Vocês querem um Hitler negro? Crítica ao Black Money

Por Jones Manoel e Douglas Rodrigues Barros

À proporção que me aprofundava no conhecimento da doutrina marxista e me esforçava por ter uma ideia mais clara das atividades do marxismo, os próprios acontecimentos se encarregavam de dar uma resposta àquelas dúvidas. A doutrina judaica do marxismo repele o princípio aristocrático na natureza. Contra o privilégio eterno do poder e da força do indivíduo levanta o poder das massas […]. Nega o valor do indivíduo, combate a importância das nacionalidades e das raças, anulando assim na humanidade a razão de sua existência e de sua cultura.

(Hitler)

Nós fomos os primeiros fascistas. Disciplinamos homens, mulheres e crianças e preparamo-los para a libertação da África. As massas negras viram que só neste nacionalismo extremo podiam depositar as suas esperanças e apoiaram-no de imediato. Mussolini copiou de mim o fascismo, mas os reacionários negros sabotaram-no.

(Marcos Garvey)


Hitler, em sua estupidez característica, foi a meio caminho no entendimento sobre a dialética materialista; acerta quando diz que o marxismo repele o princípio aristocrático e combate a importância das raças, mas erra quando afirma que o marxismo nega o valor do indivíduo[1] quando é a própria sociabilidade capitalista que pressupõe a abstração geral da vida desse indivíduo no processo de formação e circulação do valor no capitalismo.

Hitler cria um corpo, uma identidade fantasmagórica sob a qual recai a culpa das mazelas ocorridas ao “seu povo”. Se o capital é uma dominação impessoal, complexa e de difícil compreensão, mais fácil e persuasivo será corporificá-lo numa identidade fantasmagórica que reúna características particulares. Isso dá voto. Isso dá seguidores. Em suma, mais fácil será personificar a dominação e criar um grupo identificável que seja o responsável pela opressão, apontar uma suposta raça irremediavelmente má, no caso de Hitler, os judeus.

Contra essa mística vulgar, afirmamos outra vez: dar um corpo à dominação é profundamente reacionário, pois julga-se que é o corpo, uma raça, um sexo, uma comunidade, um grupo religioso que são os responsáveis pelas mazelas, e não a forma de sociabilidade que as efetiva.

Com isso é evidente que se passa o entendimento de que são os atuais gestores da vida pública – os detentores dos lugares privilegiados, os formadores de opinião – que são maus, pervertidos, indigestos, monstruosos e permissivos. Bastaria, então, trocá-los por aqueles representantes do “nosso povo”, que o problema estaria resolvido. Sabemos o quanto essa noção reacionária está espalhada em nosso meio.

A falsidade de uma ideia não chega a constituir, para os jovens atuais, um escândalo; é talvez nesse ponto que a nova linguagem, dos discursos populistas e irracionais, soe mais estranha, absurda e destrutiva para aqueles que veem na razão a possibilidade de superar o misticismo reacionário e apontar para um horizonte socialista. A questão é em que medida tais discursos promovem ou conservam uma confusão, conservam ou até mesmo forjam um ressentimento, mutilam ou subtraem a tentativa de partilha do comum para estruturarem um rebanho do ódio.

A nossa inclinação crítica é afirmar que os discursos mais falsos (entre os quais os de uma África intocada, de uma raça pura, de um desenvolvimento biológico superior, de uma aberração caucasóide, do mestiço como uma anomalia, do yuguru etc.[2]) nos são os mais indispensáveis para pensar a história mundial dos desdobramentos da noção de raça e o avanço incomensurável do identitarismo, como resposta reacionária ao capitalismo tardio, que como uma peste se espalha atualmente pelo globo.

Esta metafisica indispensável à forma de controle e de circulação dos corpos – uma máquina de guerra europeia fortalecida pela lógica neoliberal de uma neoescravidão engendrada pela crise como forma de governo – é um ponto sem o qual não se poderia entender a profunda desigualdade social racializada, e em processo de racialização atual, dos muros de Trump até os bombardeios da Palestina.

As ficções raciais, a realidade como um mundo puramente inventado pelas identificações coloniais do século XIX ainda presente na vida comum, a metafisica do igual a si mesmo, de um encontro com uma identidade pura, a fobia de um corpo alheio que ganha forma numa característica contingente no Outro, são os impulsos de uma prática infelizmente cada vez mais comum e popular.

Quando estranhos seguidores do “Moisés negro”[3] colocaram as mangas de fora para reafirmar os tipos de pureza racial que um povo tem e que precisa se sobrepor aos demais, utilizando para isso epítetos racializados, impedindo qualquer debate contra os “impuros miscigenados”, então, o alarme vermelho soou. Para os novos religiosos, mesmo a razão tendo como método a dúvida, é somente um instrumento branco, igualmente dispensável. Os negros “verdadeiros” não se utilizam da razão, mas do misticismo ancestral da “terra mãe”.

Seriamente, cabe, a respeito dessa linguagem (que só estupidamente se propõe como nova) assinalar com Jacques Derrida as dificuldades com que tropeçam os discursos supostamente epistemológicos que se baseiam na raça,  já que “não dispomos de nenhuma linguagem – de nenhuma sintaxe e de nenhum léxico – que seja estranho a essa historia”[4], história da modernidade capitalista.

Queremos dizer, com isso, que desde que a cor se tornou processo de controle, exploração e reificação próprios à organização social, o negro está implicado com o branco e o branco está implicado com o negro. A camisa de força da ideia de raça, como um componente trans-histórico e ontologizado, tem causado infinitos apelos religiosos na busca de um retorno às origens – mesmo a frenologia (doutrina segundo a qual cada faculdade mental se localiza em uma parte do córtex cerebral e o tamanho de cada parte é diretamente proporcional ao desenvolvimento da faculdade correspondente) voltou à moda, a ponto de um grupelho se utilizar de Garvey para promover, com seu messianismo, uma ode à identidade fantasiosa.

Uma pura identidade consigo mesmo é uma patologia, comprova a psicanálise. Mas, para o rebanho, essa ciência é por demais branca, assim como toda a ciência e como toda ideia de universal, assim como a gravidade que foi forjada por um racista, Isaac Newton, assim como a descoberta da mais-valia que foi fomentada por um racista judeu! Eles rejeitam qualquer noção de verdade que não seja baseada na suposta raça do indivíduo. A verdade tem cor para o rebanho. Não precisamos dizer quem fez isso no século XX!

Que Garvey tenha se enveredado por um caminho místico, cheio de belas intenções cristãs, mas com péssimas análises da realidade, péssimas companhias e péssimos investimentos, é algo desculpável que faz parte do amadurecimento das lutas, (ainda que nós não o reconheçamos de nosso lado, como, por exemplo, Du Bois).

Agora, que tenhamos hoje, em pleno século XXI, no Brasil, adeptos de um messianismo tosco, de uma Áfrika – sim, escrita com “K” – que só existe nos delírios patológicos de limpeza sanguínea, de uma determinação do que é ou não é negro pela biologia, de uma consciência profundamente colonizada e racial – é algo que deve nos pôr a pensar: quais os motivos desse renascimento do ressentimento identitário que vê na diferença não um complemento de seu Eu, mas uma ameaça que precisa ser extinguida?

As chagas abertas pela racialização da vida, como garantia do modo de sociabilidade capitalista, é um primeiro ponto no qual deveríamos nos deter, tendo em vista que a questão racial sempre ascende de forma excludente quando a economia declina em suas crises cada vez mais profundas.

É obvio que há uma álgebra do espaço de circulação de poder que presume em si a identificação, o controle e a criação de lugares demarcados pela ideia de raça. Não é difícil compreender, sensivelmente, que o negro foi posto num lugar-de-fora dessa relação. Lugar no qual pode ser invisibilizado, violentado e dizimado.

A invenção da diferença sob os pressupostos da exploração colonial impõe ao Negro uma realização impossível. Um Real impossível, traumático, em que a rede simbólica de reconhecimento mútuo está fechada. O modo simbólico da linguagem como resultado de uma contingente luta complexa pelo poder sociossimbólico é abordado aí no sentido da exclusão que esse processo efetivou para o negro.  O negro, nesse sentido, não é um Outro do branco em sua universalidade colonizadora, mas um inexistente numa universalidade que elimina qualquer possibilidade de reconhecimento ao negro. Contraditoriamente, porém, o negro só existe em relação a essa exclusão do domínio branco. Ultrapassar essas limitações é o fim previsto na radicalidade fanoniana[5].

A crítica radical de Fanon impunha a profunda desestruturação simbólica dessa realidade, e essa desestruturação implica o abandono da noção de racialidade a partir da transformação efetiva do processo econômico de produção e reprodução. A ordem simbólica para Fanon está atrelada ao sistema que utilizamos para nos comunicar – o discurso, a linguagem, o sistema de troca mercadológica, um gesto ou qualquer signo – juntamente com suas regras. Só se pode desestruturar essa ordem simbólica, portanto, através de um caminho revolucionário no qual o próprio significante racial seja implodido.

O processo de descolonização real não é a adequação ao espaço algébrico do poder instituído pela forma mercadoria – e com ela toda a ordem simbólica implicada – mas um “não” vibrante e violento porque decide se insurgir contra a violência diária desse poder. Na perspectiva fanoniana, aceitar o caráter radicalmente antagônico – ou seja, da verdadeira política – é o único modo de implodir a falsa universalidade colonialista para impor um modo de sociabilidade e construção simbólica verdadeiramente universal.

Essa posição é totalmente antagônica ao setor hegemônico do movimento negro atual, que luta pela especificidade e acaba por se colocar nos limites da camisa de força da ideia de raça. Dinheiro negro é uma construção fetichista e reacionária!

Dito isso, é necessário pensar até onde vai a ideia limite do dinheiro negro, do Black Money, como uma forma fetichizada ao extremo do antirracismo de mercado. Ao contrário da mitologia “histórica” da classe dominante, não existe capitalismo sem colonialismo. Sim, sabemos que o sistema-mundo, nascido no século XVI com a ocupação colonial do território posteriormente conhecido como América, ainda não era capitalista; estava no período histórico que Marx chamou de acumulação primitiva do capital.

Marx nunca perdeu de vista que o período da acumulação primitiva, em toda sua diversidade e complexidade, já encubava formas sociais pautadas pelo metabolismo do lucro: a escravidão dos seres humanos negros e as ocupações coloniais com seu comércio de “especiarias” tinham como fundamento a lógica econômica moderna do lucro.

A consolidação do capitalismo não significou o fim do colonialismo. Antes o contrário. O período de maior avanço do colonialismo é justamente a partir das últimas décadas do século XIX, quando o capitalismo europeu, já totalmente maduro, entra na sua fase imperialista, como bem mostrou Lênin no seu clássico: Imperialismo, etapa superior do capitalismo.

Nesse ponto é necessário insistir em uma questão central: quando na conferência de Berlim (1884-85), as potências colonial-imperialistas decidiram devorar a África, tomar por completo o continente e levar o colonialismo a um novo patamar, elas agiam como personificação do capital, como representantes dos interesses objetivos da lógica autoexpansiva do imperialismo.

Que lógica é essa? O capitalismo, visto como sistema global, é um complexo de complexas relações de dominação e exploração em diversos âmbitos da vida social que precisa se expandir infinitamente. No ambiente doméstico, a mulher é explorada e dominada pelo homem; em cada país em particular, os trabalhadores e trabalhadoras são explorados pela burguesia; na divisão internacional do trabalho, alguns países, centros mundiais de controle da acumulação do capital, precisam desumanizar, racializar, colonizar outros povos. Tudo isso com uma finalidade: manutenção da taxa de lucro.

Pode-se falar de raças superiores ou inferiores, comunistas, terroristas, traficantes de drogas, violadores dos direitos humanos. A linguagem do imperialismo é flexível, versátil, muda com facilidade, mas o fundamento, a essência do fenômeno, é sempre a mesma: a tão falada igualdade jurídica burguesa nunca existiu – uns são sempre mais humanos que outros. Como bem disse o comunista Palmiro Togliatti, “a verdade é que a doutrina liberal […] está fundada numa discriminação bárbara entre as criaturas humanas, que se alastra não só nas colônias, mas na própria metrópole, como demonstra o caso dos negros estadunidenses”.

Enquanto existir capitalismo, existirá a mais bárbara discriminação entre as criaturas humanas. E, como já falamos acima, é extremamente eficaz racializar o Outro como fundamento dessa discriminação. Hoje, quando se fala em nazismo, de pronto vêm à baila termos como totalitarismo, comparação com experiências socialistas ou comentários sobre partido único e culto ao líder. Esse tipo de coisa tem uma função essencial: esconder que o nazismo é uma radicalização da tradição liberal, colonial e imperialista, só que não mais aplicado, “apenas”, na África, Ásia, América e Oceania, mas no seio da própria Europa. Hitler é símbolo de uma descoberta histórica: foi quando o europeu sentiu na pele o que o africano, por exemplo, já sentia há séculos e com aprovação de todo o mundo liberal.

Não disse Fanon, corretamente, que “na escala do indivíduo e do direito dos povos, o que é o fascismo senão o colonialismo no seio dos países tradicionalmente colonialistas?”[6]. Não existe capitalismo sem Hitlers. Existiam Hitlers antes de Hitler,

Aimé Césaire, no seu clássico Discurso sobre o colonialismo, mostrou em verso e prosa com brilhantismo como Hitlers não são novidade para o povo africano vítima do colonialismo-imperialista. Depois dos Tribunais de Nuremberg, continuam existindo Hitlers. Eles destruíram o Iraque, Síria, Líbia, Afeganistão, Panamá, Ucrânia, Costa do Marfim, Haiti, Mali, Guatemala, Chile, Sudão e muitos outros países. Os Hitlers atuais podem até ser simpáticos, bonitos, sorriso fácil, palavras doces, peles negras!

Barack Obama, por exemplo, na prática, como representante do presidencialismo imperial dos EUA, como o gestor máximo dos maiores monopólios capitalistas do mundo, sorria enquanto o exército de seu país executava pessoas para além de suas fronteiras, falava de igualdade enquanto crianças eram mortas por um bombardeio e enquanto ganhava o Nobel da Paz ouvia impassível o número de intervenções norte-americanas aumentarem em países soberanos mas subalternizados pela lógica da dominação imperialista. E onde esses fatos ocorriam? Na Europa? Não, não. Especialmente em regiões habitadas majoritariamente por povos não brancos: nas Américas e no Oriente Médio.

Vocês querem um capitalismo negro? Uma burguesia negra? Uma classe média negra? Tudo bem. Esse é seu direito. Em tempos de terra plana e campanhas antivacina, faz o que tu queres, pois é tudo da lei. Agora, seja coerente. Querer um capitalismo negro, idolatrar o Black Money, significa manter o trabalho não pago como fundamento da reprodução social, isto é, tornar eterna a escravidão da mulher (negra?) no ambiente doméstico patriarcal. Querem um Véi da Havan preto? Maravilha! Só não vejam com horror a defesa aberta de intensificar a exploração sobre os trabalhadores (inclusive os negros), precarizar suas condições de trabalho, reduzir seus salários, destruir suas condições de vida.

E um Bill Gates negro, quem não quer? Só não esqueçam que na divisão internacional do trabalho para existir um país com altíssimo nível de complexidade tecnológica e produtiva, com centros de pesquisa e informática avançadíssimos, é necessário que existam países precários no Terceiro Mundo que vivem de produzir e exportar produtos primários, as famosas commodities; com a produção controlada, é claro, pelos monopólios estrangeiros. Países produtores de alimentos e coisas como minério de ferro – enquanto o povo passa fome e mora em casas de barro – e compradores de carros, celulares, computadores e afins dos centros do capitalismo. Afinal, nem todo mundo pode fazer computadores. Alguém tem que produzir as frutas!

Levem até as últimas consequências o seu Black Money. Falem sem medo em defesa do patriarcado, da exploração e do colonialismo. Sejam como os charmosos gestores da catástrofe dos nossos tempos: como o Blair, Bush, Clinton, Macron (beijos de Paris!) ou daqueles que fizeram da extrema direita uma opção como Merkel e Netanyahu etc. Façam tudo isso e digam apenas que querem combater o racismo contra os negros. Tudo bem. Sabemos que o sonho aí é o de conseguir um lugar na Casa-Grande – já vimos isso em um filme, parece que o nome é Django Livre, quando um ex-escravo matou os senhores e os pretos colonizados com ajuda de um alemão, ou foi naquele de herói infantil em que um irmão se alia à CIA e estabelece uma Monarquia?

No dia em que vocês gritarem abertamente: abaixo o racismo e viva o capitalismo, o patriarcado e o colonialismo, teremos duas respostas. Uma é melhor não dizer agora, a outra dizemos em forma de poema:

Negros

Negros que escravizam

e vendem negros na África

não são meus irmãos

negros senhores na América

a serviço do capital

não são meus irmãos

negros opressores

em qualquer parte do mundo

não são meus irmãos

Só os negros oprimidos

escravizados

em luta por liberdade

são meus irmãos

Para estes tenho um poema

grande como o Nilo.

– Solano Trindade, em Cantares ao meu povo


[1] Indivíduo: “A palavra ‘indivíduo’ tem sua origem no Latim, em INDIVIDUUS, que significava ‘indivisível, que não pode ser dividido. É composto por duas outras palavras de mesma origem: IN, ‘não’ e DIVIDUUS, ‘divisível’. Esta última é derivada de DIVIDERE, que significa ‘dividir’.” <https://www.gramatica.net.br/origem-das-palavras/etimologia-de-individuo/>. Pessoa que não divide, que sai do que é comum, apropriando-se do que é comum.

[2] Todos esses epítetos foram dados às pessoas que debatiam numa recente polêmica em uma postagem de Jones Manoel.

[3] Marcus Garvey.

[4]Jacques Derrida, L’écriture et la différence, p. 412.

[5] BARROS, D. R. Lugar de negro, lugar de branco? Esboço para uma crítica à metafísica racial. Editora Hedra: São Paulo, 2019, p.45.

[6] FANON, Frantz. Os condenados da terra. p. 106.

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