assumidos pelas tropas de Stalin avançando sobre Berlim em 1944-45. Em seguida, o novo mapa da Europa foi oficialmente reconhecido durante a cínica divisão das esferas de influência pelos “Aliados” nas conferências de Yalta e Potsdam. Ninguém perguntou aos trabalhadores da Polônia se eles queriam estar na ‘esfera de influência’ russa, assim como ninguém perguntou aos trabalhadores da Grécia se eles queriam ‘protetores’ britânicos e americanos.

Aqui, eles igualam duas manifestações diametralmente opostas de solidariedade internacional de classe. De um lado, a solidariedade do capital internacional com a invasão anglo-americana de nosso país, de outro, a ajuda da URSS e do Exército Vermelho na construção do socialismo na Europa Central e Oriental, e os efeitos positivos disso teve sobre os trabalhadores desses países e do resto do mundo.

Como consequência de seu conceito de “capitalismo de estado” na URSS e nos países da Europa Central e Oriental, eles consideram o confronto entre o socialismo e o capitalismo de 1945 a 1989 como um conflito intra-imperialista:

O Pacto de Varsóvia não era ‘uma força oposta ao imperialismo americano’, como afirmavam os stalinistas de esquerda da época, mas era um campo imperialista rival que suprimiu e roubou ‘seu’ povo assim como a OTAN suprimiu e roubou ‘seu’ povo.

Essas visões reforçam a ideologia burguesa e a propaganda sobre o suposto fracasso na construção do socialismo.

  1. Cooperação com a social-democracia

Existem abundantes evidências históricas, especialmente na Grécia e na Europa, de uma conexão explícita e implícita entre os trotskistas e a social-democracia como resultado das táticas de “entrismo” que usaram. As atividades trotskistas contribuíram tanto para a formação do necessário perfil “esquerdista” dos partidos social-democratas, quanto para a orientação anticomunista “esquerdista” desses partidos. Hoje, o trotskismo interage com os partidos social-democratas de várias maneiras. Muitos partidos social-democratas tiveram (e ainda têm) tendências trotskistas dentro de seus partidos, por exemplo, na Grécia, o grupo trotskista “Start” publicou seu jornal com o título “Start – Tendência Marxistas PASOK”.

Ao longo dos anos, eles apoiaram partidos social-democratas como o PASOK na Grécia, o Partido Trabalhista na Grã-Bretanha, especialmente durante os períodos em que o movimento trabalhista tinha grandes ilusões sobre a natureza e o papel dos social-democratas. Os trotskistas embelezaram e estão embelezando sua colaboração com frases revolucionárias, exortando o povo a votar no PASOK, ao mesmo tempo que falam sobre a revolução e o socialismo, apresentando “teorias” de que os revolucionários não dão a mínima para eleições.

Hoje, a posição declarada dos social-democratas – como um partido político burguês – força os trotskistas a se distanciarem deles e a mudarem de tática.

Apesar disso, são aliados “naturais” dos dirigentes sindicais social-democratas conformistas, apoiando suas táticas contra a classe trabalhadora. Os SRS e o resto dos grupos trotskistas participam de comícios e eventos organizados pelos líderes conformistas da GCEE (Confederação Total de Trabalhadores da Grécia) e ADEDI (Confederação Total de Trabalhadores do Setor Público da Grécia) em nome da “unidade” da classe trabalhadora e do “trabalho com as massas”.

Essas forças lutam contra as táticas do PC Grego no movimento sindical, e contra o apoio que dá aos sindicatos na PAME (Frente Militante de Todos os Trabalhadores), reproduzindo as acusações de sectarismo, isolacionismo e divisionismo no PC Grego. A escolha de entrar em confronto com “PΑΜΕ” objetivamente joga a favor da atividade sindical pró-governo “Kompanion”.

Considere, por exemplo, como eles comentaram sobre o desempenho dos sindicatos Kompanion na greve de 11 de maio de 2005: “Um número impressionante de manifestantes se reuniu no Champ de Mars”, comentando sobre a posição da liderança conciliatória GCEE-ADEDI: “Embora os líderes do GCEE e ADEDI hesitaram e não concordaram com uma solução mútua para o desafio do governo, as pessoas sentiram o desafio e deram a mensagem de que não se submeteriam ou deporiam as armas”.

Os dirigentes do GCEE-ADEDI não são “covardes” ou “hesitantes”: apoiam conscientemente a política da reforma capitalista, a estratégia do capital. Seu papel é manobrar, castrar e reconciliar os sentimentos dos trabalhadores, ao mesmo tempo que cimenta sua lealdade às políticas dos social-democratas.

Nesse sentido, os trotskistas e os atuais oportunistas de direita da Coalizão de Movimentos de Esquerda e Ambientalistas (CIN) prestam um grande serviço ao reproduzir ilusões sobre um “PASOK militante e esquerdista”, apresentando os dirigentes do GCEE e ADEDI como defensores da unidade da classe trabalhadora, ao ocultar seu papel subversivo no movimento sindical.

  1. Apoio a várias formas de ajuste ao sistema capitalista

Os grupos trotskistas são os principais apoiadores dos “Fóruns Sociais”. Eles acreditam que através de tais estruturas se forma o sujeito da “revolução mundial” e sua coordenação. Várias tendências trotskistas reivindicam um papel de liderança nessas estruturas, considerando-as como uma prova de sua posição sobre a prioridade da luta no nível internacional e a diminuição do papel da luta no nível nacional. As teorias sobre “novos movimentos” em oposição aos “desatualizados” associados ao movimento comunista, e o anticomunismo feroz dessas estruturas na forma de anti-stalinismo, criam condições favoráveis ​​para as atividades dos trotskistas. Eles afirmam ser a ala de “esquerda” e “revolucionária” em tais estruturas de ajustamento ao sistema capitalista, dominado pela social-democracia e representantes da regulação do capitalismo. Com fraseologia “revolucionária”, eles neutralizam o descontentamento popular, principalmente entre os setores inexperientes da classe trabalhadora, a juventude e a pequena burguesia e os incluem nas estruturas de acomodação.

Eles seguem a linha tradicional de oportunistas e social-democratas, a política de compromisso e cooperação dentro do “movimento anti-guerra” com um dos centros imperialistas na luta contra o outro (por exemplo, contra a dominação dos EUA dentro da chamada “globalização”). O seu papel foi reforçado durante o terceiro “European Social Forum” realizado em Londres, sob a égide da London City Hall, patrocinado pelo jornal Guardian e com a responsabilidade de organizar a empresa anônima “European Social Forum – London 2005 COO”; eles também reivindicaram esse papel no quarto EUF em Atenas.

Existem tentativas sistêmicas de criar estruturas nas quais forças comunistas (ou derivadas do comunismo) coexistam com trotskistas e social-democratas, sob a proteção do oportunismo. Os trotskistas têm uma atitude positiva em relação à formação do “Partido da Esquerda Europeia”, além disso, os trotskistas na Grã-Bretanha são membros da coalizão eleitoral “Respeito” do ex-deputado trabalhista Galahuei, que se candidatou a aderir ao Partido da Esquerda Europeia. A seguinte avaliação é característica: “O primeiro Congresso do PEL terminou no domingo, 30 de outubro. Foi um evento impressionante em termos de número de participantes. Representantes do partido e convidados de quase todos os partidos de esquerda na Europa participaram do congresso. Em toda parte, havia a sensação de que, depois que franceses e holandeses disseram não à Constituição Europeia e depois dos resultados das eleições na Alemanha, algo novo nasceu”.

  1. Atitude em relação à estrutura imperialista da UE

Uma característica de todos os grupos trotskistas é a quase completa ausência da identificação da União Europeia como imperialista. Este tema é apresentado em seus documentos de forma muito limitada. Além disso, no passado, eles atacaram ativamente o CHRG por sua posição contra a UE, acreditando que essa posição era nacionalista, expressando os interesses da burguesia grega em busca de um lugar mais favorável no sistema do imperialismo internacional.

A questão da luta contra a UE não se levanta em lado nenhum, porque tal objetivo está relacionado com a análise leninista – e não trotskista – do imperialismo, com a teoria leninista do desenvolvimento desigual, com a teoria do “elo fraco” do imperialismo, e a possibilidade de iniciar e realizar uma revolução em um país. Por outro lado, a criação da União Europeia é vista por várias correntes trotskistas como um campo de luta de classes, e este fato defende sua posição de transição da luta de classes do nível nacional para o regional, e sua teoria de mundo. revolução.

No entanto, o próprio Trotsky foi um dos principais fundadores do slogan “Estados Unidos da Europa”, influenciado pelo “ultra-imperialismo” de Kautsky. Lênin rejeitou este slogan em “Sobre o Slogan ‘Estados Unidos da Europa’”, afirmando claramente que a adoção de tal slogan significaria rejeitar a lei do desenvolvimento desigual e a possibilidade do socialismo ter sucesso em um país.

Ao mesmo tempo, o seu apoio e participação ativa e enérgica nos Fóruns Sociais Europeus e o apoio ao slogan “Outra Europa é possível” classifica-os como apologistas do imperialismo europeu. Faz deles parte do moderno social-chauvinismo europeu, que se expressa por meio de uma tentativa de apoiar o centro imperialista europeu como adversário dos EUA.

  1. Ataques ao movimento comunista

Todos os grupos trotskistas contemporâneos, atuando sistematicamente como uma força anticomunista – o que é historicamente característico da corrente trotskista – se autodenominam marxistas e se referem aos clássicos do marxismo, utilizando os termos “revolução” e “socialismo”. Seu anticomunismo na Grécia é acompanhado por “ataques amigáveis” ao Partido Comunista, principalmente a seus membros e ativistas. Os ataques amigáveis ​​consistem em glorificar membros comuns e apoiadores do partido como lutadores e, ao mesmo tempo, como elementos politicamente incultos que seguem as políticas do “reformista” CHRG. Na tentativa de confundi-los, não hesitam em lisonjear os membros do PC Grego e JCG (Juventude Comunista da Grécia) por escolherem participar da luta organizada, chamando-os de “camaradas” etc. Seu ecletismo ideológico serve à mesma tática. Eles citam os clássicos do marxismo, tirados do contexto, seja para sustentar suas teses ou para atacar o PC Grego. Os principais elementos de sua crítica contra o PC Grego e à JCG são os seguintes:

A tentativa de provar que toda a trajetória histórica do partido é uma trajetória de traição por parte da direção do partido em sua base, as massas que o seguem.

Começando com a EAM, a Revolta de dezembro, o DSE, os eventos de julho e o levante da Universidade Politécnica até os dias atuais, reproduzem o padrão de confronto entre as bases e as direções do partido. Eles citam a “linha stalinista-reformista” como a razão da “posição traiçoeira” do PC Grego. Em geral, eles acreditam que a linha do movimento comunista dos anos 20 e 30 é responsável pela derrota das revoluções na Europa, pela ascensão do fascismo, etc.

Eles distorcem deliberadamente a política do PC Grego. Eles repetem a linha do argumento do PASOK de que o PC Grego colaborou com a Nova Democracia (ND). Não são as questões individuais, mas a essência da política do partido que estão em sua mira: sua atitude para com os Fóruns, para o oportunismo, sua tática contra as direções sindicais conformistas, sua posição sobre a experiência do socialismo no século XX, etc. Assim, atribuem ao PC Grego que “a sua posição nas grandes lutas é negativa”, que a direção do Partido e do Komsomol “trata de forma sectária e conservadora os movimentos que inspiram milhares de jovens e se esforçam por construir um mundo melhor”.

A posição sobre a necessidade de “unidade de esquerda” é um dos principais “ataques amigáveis” dos trotskistas (especialmente do IRL, que pertence ao SYRIZA) e do SRS em relação ao PC Grego e ao JCG. Como já foi dito, os trotskistas sempre buscaram desempenhar o papel de “elo” entre a corrente revolucionária e o oportunismo, embora não o reconheçam em seus textos. Portanto, o SRS critica o IND pelo temor e derrotismo, mas não pela política do próprio IND:

Uma nova esquerda é possível e pode expressar essa dinâmica e se tornar uma dor de cabeça para Karamanlis, bem como para a oposição desidratada de Papandreos. Ela só precisa deixar para trás seu sectarismo, que por tantos anos foi a marca registrada da liderança do PC Grego. Na verdade, mesmo agora, o Rizospastis (o órgão central do Partido Comunista – nota P.S) não faz nada além de atacar a esquerda alemã. Basta que a liderança do SIN se separe de seu derrotismo. Mesmo no fim de semana, durante as eleições alemãs, Alekos Alavanos exortou os jovens a não seguirem os apelos para ‘vir e mudar o mundo’, mas ‘nos encontrarmos para ver se podemos mudar algo neste mundo (…) Claro, eles apoiam não apenas uma aliança de “organizações de esquerda”, mas também uma aliança com a chamada “Social-democracia de esquerda”, que é representada na Grécia por Polizogopoulos e pelos sindicalistas Kompanei. No final, eles argumentam que “para os partidários do PASOK e de toda a esquerda, ainda há esperança de que haja pessoas que estão lutando e que essa luta possa ter expressão política (…) Não se trata de encontrar quem vai se tornar a ala esquerda do PASOK, que vai se separar e criar condições semelhantes às da França, Alemanha e Inglaterra. A história não se repete. Os padrões de como algumas pessoas se desassociam e criam partidos de esquerda não permanecem. O principal é que o papel que o PASOK não assume agora, quando o movimento ataca, se manifesta e se organiza contra a Nova Democracia, esse papel deve ser assumido por nós, como temos feito até agora nas greves, em Tessalônica.

Conclusão

Para resumir, o anticomunismo dos grupos trotskistas não só os aproxima dos social-democratas e das políticas oportunistas da Nova Esquerda, mas também da propaganda e da prática reacionária. Apesar de seu número extremamente pequeno, não pode ser subestimado que sua vestimenta “marxista” fornece uma cobertura “revolucionária” para a ideologia burguesa dominante. A burguesia os usa, como fazem todas as correntes de oportunismo de direita e de esquerda, para subordinar as tendências radicais que surgem nos movimentos de trabalhadores e jovens.

Kirillos Papastavrou, chefe do Departamento Ideológico do Comitê Central do Partido Comunista da Grécia

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3 comentários em “O trotskismo como movimento oportunista”

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